Infância  
   
 
 
 
 
 
 
 
    CD Bamba-la-lão.
Cantigas Infantis de Flávio Paiva por Olga Ribeiro.
1ª ed.: Editora Plural de Cultura, 2001
2ª ed.: Lua Music, 2007
 

 

 

"Bamba-La-Lão é um disco cheio de ritmos e movimentos no espaço-temporal. As cantigas são tão bacanas que algumas ficam como um rói-rói rodando no juízo da gente sem querer sair" (Fabiano dos Santos)

"Flávio Paiva cresceu e deixou Independência e sua infância feliz para trás, como acontece a todos nós mortais nesse fantástico planeta vida. Por sorte sua, nem sua cidade natal nem sua infância fizeram o mesmo consigo. Quem explica isso não é Freud. É Bamba-la-lão. E quem o ouvir, entenderá" (Mino)

 
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  Sobre o disco
 

CD Bamba-la-lão apresenta cantigas infantis do cearense Flávio Paiva na voz de Olga Ribeiro

Álbum, com título que homenageia o ‘clássico' infantil ‘Senhor capitão', traz diversidade rítmica em xote, marchinha, folia de reggae e até um ‘funk-de-ninar'

A delicadeza do trabalho deste CD já começa na capa e encarte, com fotografias feitas a partir de desenhos e bordados da artista Nice Firmeza. Com  suavidade, poesia e respeito, sem apelar para o politicamente correto,  Flávio Paiva e seus parceiros Andréa Pinheiro, Alberto Lima, João Monteiro Vasconcelos, Ângela Linhares e Tarcisio Sadinha criam, em Bamba-la-lão , o universo da criança. É o segundo álbum infantil de Paiva, compositor, jornalista, escritor  e produtor musical cearense.

Lançado em 2001, o disco, que ganha reedição da Lua Music ( www.luamusic.com.br ), é dedicado a Artur, filho de Flávio com a jornalista e parceira Andréa Pinheiro. Samba-le-lê (1997), o primeiro disco dele, foi dedicado a outro filho, Lucas. Isso é um detalhe diante da magnitude do conteúdo que, com simplicidade, mas com profundeza, provoca emoções e instiga pensamentos sonhadores em temas como a relação com a natureza, mitos brasileiros e manifestações da cultura popular, e com outros, mais áridos, como em Bolhas de Sabão , por exemplo, em que fala sobre crianças abandonadas.

Flávio explica: “Há uma necessidade de transmitir valores culturais difíceis de serem valorizados hoje em dia, quando as crianças não usufruem sequer de espaços de lazer. Esse trabalho visa as crianças que não percebem o universo em que vivem. É um convite ao deleite, a conhecer esse mundo”.

O disco foi gravado em Fortaleza e participam Adelson Viana (piano), Aroldo Araújo (baixo), Tarcísio Sardinha (violão/direção musical), Cristiano Pinho (violão), Edson Pinheiro (trombone), Ferreira Jr (sax), Glauco Ferreira (trompete), Hoto Jr (percussão), Luizinho Duarte (bateria) e Márcio Resende (flauta e sax). E segundo Flávio, “sem programar nada, cada um acabou botando o seu lado criança para fora, que muito favoreceu o resultado final do disco”. Participam também as crianças, Benjamin, Deborah, Enya, Flora, Gabriel, Iana, Ilya, Isadora, Júlia, Juliana, Maria Clara, Nina, Paula, Ramiro, Sarah e Vitor, dirigidas pelo regente Erwin Schrader.

Flávio Paiva é atualmente colunista do jornal Diário do Nordeste. Como compositor, lançou os discos Rolimã (1994) e Terra do Nunca (1997). Editou os livros Retirantes na Apartação (1995) e Como braços de equilibrista (2001). De seus projetos infantis constam ainda os Livro-CDs Flor de Maravilha (2002), Benedito Bacurau – O pássaro que não nasceu de um ovo (2005), que tem participação de Antonio Nóbrega e Festa do Saci (2007).

Olga Ribeiro é cearense e teve bastante atuação em Fortaleza na década de 80 com a banda Pré-histórica das Moças Donzelas e o grupo Quart'Eton. Tem dois discos gravados: América (1992) e Pão e Poesia (1997).

Artistas Olga Ribeiro e Flávio Paiva – CD Bamba-la-lão – Preço sugerido R$ 22,50
Gravadora Lua Music - www.luamusic.com.br | (11) 5051 6979
| imprensa
| Tambores Comunicações (11) 5573 9423 – 3887 7430 | tamborescom@uol.com.br

 
  Imagens    
 

Lançamento do CD Bamba-la lão na calçada da loja Cuca Legal.
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Convite para o lançamento e anúncio feito pela Cuca Legal
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  Letras    
 

01. Banho de sol
Caboclinho sanfonado (Alberto Lima / Flávio Paiva)

Vem solzinho, vem de mansinho
Vem banhar esse menino
Que só quer carinho

Banho de sol
Traz o rouxinol, traz o bem-te-vi
Canta a passarada, canta a juriti

Banho de sol, luz do arrebol
Vem corrupião, o bicho-papão
Não vem não

Vem balãozinho, brilha em meu ninho
Clareando o mar, o mar desse menino
Que só quer amar

02. Rói-Rói
Xote de preciosa danação (Flávio Paiva)

Esse menino
Não ta com fome
Não quer mamar
Não quer chorar, não atende pelo nome

Que coisa estranha
Ai meu deus será que dói
Tava brincando, tá resmungando
Acho que engoliu o rói-rói

Rói, rói, rói
Gira no breu
Rói, rói, rói
Faz som no barro

Rói, rói, rói
Tem um barbante
Rói, rói, rói
Nas mãos desse gigante


03. Curupira e boitatá
Alegro aos seres fantásticos (João Monteiro Vasconcelos / Flávio Paiva)

Com dentes verdes
Cabelos vermelhos
Pés para trás
Andar bem faceiro

Vem curupira enganar
Espanta, faz medo (até confusão)
Os caçadores que querem matar
Bichinhos em aflição

Cobra-de-fogo
Serpente encantada
Raio de luz
Do mangue, da mata

Vem perseguir, boitatá
Assusta, apavora (assombração)
Os lavradores que querem queimar
Plantinhas sem proteção

La-ra-la-lá...la-ra-la-lá...


