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Face Viva da Ilusão. Paulo Peroba Promoções Culturais do Nordeste, 1982. |
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"Em A Face Viva da Ilusão o autor possui a inspiração poética, um bom domínio da língua, revelado aqui e ali na palavra necessária ou na frase expressiva" (Moreira Campos) "Já estranhei a capa de A Face Viva da Ilusão com o teu retrato de criança, com o qual me identifiquei, me vi. Aí, vou abrir o livro e deparo com a tua carta. Olha, tem uns carinhos que amolecem os ossos. Virei geléia de mocotó. Mas já recuperei e novamente estranhei: terão meu pai e minha mãe viajado por Fortaleza? Que irmão é este que eu não sabia existir?" (Henfil) "O poeta que agora engendra os primeiros passos com a estréia de A Face Viva da Ilusão, precisará de humildade para entender que a ordem ou a desordem do mundo não será alterada pela magia de algumas engenhosas metáforas. Estas palavras pretendem formalizar um pacto de solidariedade com um poeta que apenas esboça os acordes iniciais de uma partitura que, não sendo ainda uma obra acabada, poderá, futuramente, adquirir a imponência e luminosidade de uma sinfonia" (Francisco Carvalho) |
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Jornal O POVO – Vida & Arte, 19/03/1997 [CHAMADA] Procissões marcam dia de São José A saga dos Fonseca Melo Em 1987, o agricultor Vicente Fonseca Melo saiu de Croa Grande, interior de Boa Viagem, sertão cearense, para a cidade de São Paulo, com sua mulher e uma filha, fugindo da seca. Dez anos depois, a família espera a chva ou os planos de emergência para ter como viver. Mas, com certeza, não volta para São Paulo Céu claro em Boa Viagem , a 214 Km de Fortaleza. Mau tempo para quem tira sustento da terra. A chuva tarda e nem adianta se valer da pedra de sal ao sereno, do vôo dos urubus, do choro da acauã ou da flor do cajueiro... Se hoje, 19 de março, dia de São José, o céu não desabar, as esperanças de inverno e fartura no interior do Estado vão por água abaixo. Em Croa Grande , distrito a 18 Km do município sede, atravessar o rio Barriga a pé não tá difícil. Parcialmente seco, ele já não abastece como antes os potes de barro das casas da redondeza. Em 1987 a situação não era muito diferente. É catar o livro-reportagem Retirantes na Apartação (Qualitymark, 60 pgs. 1995), do jornalista Flávio Paiva e confirmar: Vicente Fonseca Melo, o Neto, protagonista real, tava de partida com a esposa Zulene e a filha Aline pra São Paulo. Tinha cansado de pelejar com a terra árida. Voltou em três meses, com a certeza de que a miséria extrapolou o Nordeste. Hoje, dez anos depois, tenta traçar um paralelo com o passado. Difícil. Á exceção do nascimento do filho caçula, Alex, nada mudou. V&A – Faz dez anos que vocês saíram de Croa Grande pra tentar a vida em São Paulo. Valeu a pena? Neto – Foi a primeira vez que a gente saiu. Aqui nós vivia de agricultura. Nós saímos porque foi no tempo de uma seca medonha, em 87. [...] V&A – E por que vocês escolheram logo São Paulo? Zulene – É história do povo, muié! O pessoal dizia por aqui que São Paulo era o lugar que ganha dinheiro. Aí eu disse: “então se é o lugar que ganha dinheiro, se é de ficar morrendo de fome aqui, vamo logo pra lá”. Nós nçao tinha emprego prometido nem nada. Só que tinha um irmão meu e um cunhado lá em Diadema e a gente se confiou nisso. [...] V&A – Como foi a viagem? Neto – Pegamo um ônibus de Boa Viagem pra Picos. De lá pegamos outro pra São Paulo. Foi mais de dois dias de viagem. Mas não sei contar direito bem como foi não... Zulene – Por que tu não diz logo que ia morrendo de medo? Não ia mermo? (risos) Quando o ônibus dava uma curva mais deitada ele dizia: “Vala-me Nossa Senhora é agora que nós vamo morrer”. Era assombrado e fazia medo a gente. Eu não. Eu sou assim: Depois que vou, boto pra Deus e vou embora, não to nem aí. Neto – Eu ia mermo assim. Nunca tinha viajado, então me deu uma coisa assim na cabeça, ave-maria... Porque quando a gente foi só tinha a Aline, pequena. O Alex ainda não tinha não... Mas o Flávio (Paiva) foi com nós — ele e o André (Lima) — e não deixou faltar nada no caminho. Nós ia com um dinheiro bem pouquinho, só o dinheiro da passagem quase, na lona mermo... [...] V&A – E hoje, comparando com a época da seca de 87, como é que ta a situação de vocês? Zulene – Se não haver Emergência é a mesma coisa. Mas aqui só é ruim por causa que a pessoa não tem emprego. E por causa que não tem inverno. Mas se num fosse, o lugar da pessoa morar era no interior.
O Povo - Segundo Caderno A face viva da ilusão O livro "A face viva da ilusão", de Flávio d'Independência [Flávio Paiva], será lançado às 20 horas de hoje, no Salão de Convenções do Esplanada Praia Hotel, durante o ato de encerramento do "Seminário sobre Monteiro Lobato". A apresentação ficará a cargo do Dr. Vasco Damasceno Weyne. |
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