Flávio Paiva

Jornalista e Escritor, nasceu em Independência-CE (1959),
casado com a professora universitária Andréa Pinheiro
e pai do Lucas (1999) e do Artur (2001).


Longos segundos de um memorial

O pintor Aldemir Martins (1922 – 2006) foi quem me alertou para o fato de que um dos grandes entraves do Brasil é que aqui a ideia é de graça. Ideia não encomendada, então, nem pensar. Não há espaço para formulações desalinhadas. O fio entre a operação da vida e o viver é tênue demais. Quem se mete a não aceitar essas condições precisa desdobrar o tempo e reinventar o espaço, correndo o risco de se expor pela metade, sem a serenidade necessária para romper com a comodidade da omissão.

Estou entre os que trilham o enviesado caminho da realização associada ao fortalecimento ativo e altivo da infância e da cidadania orgânica. Nasci em 1959, na cidade de Independência, sertão do Ceará, e mudei para Fortaleza com 17 anos para estudar na Escola Técnica Federal (hoje IFCE). Na adolescência escrevia crônicas e poemas escondido. Tinha vergonha. Não conhecia pessoalmente ninguém que fizesse aquilo. Segui a intuição e um dia descobri que não era pecado nem nada gostar de expressar os sentimentos através da palavra escrita e de canções.

São longos segundos de imprecisão que valorizo em minha vida. Nesse percurso procurei sempre equilibrar atividades profissionais com a mania de escrever e de recorrer à música na construção de narrativas. Assim, desde 1979 passei a participar ativamente de movimentações sociais, políticas e culturais que me aproximaram mais e mais dos campos de sentido da infância e da cidadania orgânica. Em 1985 conclui o Curso de Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará, onde fiz também especialização, e daí em diante passei a trabalhar como jornalista.

Nunca parei para imaginar como seria a minha vida se eu tivesse negado os quereres da intuição, se tivesse vacilado na hora de desenhar o meu próprio rumo. Nada do que tenho feito até hoje chegou a significar uma opção racionalmente inteligente à luz de cada instante do passado decorrido. Não sei para onde estou indo, nem sei para onde o mundo vai, mas sei que vou firme, empenhado na construção compartilhada do que der para ser melhor. Uma coisa é certa: a vida é lenta.


 

Flávio Paiva é colunista semanal do jornal O POVO, desde 21/08/2013.

É autor de livros nas áreas de cultura, cidadania, gestão compartilhada, mobilização social, memória e infância, dentre os quais: Como braços de equilibristas (Edições UFC, 2001), Mobilização social no Ceará (Edições Demócrito Rocha, 2002), Anel de barbante – ensaios de cultura e cidadania (Omni Editora, 2005), Os cinco elementos da gestão compartilhada (Qualitymark Editora, 2001), Eu era assim – Infância Cultura e Consumismo (Cortez Editora, 2009) e Toinzinho e Socorro – uma intensa e fervorosa flor (Independente, 2011).

Para crianças escreveu e compôs, Flor de maravilha – vinte histórias e vinte músicas (2004), Benedito Bacurau – o pássaro que não nasceu de um ovo (2005), A festa do Saci (2007), Titico achou um anzol, aventura com aves e animais da caatinga (2007), Fortaleza – de dunas andantes a cidade banhada de sol (2005) e A casa do meu melhor amigo (2010), todos editados pela Cortez Editora. Em 2009, publicou Jangadeiro Pequenino (poesia), pelas Edições Demócrito Rocha, e em 2011 integra o livro Saci – 7 autores 7 histórias, da editora Mundo Mirim, organizado pelo jornalista Mouzar Benedito.

O autor tem participado também de ensaios em coletâneas, a exemplo da Rumos Brasil da Música: pensamentos e reflexões (Itaú Cultural, 2006), ONGs no Brasil – perfil de um mundo em mudança (Fundação Konrad Adenauer/Abong, 2003), Ceará de corpo e alma – um olhar contemporâneo sobre a Terra da Luz (Relume Dumará, 2002), Na trilha do disco – relatos sobre a indústria fonográfica no Brasil (E-papers, 2010) e Guia Cultural Brasileiro (Editora SESC SP, 2010).

Como coordenador editorial e organizador publicou Terra Feita de Gente – Uma História de Emancipação Social no Ceará (Raiz e Antena, 2003) e Parece que foi amanhã – as ideias que levaram ao futuro o empresário, patriarca e cidadão José Macêdo (Omni, 2009).

Nas três últimas décadas Flávio Paiva tem participado intensamente de ações culturais e de cidadania, a exemplo da sua atuação como: Conselheiro do Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador – Cetra; Membro efetivo do Grupo de Cultura e Identidade, do Planejamento Estratégico da Região Metropolitana de Fortaleza – Planefor; Coordenador do Fórum pelo Fortalecimento da Música Plural Brasileira; Integrante do grupo de formulação e articulação do Pacto de Cooperação do Ceará; Membro-fundador e consultor de Comunicação e Cultura do Instituto Equatorial de Cultura Contemporânea; Conselheiro eleito do Movimento Pró-Mudanças e conselheiro do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana.

Por seu trabalho como jornalista, escritor e ativista cultural, Flávio Paiva tem recebido várias premiações e manifestações de reconhecimento público, tais como: o Título de Cidadão de Fortaleza – Câmara Municipal de Fortaleza; a Medalha Capistrano de Abreu, instituída por ocasião do sesquicentenário de nascimento do célebre historiador brasileiro, nascido no Ceará – Prefeitura Municipal de Maranguape; a menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e Anistia Internacional; a Comenda do Dia da Cultura e da Ciência – Fundação de Cultura, Esporte e Turismo, Funcet/Prefeitura Municipal de Fortaleza; e a condecoração do Conservatório Alberto Nepomuceno por seu trabalho musical dirigido à criança. Em 2010, foi escolhido como um dos 30 cearenses mais influentes pela Revista Fale!, de Fortaleza.

Graduado em Comunicação Social (UFC) é especialista em Gestão da Comunicação nas Organizações (UFC). Trabalha desde 1988 como Secretário-Executivo de Comunicação no grupo J.Macêdo. Foi assessor de comunicação da Administração Estadual da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC (1982/1985), repórter, redator e editor-adjunto no Segundo Caderno do jornal O Povo (1985/1987), editor e redator da coluna Apóstrofo e da tira de HQ Naftalinas (em parceria com Válber Benevides), no jornal O Povo (1986/1988), articulista do caderno Vida & Arte, do jornal O Povo (1999/2003). Em 19/03/2005 estreou como colunista do Diário do Nordeste, onde escreveu até 11/07/2013. Flávio Paiva é Técnico em Turismo, pela Escola Técnica Federal do Ceará (1976/1979), fez o Ensino Fundamental no Ginásio Sant’Anna (1970/1975) e nas Escolas Reunidas de Independência (1966/1969).

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