04. Vamos passear pela cidade
Marcha-rancho de urbanidade (Ângela Linhares / Flávio Paiva)

“Se essa rua, se essa rua fosse minha
eu mandava, eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
para o meu, para o meu amor passar”
(Domínio Público)

A cidade é cheia de graça
A cidade e suas luzes
É rua e praça
Que passam no coração
Tem roda e pião, tem laço
Grafite no calçadão

A cidade é cheia de graça
A cidade e suas sombras
É rua e praça
Que passam no coração
Tem roda e pião, tem laço
Grafite no calçadão

Montanha-russa, roda-gigante
Parque de diversão
Tem balão e não
E um manequim
Com olhar de alfenim

Pinta o sol, pisca o mar
Tem palhaço assim
Bate que bate chamando alegria
Vem desejar boa noite
Vem desejar bom dia

Na rua o carro amassado chorou
Bombeiro vermelho, ai que chega
Rolinha de fogo-pagou

Dança comigo também
A praça que não vi
Quando estou a passear pela cidade

05. Artur
Cantiga de amor (Andréa Pinheiro e Flávio Paiva)

Saltam cores dessas mãos, Artur
Fios dançam sem parar
Peixes, flores e anjinhos
Mexem loucos a lhe embalar

Gira leve o círculo
Apressado passa o quadrado
Vagaroso desce o triângulo
E o retângulo desajeitado

Quando você solta o riso
Meu coração é uma festa só
Oh, Artur, meu amado
A vida, nossa vida
Bate à solta pelo ar
Na brisa mais feliz

06. Obrigado Mundo
Cântico à vida plena (Flávio Paiva)

Se o dia é tão lindo, maravilha
Se a sede pede luta pelo chão
È a vida solta na imensidão
Feita a ferro e imaginação

A flor tem espinho
O mar tem tubarão
A beleza do caminho
É só ninar de coração

É um bebezinho tão querido da mamãe
É um bebezinho lindo, lindo do papai

Obrigado, mundo
Pelos bens da terra
Pelo ar, por respirar
Pelo verde da serra
Pelo fogo, pela água
Por poder nadar

Obrigado, mundo
Pelos passarinhos
Pelos alimentos
Por todos bichinhos
Seres encantados
Nossa fauna, nossa flora

Obrigado, mundo
Por todas as pessoas
Pelas que vieram
Muito antes do que somos
Pelas que virão
Seguir tudo o que seremos

Obrigado, mundo
Pelo universo
Pelo céu, pelas estrelas
Pelo sol e pela lua
Por todos os mistérios
Que sustentam a nossa vida

Obrigado, mundo

 

07. Jogo do passarinho
Folia de reggae (Flávio Paiva)

Um passarinho
Era meu amiguinho
Que pulou do ninho
E voou, voou

Voou para o chão
Não, não foi para o chão
Cuidado, o gavião
Cuidado, o avião

Voou direitinho
Esse passarinho
Tão engraçadinho
Um amor

Agora vamos ver
Quem vai entrar
Na roda
Pula o menininho
Pula a menininha

Será a Marília?
Será pó Bernardo?
O Guga e a Thaís?
Quem será?

Será o Vinícius?
O Lucas e o Artur?
O Saulo e a Tainá?
Quem será?

08. Bolhas de sabão
Funk de ninar para acordar gente grande (João Monteiro Vasconcelos / Flávio Paiva)

Dorme menininho
Hoje não tem pão
Dorme sem carinho
Não tem dengo, não

Dorme menininho
Nessa solidão
Vai sonhar em bolhas de sabão

Dorme muito
Não é fácil acordar
Com alguém a te apontar
Na banca de jornal
Vendado, culpado, sem voz

09. O encontro do capitão rapadura com o sol num dia quente de verão
Cordel com cobertura de baião (Flávio Paiva)

Atenção, muita atenção
Presta atenção meninada
Para a história que vou contar
Não é de circo ou futebol
É do Capitão Rapadura
(o herói que tudo atura)
E seu encontro com o sol

Era um domingo de praia
O céu cheinho de arraia
Quando o sol se revoltou
Disse que tinha um pedido
(um desafio para a terra)
E se não fosse atendido
Parava de clarear

Estava boa a brincadeira
Formiga na açucareira
Criançada em diversão
Entra em cena oRapadura
(super-herói da candura)
E o sol revela o motivo
De tanta agitação

- Eu só queria lhe pedir
Vê se dá para conseguir
Me trazer um picolé
Bem gostoso, bem gelado
Glacial, bem condensado
Tô morrendo de calor

- É muito fácil, seu sol
De que sabor o senhor quer?
Tem cajá, goiaba, sapoti
Limão, pitanga, abacaxi
Caramelo e melão
É só me dar a orientação

E o Capitão Rapadura
Tratou logo de apressar
O desejo do astro-rei
Passou protetor solar
(daqueles bem caprichados)
E para agüentar o rojão
Valeu-se de Ciço Romão

Tête-à-tête com o sol
O Capitão Rapadura
Entregou o picolé
Delícia de manjericão
Era o verão que o sol queria
(que lambeu o isopor)
Em seu alegre esplendor

O Capitão Rapadura, personagem do cartunista Mino, é o mais popular super-herói cearense das histórias em quadrinhos, publicado com oscilações involuntárias desde 1973.

10. Xacundum no tum-tum o papai
Boi com pegada de afoxé (Flávio Paiva)

Vem meu boizinho
Vamos brincar
Vem pro tum-tum
Vamos dançar

Ai, ai, ai, ai
Vamos dançar
Xacundum
Xacundum no tum-tum do papai

Bate as mãozinhas
Balança os pés
Mexe a cabeça
Pra lá e pra cá

Dá uma risada
Estala os dedos
Que gargalhada
Ha! Ha! Ha!

Xacundum
Xacundum no tum-tum do papai

11. Coco Verde
Batuque de roda praieiro (Tarcísio Sardinha / Flávio Paiva)

Coco
Coco verde
Verdes águas
Desse mar

Coco
Coco verde
Ai que sede
De te amar

Eu quero água de coco
Eu quero me apaixonar
A casa não tem reboco
Mas tem conchinhas do mar

Quebra
Quebra coco
Vem comigo
Requebrar

Quebra
Quebra coco
Lua cheia
Do Ceará

 
 
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02. Rói-Rói

06. Obrigado, mundo

 
04. Vamos pessear pela cidade 11. Coco Verde
  Alcance   Topo
 

Tribuna do Norte Online
Natal, 28 de dezembro de 2009

Coluna Ondas Curtas
Por Yuno Silva
http://tribunadonorte.com.br/coluna2018.html

"Canções de faz de conta" - Carlos Navas (Lua Music)

O cantor paulistano Carlos Navas é conhecido por sua versatilidade musical. Intéprete de compositores contemporâneos em seus primeiros trabalhos, Navas mergulhou no universo infantil pela primeira vez em 2004, com o disco "Algumas Canções da Arca", dedicado à obra de Vinícius de Moraes. Agora, ele volta a gravar músicas infantis, mas desta feita interpreta Chico Buarque - com exceção de "O Caderno" (Toquinho/Mutinho). S?can?s da pe??Os Saltimbancos", do filme ?Os Saltimbancos Trapalh?quot; e outras que, embora tenham sido lan?as em outro contexto, encaixam-se perfeitamente na proposta deste CD, como "A Banda", "Boi Voador N?Pode", "Passaredo" e "Jo?e Maria".

