Flavio Paiva

Deu vontade de colocar a pedra-de-peixe no aquário. Curiosidade ornamental. Fotografei. Da imagem do fóssil caririense foram surgindo representações zodiacais e divinais pelos vestígios arquetípicos do meu infinito interior, como um sýmbolon religando sensibilidades ubíquas e atemporais: um mesmo peixe dividido em duas bandas passíveis de se complementarem exatamente. Assim, de um lado vivendo e de outro gerindo a vida, vou me reconhecendo entre o que penso e o que faço, entre o que sou e o que compartilho nesse incitante processo não-linear e sem finalização que é a vida. Eis a minha senha. Pode entrar.

 
 
 

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O sarau de Elaine Marin (RIvista do Mino nº 186, set2017)

O sarau de Elaine Marin
Artigo publicado na RIVISTA do MINO nº186 (Editora Riso), p. 18
Edição de setembro de 2017 - Fortaleza, Ceará, Brasil

Artigo em PDF

Há discos que a gente não escuta apenas como disco. Uns são de memórias, outros de histórias e, dentro do que pode ser um disco, há aqueles que traduzem encontros, essências de relacionamentos, sons de muitas fontes e o calor de gente reunida. Assim estou escutando o CD Desarmada, da compositora e cantora Elaine Marin.

É como se ela ofertasse a lembrança de uma resenha em sua casa de Santo André, com melodias cheias de imagens, letras com passagens abertas, conversas soltas e poesia de diário pessoal; um sarau de baladas, rocks e cantigas para ouvir, sentir e dançar. Sons diversos e variedade de temas.

Elaine Marin, mais conhecida como produtora da cena alternativa brasileira, juntou amigas e amigos de anos de convívio para cantar o amor em composições de sua autoria. Gente querida, como Titane, Vange Milliet, Suzana Salles, Paulo Padilha, Natália Mallo e as cantoras do grupo Solaris somaram carinho nesse encontro festivo.

Coproduzido pelo baixista Paulo Lepetit, no estúdio Outra Margem, o trabalho de Elaine é pontuado por agradáveis participações, nas quais se destacam as flautas e o clarinete de Simone Julian, o trumpete de Cláudio Faria, o baixo acústico de Clara Bastos, o violão da própria cantautora e os vocais do Solaris, das amigas Nenê Cintra, Priscilla de Paula, Verlúcia Nogueira, Simone Julian e Mazé Cintra, e das comadres Titane e Tata Fernandes.

Em Desarmado nota-se claramente a pulsão do poder feminino em situação de amor, suas verdades e contradições. Enquanto questiona: “Qual de mim, dirá que sim?”, em Tudo Será para Sempre, com o grupo Solaris, Elaine afirma: “Fui amando ao invés de perguntar”, ao lado de Paulo Padilha, em Fim. Dividindo a interpretação com Zeca Baleiro, em Metade, canta: “Metade do teu olhar / Tá procurando onde se encontra”.

E ela mostra em mensagens que circulam em dúvidas: “Será que aqui, aqui onde estou, será meu lugar?” (Tomara); expectativas: “E agora, como faz / onde guardo (...) esse desejo tamanho GG” (Empírico); lúdica desordem: “Sobrou um rosto na janela (...) sabão na esponja (...) parte da dispensa (...) cabelo na escova” (Sobrinhas); e estado de bem estar: “Tô serena como nunca havia estado (...) Quase aguda, quase gota de orvalho (...) pertencendo ao mundo (...) Tô mantendo a calma e isso já é muito” (De boa).

Elaine Marin põe também na roda seu amor maternal nas cantigas Alana: “Olha o olhinho dela / Olhando o olho da lua”; Ana e eu: “Ela anda em meu pensamento (...) Ana e eu cantando juntas”; e na animada Eh Moleque: “Você é luz / pra quem tem medo do escuro”, que ela dedica ao filho Arthur, com ornamento de caixa do divino percutida por Mazé Cintra.

Mixado por André Magalhães, masterizado por Homero Lotito e com projeto gráfico de Bárbara Scodelario, Desarmada é um disco sarau, um evento de leveza e força, com o espírito descontraído e bonito das coisas feitas em casa. Bom de ouvir, de matar a saudade, de celebrar o amor e a amizade.

 

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