"Bamba-la-lão; - Cantigas infantis de Flávio Paiva por Olga Ribeiro (Lua Music)

O primeiro disco infantil do jornalista, escritor, compositor, produtor musical cearense Fl?o Paiva, ?Samba-le-l?uot;, foi lan?o em 1997 e dedicado a seu filho Lucas. Agora, a Lua Music reedita ?Bamba-la-l?quot;, de 1997 e dedicado a outro filho Arthur. As can?s abordam v?os temas, natureza, mitos brasileiros, manifesta?s da cultura popular e at?esmo assuntos mais s?os, digamos, como o problema das crian? abandonadas (?Bolha de Sab?quot;). Abaixo de cada t??lo, h? classifica?s r??icas curiosas como ?caboclinho sanfonado", ?folia de reggae", ?funk de ninar para acordar gente grande", ?cordel com cobertura de bai?quot;. A int?rete das can?s, a tamb?cearense Olga Ribeiro, teve bastante atua? em Fortaleza na d?da de 80, em grupos como Banda Pr?ist??a das Mo? Donzelas e QuartEton.

 

Diário do Nordeste
Música - 11/03/2008

Três cearenses na Lua
Henrique Nunes - Repórter


Três cearenses, o jornalista e escritor Flávio Paiva, a cantora Olga Ribeiro e o poeta Floriano Martins, marcam presença na gravadora Lua Music

Muita gente ainda se esforça para difundir sua música através do suporte do CD, embora muitos outros músicos já prefiram mostrar suas criações no universo, ainda paralelo, da linguagem estritamente digital. Para os primeiros, chegar a gravar um disco é algo tão importante quanto materializá-lo, palpavelmente, enquanto um produto de todo o seu esforço criativo. Claro, enquanto produto no sentido de mercadoria também. Feitos todos os ajustes, entra a etapa da distribuição, a última antes da loteria das lojas de discos e de departamentos onde finalmente o CD estará à venda.

Nesse sentido, as gravadoras, em geral ainda sediadas entre Rio e São Paulo, também acabam atraindo muitos artistas devido à sua bagagem no território da distribuição. Entre elas está a paulista Lua Music, cujo catálogo consta, atualmente, com mais três cearenses, o jornalista e escritor Flávio Paiva, a cantora Olga Ribeiro e o poeta Floriano Martins, por muitos anos radicado em São Paulo e há alguns já de volta à cidade. Lua desbravada, entre os cearenses, por um mais conhecido nas plagas paulistanas: Zé Guilherme, cantor e compositor com dois discos já lançados pela gravadora.

Flávio e Olga estão relançando o encamento raro de “Bamba-La-Lão - cantigas infantis de Flávio Paiva por Olga Ribeiro”, de 2001. É o segundo álbum infantil de Flávio - o primeiro, “Samba-le-lê”, de 99. Floriano apresenta seu primeiro produto no formato: “Brincos do Mar e o Infinito...”, poemas em parceria com o cantor e compositor Mário Montaut, interpretados por ele e pela cantora Ana Lee.

Elegias à vida
Na visão de Flávio Paiva, escritor, compositor, produtor cultural e jornalista - articulista do Diário do Nordeste às quintas-feiras - “não há nada de especial” no contrato. “Também não criei qualquer expectativa referente a mercado. Todo o meu trabalho com discos e livros vale mais para mim como manifestações da minha vida comunitária. Sinto-me retribuindo por meio da música e da literatura, tudo o que de sublime tenho recebido na vida nos ambientes por onde transito; por outro lado, ao fazer isso, faço com a satisfação de quem tem a impressão de que está dando algum tipo de contribuição aos meus filhos, à infância e à nossa cultura”.

Já Floriano Martins conta que as parcerias com Mário Montaut são fruto de “uma intensa afinação” que se deu desde que se conheceram, quando o escritor cearense planejava a montagem de um texto para teatro, e convidouo Mário para compor a trilha. “Começamos pelas canções e de repente nos pusemos a compor tão copiosamente que logo pensamos em um disco”. A eles se juntou a cantora e compositora Ana Lee. “O disco reflete este ambiente de descoberta, de assimilação e afirmação de três vozes que sabem integrar-se a partir de um sentido extremo de entrega”. Que a terrinha receba bem nossos adoráveis lunáticos.

CD "Bamba-La-Lão"
Flávio Paiva e Olga Ribeiro
11 faixas
R$ 21
Lua Music 2001

CD "Brincos do Mar e o Infinito..."
Mário Montaut e Floriano Martins
17 faixas
R$ 15
Lua Music
2007

Por e-mail: íntegra da entrevista de Flávio Paiva a Henrique Nunes

Diário do Nordeste – Nesse contexto de tanta virtualização, qual a importância de um artista em ainda buscar uma boa distribuição por uma gravadora nacional?

Flávio Paiva – As evoluções nem sempre acontecem para acabar com o que existe, para trocar o que existe pelo que vai chegar. Muitas vezes o ato de evoluir é um criador de oportunidades, de possibilidades, de novos horizontes. Vejo o fenômeno da virtualização como uma circunstância excepcional da inventividade humana, a multiplicar nossos sensores, nossos parâmetros de convivência, de senso comunitário, de universalidade, enfim, nossas balizas culturais e existenciais. Nesse sentido, a distribuição nacional desafia a compreensão do que é a regra e o que é a exceção na pós- modernidade. Não acredito que o calor tátil esteja desaparecendo das nossas sensações. Os suportes físicos e virtuais têm os seus aficionados, na grandeza da nossa multiplicidade. Que o digam os DJs quando tocam a superfície dos velhos elepês, como quem pilota a mais futurista das viagens sonoras.

Diário do Nordeste – Qual a perspectiva em fazer novos trabalhos infantis, com esta qualidade, sem essa distribuição?

Flávio Paiva – Ter sido procurado pela Lua Music foi uma novidade boa. A Lua é uma gravadora criteriosa, que tem lançado trabalhos de diferentes gêneros, estilos e ritmos da Música Plural Brasileira, que vão de Maurício Pereira a Rebeca Matta, passando pelo nosso conterrâneo Zé Guilherme, lá do Cariri, pela música infantil de Madan cantando José Paulo Paes e por clássicos da MPB, como Dolores Duran e Alaíde Costa. É, portanto, uma grande satisfação fazer parte desse catálogo, oportunidade que agradeço ao músico e produtor cultural baiano Moisés Santana. Quanto ao vínculo do que produzo, com a questão da distribuição, tenho feito na verdade a combinação de literatura e música em livros/cds lançados e distribuídos nacionalmente pela Cortez Editora, de São Paulo, a exemplo do “Flor de Maravilha”, “Benedito Bacurau” e “A Festa do Saci”. Estou muito satisfeito com esse caminho e com o alcance desses trabalhos. A distribuição do Bamba-la-lão pela Lua é muito bem-vinda, pois leva aos canais de venda não ocupados pelo livro, essa traquinagem musical, que fiz com a minha amiga Olga Ribeiro, com uma turma de músicos de primeira linha, dirigidos pelo querido Tarcísio Sardinha, e que conta com ilustrações em bordados da mais que amada Nice Firmeza.

Diário do Nordeste – Quais foram as bases do contrato com a gravadora? Qual a sua expectativa?

Flávio Paiva – Não há nada de especial no nosso contrato. Também não criei qualquer expectativa referente a mercado. Com a Lua Music, assim como a Cortez Editora, a minha relação é profissional, embora todo o meu trabalho com discos e livros valham mais para mim como manifestações da minha vida comunitária. Por um lado, sinto-me retribuindo por meio da música e da literatura, tudo o que de sublime tenho recebido na vida nos ambiente por onde transito; por outro lado, ao fazer isso, faço com a satisfação de quem tem a impressão de que está dando algum tipo de contribuição aos meus filhos, à infância e à nossa cultura.

Diário do Nordeste – Teus próximos projetos (inclusive literários) continuarão tendo esse tipo de distribuição?

Flávio Paiva – No caso dos meus livros infantis editados pela Cortez Editora, tenho tido a grata surpresa da adoção de todos os títulos em escolas públicas e privadas. Isso sem contar com as encomendas de compras, como foi o caso recente da Prefeitura de São Paulo, que adquiriu uma edição especial do “Flor de Maravilha” para a rede pública de ensino municipal da capital paulista. Da distribuição do CD “Bamba-ba-lão” pela Lua Music ainda não tenho notícias de como anda a venda em lojas e pela Internet. A venda de livros e de CDs pela rede virtual tem aumentado bastante e percebo nesse sistema com o grande aliado que ele é na circulação de produtos culturais.

@Mubi - Música Brasileira Independente

Bamba-la-lão Canções de Flávio Paiva - Olga Ribeiro
Marcha-rancho, xote, cordel e baião são alguns dos ritmos do CD Bamba-la-lão que apresenta composições do ceraense Flavio Paiva interpretados por Olga Ribeiro para o universo infantil.
CD apresenta tradição musical brasileira para crianças.

http://www.mubi.com.br/octopus/?sid=8&m=B&estilos-cm1-2&mpb-cm2-2&mi=DTL&bamba-la-lao+cancoes+de+flavio+paiva+-+olga+ribeiro-cg-2465

Diário do Nordeste - 25/02/2008
Caderno 3 - Cearenses

Lunáticos conscientes (Por Henrique Nunes – repórter)
Os cearenses Flávio Paiva, Olga Ribeiro e Floriano Martins chegaram à gravadora Lua Music

Em “Bamba-La-Lão”, cujo título vem da antiga canção de roda também conhecida como “Senhor Capitão”, não incluída, Flávio Paiva e Olga Ribeiro revelam uma delicadeza expressa desde o projeto gráfico do encarte, elaborado em torno de desenhos e bordados da artista plástica Nice Firmeza.

Delicadeza estendida a um repertório de várias padronagens rítmicas, da marcha-rancho “Vamos passear pela cidade”, parceria de Flávio com a jornalista Ângela Linhares, ao xote “Rói-Rói”, em torno de um dos mais deliciosos brinquedos da tradição lúdica nordestina. O canto de Olga Ribeiro é outra singeleza à parte, entre os arranjos do violonista Tarcísio Sardinha, conduzidos por feras como Adelson Viana (acordeom e piano), Aroldo Araújo (baixo), Cristiano Pinho (violão de aço), Luizinho Duarte (bateria), Edson Pinheiro (trombone) e Ferreira Jr (sax alto).

Com participação de Edmar Gonçalves (nas vozes em diálogo do inusitado “Encontro do Capitão Rapadrua com o Sol num Dia Quente de Verão”, segundo Flávio, “um cordel com cobertura de baião”) e de crianças conduzidas pelo regente Erwin Schrader, o álbum promove um cativante passeio, estimulado por comentários como os da politicamente correta “Bolha de Sabão” (João Monteiro Vasconcelos e Flávio Paiva): “funk de ninar para acordar gente grande”. E por aí vamos entre “batuques de roda praieira”, “boi com pegada de afoxé”, “alegro aos seres fantásticos”... Um bordado original, agradável e consciente, sob medida para as crianças de sempre.

(...)

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=519210

Tribuna do Norte Online
Colunas - 28/12/2007

"Bamba-la-lão" - Cantigas infantis de Flávio Paiva por Olga Ribeiro (Lua Music)

O primeiro disco infantil do jornalista, escritor, compositor, produtor musical cearense Flávio Paiva, “Samba-le-lê", foi lançado em 1997 e dedicado a seu filho Lucas. Agora, a Lua Music reedita “Bamba-la-lão", de 1997 e dedicado a outro filho Arthur. As canções abordam vários temas, natureza, mitos brasileiros, manifestações da cultura popular e até mesmo assuntos mais sérios, digamos, como o problema das crianças abandonadas (“Bolha de Sabão"). Abaixo de cada título, há classificações rítmicas curiosas como “caboclinho sanfonado", “folia de reggae", “funk de ninar para acordar gente grande", “cordel com cobertura de baião". A intérprete das canções, a também cearense Olga Ribeiro, teve bastante atuação em Fortaleza na década de 80, em grupos como Banda Pré-Histórica das Moças Donzelas e QuartEton.

http://tribunadonorte.com.br/coluna2018.html

Correio da Bahia - Etc...
Salvador, 24/12/2007

Diversão & Fantasia

A gravadora Lua Music está colcando no mercado duas opções musicais para a garotada: Canções de faz de conta, de Carlos Novaes, e Bamba-la-lão, de Flávio Paiva e Olga Ribeiro, ambos por R$22,50. Com 11 anos de carreira e sete discos no currículo, sendo dois infa ntis, Carlos Novais investe na releitura de canções de Chico Buarque, de trabalhos como Os saltimbancos (Rebichada, História de uma gata) e O grande circo místico (Ciranda da bailarina) e também de clássicos como A banda. Também em seu segundo infantil, o jornalista e cantor cearense Flávio Paiva se junta a vários parceiros para compor uma seleção de cantigas que passeiam por ritmos como xote, marchinha, reggae, funk e até um cordel para a garotada.


A Tarde Online - Salvador
Coluna Cds/DVD - 22/12/2007

MÚSICA E DIVERSÃO ENTRE LIVROS E CDS
Por Laura Dantas

BAMBA-LA-LÃO
Boas opções no âmbito dos livros e CDs podem estimular o ouvido musical e o gosto dos pequenos pelas tradições culturais do País. Entre os lançamentos literários (...).

Na área fonográfica, o CD Bamba-Lá-Lão , reeditado pela Lua Music, exalta a diversidade rítmica nacional em cantigas de Flávio Paiva que passam pelo xote, a marcha, o funk e outros gêneros, na voz da cearense Olga Ribeiro. Com delicado trabalho gráfico, o encarte informa de maneira didática o estilo de cada canção.

Entrevista ao portal Visto Livre sobre o álbum Bamba-la-lão
Postado por Leisa Ribeiro - 11/12/2007

Visto Livre: Quando você decidiu escrever cantigas infantis, e por quê?

Flávio Paiva: Todos os meus trabalhos, independentemente de serem para adultos ou crianças, têm um quê de credulidade na vida, nas pessoas, na imensidão... A primeira música que fiz deliberadamente para uma situação de infância foi "Cantiga de Bárbara, a Borboleta", uma parceria com o meu amigo e também jornalista João Monteiro Vasconcelos. Esta música foi feita para ser dada de presente a Patrícia, uma amiga nossa de faculdade que, em 1991, teve filhos gêmeos. Lembro que telefonei para a Bia Bedran em Niterói e pedi a ela para gravar o nosso presente. Ela generosamente gravou e ficou lindo, como são lindas as músicas que ela compõe e canta.

Visto Livre: E o seu processo de composição, como é?

Flávio Paiva: Faço música como os artistas populares fazem temas em argila. Cada composição minha tem uma história para contar. Muitas delas ficam tempos e tempos em processo de memorização, sem qualquer registro formal. Sempre tive preguiça de aprender a tocar um instrumento, embora tenha estudado um pouco para ter noção. Houve um tempo, quando participei de um coral formado pelo neocastrati Paulo Abel do Nascimento, em que eu conseguia solfejar com uma certa desenvoltura. Mas foi a professora Niède D'Aquino que me confortou ao me dar de presente o seu livro "Você é a Música", a partir do qual comecei a perceber claramente que para ser compositor não precisava necessariamente de nada disso. Depois vi o Hermeto Paschoal dizer que não se estuda música, pois a música está no ser humano, o que se estuda é teoria musical. Tomei coragem e resolvi seguir a liberdade da Dona Ivone Lara, do João do Vale e toda essa gente maravilhosa que criou tantas obras geniais sem tocar qualquer instrumento convencional. Assim, faço música simultaneamente com a letra, passo letra para parceiro musicar, ponho letra em música de outros, faço ao mesmo tempo letra e música em parceria... Não há fórmula nem obrigação.

Visto Livre: Como foi a concepção de Bamba-la-lão ?

Flávio Paiva: O Bamba-la-lão é meu segundo CD infantil. Em 1999, quando nasceu o meu primeiro filho Lucas, fiz o CD Samba-le-lê de presente para ele. Levei uma cópia da matriz para a maternidade e ele nasceu ouvindo as músicas que tinham sido compostas exclusivamente como expressão de acolhimento à chegada dele ao mundo, dentre as quais, há faixa cujo título é “Lucas”. Daí, em 2001, foi à vez do Artur nascer. Produzi também um CD para ele e, como não poderia ser diferente, com uma música de boas-vindas intitulada “Artur”. Surgiu o Bamba-la-lão , para o qual contei com a participação do Lucas, que ainda nem tinha dois anos no período de gravação, mas cantou um trecho incidental da música "Se essa rua fosse minha" em homenagem ao irmão.

Visto Livre: No CD tem a participação de várias crianças, como elas reagem às canções do álbum?

Flávio Paiva: Todas as crianças que participam do coro infantil são filhas e filhos de amigos nossos. Elas tinham participado também das gravações do Samba-le-lê e amado a experiência. Convidei o maestro Erwin Schrader para fazer uma preparação das crianças e conduzí-las nas gravações dos dois CDs. Ele é muito bom e conseguiu fazer um trabalho solto, alegre, integrado e de feliz resultado. E veja que essas crianças estudavam em escolas diferentes e moravam em bairros diferentes de Fortaleza. Muitas delas sequer se conheciam. Ficou um coro infantil com ar de brincadeira de rua, de encontro da meninada para brincar de cantar.

Visto Livre: No release do CD diz que você não apela pelo politicamente correto, o que quer dizer com isso?

Flávio Paiva: Acho a aplicação do politicamente correto na arte uma limitante da criação e um desserviço à educação. Quando alguém canta "Não atire o pau no gato" está tirando a possibilidade pedagógica da criança reagir, da criança se pronunciar em defesa dos animais. A alteração feita em "Escravos de Jó" para "Amigos de Jó" rompe com a oportunidade de um diálogo sobre a escravidão. Evidente que o autor de obras destinadas à infância deve ter responsabilidade para não abusar do processo de discernimento infantil diante dos aspectos da realidade que podem induzir as meninas e os meninos a deformações sociais e culturais, do tipo erotização precoce e escatologias.

Visto Livre: Foi você que escolheu a Olga Ribeiro para por voz em suas cantigas?

Flávio Paiva: Foi, sim, com muito orgulho. A Olga é uma grande cantora, além de uma amiga do coração. Em 1992 produzi um LP, que também saiu em fita k-7, intitulado América , todo cantado por ela, com a participação do compositor cubano Juan Carlos Péres, dentro das manifestações críticas aos 500 anos do nosso continente. Quando fiz o meu primeiro CD, Rolimã , em 1994, pelo selo Camerati do Cláudio Lucci, ela foi convidada a interpretar uma das faixas. Em 1997, produzi, com ajuda da Mona Gadêlha, o CD Pão e Poesia , todo interpretado pela Olga Ribeiro. Quer dizer, convidá-la para gravar os dois CDs de saudação ao nascimento dos meus filhos foi uma decorrência natural da nossa relação artística e de amizade.

Visto Livre: Bamba-la-lão teve o resultado esperado?

Flávio Paiva: - Sim. Tanto o Samba-le-lê quanto o Bamba-la-lão são discos orgânicos, que floresceram naturalmente no campo fértil do que costumo chamar de paternidade criadora.

Visto Livre: Então você testa suas canções com seus filhos?

Flávio Paiva: O Lucas e o Artur são meus companheiros nessa brincadeira toda. Sem eles, nada disso existiria.

Visto Livre: Falta cantigas infantis no mercado fonográfico ou falta quem invista nelas?

Flávio Paiva: Desde a coleção Disquinho coordenada pelo saudoso Braguinha, passando pelas canções feitas para crianças por Vinícius, Toquinho, Chico Buarque, Bia Bedran e, mais recentemente, pelo grupo Palavra Cantada, de Luiz Tatit e Sandra Perez, a MPB infantil tem demonstrado muita qualidade inventiva. As canções para meninas e meninos fazem parte da força criativa da música plural brasileira, mas, da mesma forma que a boa música para adultos, via de regra, permanece escanteada pela força de um mercado neoliberal perverso e pela omissão das políticas públicas de cultura.

Visto Livre: Você vê diferença entre o gosto musical das crianças da atualidade para as de algumas décadas atrás?

Flávio Paiva: Não vejo essas diferenças como questão de gosto, mas de oportunidade, já que as fontes de informação multiplicam-se a cada dia. Independente de época, em situação normal, toda criança prefere testar suas hipóteses no mundo da imaginação.

http://www.vistolivre.com/noticias.php?id_noticia=681

O Estado de São Paulo - Estadinho
São Paulo, 20/11/2007

CD - Bambalalão e cantigas infantis

O CD Bamba-la-lão tem cantigas infantis do cearense Flávio Paiva na voz de Olga Ribeiro. As 11 músicas têm ritmos diferentes. Tem xote, marchinha, folia de reggae e até um funk-de-ninar. O título do álbum homenageia a música Senhor Capitão. Preço sugerido: R$ 22,50.

Lua Music

Bamba-la-lão -
Cantigas infantis de Flávio Paiva por Olga Ribeiro

Álbum, com título que homenageia o ‘clássico' infantil ‘Senhor capitão', traz diversidade rítmica em xote, marchinha, folia de reggae e até um ‘funk-de-ninar'

A delicadeza do trabalho deste CD já começa na capa e encarte, com fotografias feitas a partir de desenhos e bordados da artista Nice Firmeza. Com suavidade, poesia e respeito, sem apelar para o politicamente correto, Flávio Paiva e seus parceiros Andréa Pinheiro, Alberto Lima, João Monteiro Vasconcelos, Ângela Linhares e Tarcisio Sadinha criam, em Bamba-la-lão, o universo da criança. É o segundo álbum infantil de Paiva, compositor, jornalista, escritor e produtor musical cearense.

Lançado em 2001, o disco, que ganha reedição da Lua Music (www.luamusic.com.br), é dedicado a Artur, filho de Flávio com a jornalista e parceira Andréa Pinheiro. Samba-le-lê (1997), o primeiro disco dele, foi dedicado a outro filho, Lucas. Isso é um detalhe diante da magnitude do conteúdo que, com simplicidade, mas com profundeza, provoca emoções e instiga pensamentos sonhadores em temas como a relação com a natureza, mitos brasileiros e manifestações da cultura popular, e com outros, mais áridos, como em Bolhas de Sabão, por exemplo, em que fala sobre crianças abandonadas.
Flávio explica: “Há uma necessidade de transmitir valores culturais difíceis de serem valorizados hoje em dia, quando as crianças não usufruem sequer de espaços de lazer. Esse trabalho visa as crianças que não percebem o universo em que vivem. É um convite ao deleite, a conhecer esse mundo”.
O disco foi gravado em Fortaleza e participam Adelson Viana (piano), Aroldo Araújo (baixo), Tarcísio Sardinha (violão/direção musical), Cristiano Pinho (violão), Edson Pinheiro (trombone), Ferreira Jr (sax), Glauco Ferreira (trompete), Hoto Jr (percussão), Luizinho Duarte (bateria) e Márcio Resende (flauta e sax). E segundo Flávio, “sem programar nada, cada um acabou botando o seu lado criança para fora, que muito favoreceu o resultado final do disco”. Participam também as crianças, Benjamin, Deborah, Enya, Flora, Gabriel, Iana, Ilya, Isadora, Júlia, Juliana, Maria Clara, Nina, Paula, Ramiro, Sarah e Vitor, dirigidas pelo regente Erwin Schrader.
Flávio Paiva é atualmente colunista do jornal Diário do Nordeste. Como compositor, lançou os discos Rolimã (1994) e Terra do Nunca (1997). Editou os livros Retirantes na Apartação (1995) e Como braços de equilibrista (2001). De seus projetos infantis constam ainda os Livro-CDs Flor de Maravilha (2002), Benedito Bacurau – O pássaro que não nasceu de um ovo (2005), que tem participação de Antonio Nóbrega e Festa do Saci (2007).
Olga Ribeiro é cearense e teve bastante atuação em Fortaleza na década de 80 com a banda Pré-histórica das Moças Donzelas e o grupo Quart'Eton. Tem dois discos gravados: América (1992) e Pão e Poesia (1997).

http://www.luamusic.com.br/flaviopaiva.htm

Jornal Agora - Discos
São Paulo, 09/10/2007

"Bamba-la-lão" - Olga Ribeiro

Para divertir a criançada, o disco traz cantigas infantis de Flávio Paiva na voz de Olga. Entre as canções, "Bolhas de Sabão" e "Obrigado, Mundo". Da Lua Music.

Jornal O Povo - Vida & Arte
Fortaleza, domingo, 5 de agosto de 2001

Quem vai entrar na roda
Fabiano dos Santos - Articulista do Vida & Arte

Bamba-La-Lão: cantigas de Flávio Paiva por Olga Ribeiro, disco lançado há pouco, faz um passeio de jipe ou de jegue, de veleiro ou de jangada, de pipa ou de avião pelo Nordeste e por outros brasis

Primeiro me vieram as cores. Os desenhos e os bordados de Nice Firmeza - uma bela senhora que pinta com a alma da infância. É como se as cores bordadas por Nice tramassem o canto. Mas sei que foi o contrário. Imagino Nice sentada em sua varanda, perto do pé de pitanga, com os olhos no Baobá e a cabeça longe do Mondubin. Sua cabeça bailando na melodia e nas palavras cantadas por Flávio Paiva. A cada som, uma linha. A cada palavra, uma cor tecendo seu fio no fundo azul do tecido. Um azul cor de mundo. A partir disso, fico pensando que as cantigas de Flávio ilustram os bordados de Nice, assim como os bordados de Nice ilustram as cantigas de Flávio.

Mas depois vieram o som e as palavras que são mais do que cantigas em meus ouvidos. A voz de Olga Ribeiro e o coral de crianças vão flutuando na cabeça da gente em direção ao corpo e, de repente, estamos dançando. Pois Bamba-La-Lão: cantigas de Flávio Paiva por Olga Ribeiro é um disco cheio de ritmos e movimentos no espaço-temporal. No tempo, porque as cantigas são de agora e nos remete aos que vieram antes. No espaço, porque faz um passeio de jipe ou de jegue, de veleiro ou de jangada, de pipa ou de avião pelo Nordeste e por outros brasis. O que nos faz pensar que as cantigas são de várias épocas ao mesmo tempo. Algo como a nossa infância se encontrando com as infâncias de nossos avós, nossos pais, nossos filhos e com os que ainda vão nascer. Tudo ao mesmo tempo agora. Um encontro entre gerações feito para brincarmos e dançarmos juntos.

É só ligar o som e entrar na roda. Quem sabe, ao som de um caboclinho sanfonado para ouvir quando se acordar no domingo. De um xote para arrastar os pés e girar o brinquedo enquanto as alpercatas emendam num baião-cordel que narra o encontro do Capitão Rapadura - personagem do cartunista Mino - com um sol doidinho pra chupar um picolé. Uma folia de reggae ou de boi para dançar com passarinhos ou no tum-tum do pai. Mas se você pensa que é só, ainda tem uma marcha-rancho que nos faz passear pela cidade, um funk feito para acordar, um alegro aos seres fantásticos e um batuque de roda praieiro com gosto de coco verde. Da cor de nossos mares.

Só um cuidado. As cantigas são tão bacanas que algumas ficam como um rói-rói rodando no juízo da gente sem querer sair. Nesse caso, para repousar, ouça o acalanto de fazer dormir e sonhar - como a cantiga de amor para o filho Artur. Nem que seja para sonhar com um rói-rói nas mãos de um menino gigante ou com um Xacundum no Tum-tum do papai.

No mais, obrigado por todos os bichinhos e pelos seres encantados que fazem flutuar filhos e pais nesse passeio musical. Como se fôssemos a arraia dançando ao sabor do vento que Nice bordou nas mãos do menino e do mundo. Solto feito o sorriso de Artur. Que nem conheço, mas o imagino.

Diário do Nordeste, Caderno 3
Fortaleza, 28/07/2001

CHAMADA
Bamba-la-lão é o mais novo trabalho musical que o jornalista e produtor Flávio Paiva lança hoje, às 16 horas, na Casa de Brinquedos da Cuca Legal, na Rua Oswaldo Cruz, 1306. O disco tem a participação da cantora Olga Ribeiro. (foto)

 

Além do Bamba-la-lão

Encantamentos, brincadeiras, imaginação. Um mundo a ser redescoberto e recriado. Missão dos primeiros mestres das boas escolas, a formação cultural infantil, dos dias de hoje, passa também por muitos outros fatores, além das novas metodologias pedagógicas. Passa pela liberdade da interação coletiva, longe dos cerceamentos dos quarteirões e dos condomínios e vai bem mais além das interiorizações da televisão, dos videogames e dos computadores.

Nada contra, mas ficar preso demais a tecnologia, quando o corpo exige movimentos e a cabeça está ávida por informações, é fogo. Sobretudo, em tempos de televisão com programações tão toscas, tão diferentes daquelas de uma geração atrás. Não estou falando, portanto, de quem entendeu o espírito do Balão Mágico, do Sítio, da Arca de Noé e até do Garibaldo e tal...

Pois bem, ao mesmo tempo, essa nova realidade de contextualização do universo infantil envolve, obrigatoriamente, a literatura e os CDs infantis, criações que se propagam, revelando novas nuances do despertar imaginário lúdico, indispensável para todos, em todos os tempos. Na literatura recente produzida pelos cearenses, já temos os nossos referenciais, caso do escritor Almir Mota.

Na música infantil, projetos como o “Um Canto em Cada Canto”, tocado pela arte-educadora Gigi Castro, uniram-se, há dois anos, com a sensibilidade e as idéias do jornalista, compositor e produtor musical Flávio Paiva. Coincidindo com o nascimento de Lucas, primeiro filho da união com a também jornalista Andréa Pinheiro, ele lançou, em 97, “Samba-le-lê”, marcando o início de uma parceria com músicos cearenses, como a cantora Olga Ribeiro. As cantigas infantis em homenagem à primeira “cria” renderam.

Muita gente ouviu e se encantou com as poesias simples, mas de sensibilidade tão sofisticada como as canções, em diversos ritmos. Na recente eleição do Prêmio Nelsons (promovido na Internet pelo jornalista Nelson Augusto) Flávio foi até considerado o melhor compositor de música infantil. Com seu canto envolvente e bem cearense, Olga também foi eleita a melhor intérprete do gênero.

Agora, a parceria está de volta. Em homenagem a Artur, o caçula da família (até agora), Flávio, Andréa e Olga lançam “Bamba-la-lão”, numa festa que vai reunir muita brincadeira, hoje, na Casa de Brinquedos da Cuca Legal.

“Vai ser uma apresentação informal, onde a Olga e o grupo VivAção vão brincar e cantar algumas músicas, na calçada, de modo bem descontraído”, descreve o idealizador desta tarde lúdica na Aldeota.Mais uma vez, felizmente, a infância de muitos cearenses vai ser incentivada um pouco mais, mostrando que, com muita animação, imaginação e uma boa dose de respeito à natureza e às tradições, dá para se vislumbrar uma realidade melhor para Lucas, Artur, Gabriella, Rebecca, Beatriz, Olga, Igor, Davi, João, Andressa, Clara e tooodo mundo.

Uma das faixas de Bamba-la-lão chama-se “Obrigado, Mundo”. Nesse “cântico à vida plena”, Flávio Paiva fala de uma “vida solta na imensidão, feita a ferro e imaginação”, evocando, além dessa busca pela realidade e pela criatividade, o sentido ecológico, que tão tardiamente estamos aprendendo a semear.

No fundo no fundo, há uma necessidade de transmitir valores culturais difíceis de serem valorizados hoje em dia, quando as crianças não usufruem sequer de espaços de lazer. Esse trabalho visa às crianças que não percebem o mundo em que vivem. É um convite ao deleite, a conhecer esse mundo”, diz o jornalista.

Assim, a realidade é exposta de uma maneira lúdica por Flávio Paiva. Mesmo quando ele fala na realidade das crianças abandonadas, em “Bolhas de Sabão”. “Não é nada panfletário”, afirma.

O importante é ir mantendo o respeito à cidadania e à imaginação infantil, à exemplo dos trabalhos desenvolvidos, com outra linguagem, pela atriz Bia Bedran, por exemplo. “Não é uma influência, mas, apesar de usar uma linguagem mais íntima aos cariocas, ela tem muito dessa atitude de respeito à consciência infantil”, pondera.

Mais uma vez, Flávio e Olga são acompanhados por um time de primeira, que fazia aquela fuzarca no estúdio do pianista Adelson Viana. Assim, o baixista Aroldo Araújo integrou-se ao time do Samba-le-lê: Tarcísio Sardinha (violão e direção musical), Cristiano Pinho (violão), Edson Pinheiro (trombone), Ferreira Jr (sax), Glauco Ferreira (trompete), Hoto Jr (percussão), Luizinho Duarte (bateria) e Márcio Resende (flauta e sax). “Todos viraram meninos, brincando, fazendo uma regressão onde eles colocam as próprias referências das suas infâncias. Essas energias é que deram o resultado final”, considera o compositor.

Houve também a participação indispensável de Benjamin, Débora, Enya, Flora, Gabriel, Iana, Ilya, Isadora, Júlia, Juliana, Maria Clara, Nina, Paula, Ramiro, Sarah e Vitor. “Eles são de classes diferentes, mas todos filhos de amigos, que cantaram cada um do seu jeito, sem imitar a Olga, graças a um trabalho dirigido pelo regente Erwin Schrader”, conta o pai do Bamba-la-lão.

Aliás, sobre o título do disco, que homenageia um clássico do repertório infantil popular, o “senhor capitão” Flávio Paiva diz que a idéia era resgatar mesmo essa cantiga de roda, à exemplo do que fizera com “Samba-le-lê”. Gravada numa versão mais informal de João Ricardo, no primeiro disco do Secos & Molhados, a velha “Bão-ba-la-lão” virou “Bamba-la-lão”.

Segundo Paiva, ela representou uma espécie de “guarda-chuva” da sua produção. “Apesar de o repertório ser de músicas novas, a infância é tão antiga como o homem. Sei que pode parecer pretensioso, mas a sensação que tenho é que, desse modo, eu contribuo para a preservação e a revitalização do cancioneiro brasileiro”.

Principalmente quando suas letras recebem um tratamento impecável dos músicos, na companhia das ilustrações de Nice Firmeza, que transpôs, com a delicadeza dos sábios, as letras discretas de Paiva, em forma de “pintura com linha sobre tecido”. “Dei 11 pedaços de cambraia de linho para ela e toda a liberdade que ela merece”. Ficou lindo, dizemos.

A intimidade com a psicologia infantil foi útil para o próprio Papai Paiva. Como no Samba-le-lê, a mesma quinta faixa de Bamba-la-lão foi reservada para uma cantiga de amor, agora para Artur. “Sei que eles podiam querer ajustar contas, então não quis confusão”. Que nada. Flávio e Andréa sabem que o melhor presente de seus filhotes navega encantado neles próprios.

O Povo, Clubinho
Fortaleza, 28/07/2001

CHAMADA
Roupas de boneca e música para crianças
Quem disse que moda é assunto só para gente grande? O Clubinho fala hoje sobre roupas para bonecas e ainda ensina a fazer uma bruxinha de pano. Saiba também sobre o lançamento do disco Bamba-La-Lão, com músicas para crianças.

Música para menino brincar
Era uma vez, um menino chamado Artur. O primeiro presente que ele ganhou do pai dele foi um CD cheio de músicas feitas só para criança. Parecidas com aquelas que a sua mãe canta para você, pode ser aquela musiquinha que a professora da escola lhe ensinou. Serve essa?

Pois é, o pai do Artur (o menino que eu te falei) é o Flávio Paiva. Entre outras coisas, ele faz música tanto para seu filho Artur, como para o seu outro filho, o Lucas, e para um monte de crianças que gostam de cantar. Assim como o Benjamin, a Déborah, a Enya, a Flora, o Gabriel, a Iana, a Ilya, a Isadora, a Júlia, a Juliana, a Maria Clara, a Nina, a Paula, o Ramiro, a Sarah e o Vítor. Todos eles estão cantando, junto com Olga Ribeiro, neste CD que eu estava falando que o Artur ganhou e que se chama “Bamba-la-lão”.

Tem uma música bem engraçada, que fala de um garoto que resmunga tanto que parece que engoliu um rói-rói. Você sabe o que é um rói-rói? É um brinquedinho que você roda com um barbante e fica fazendo um barulhinho bem esquisitinho, assim ó, “rói-rói-rói-rói”. Daí o nome. Tem uma outra música que começa com aquela cantiga “se essa rua, se essa rua fosse minha. Eu mandava, eu mandava ladrilhar...”. Você conhece essa, não é mesmo?

Tem até a história do Capitão Rapadura. Um personagem do cartunista Mino, que é o mais popular super-herói cearense das histórias em quadrinhos. Se você não conhece o Capitão Rapadura irá ficar sabendo um pouco da sua vida na música em que ele se encontra com o sol, num dia quente de verão. Ficou curioso? Pois tem muito mais músicas neste CD, que você vai adorar colocar toda hora no seu aparelho de som. Ah! E tem mais. O lançamento do “Bamba-la-lão” vai ser hoje, lá na loja Casa de Brinquedos da Cuca Legal. Vai ter brincadeira, som de rói-rói (aquele brinquedo, lembra?) e autógrafos do Flávio, que fez as músicas, e da Olga, que cantou todas elas.

Coloque na sua agenda: a Cuca Legal fica na rua Osvaldo Cruz, número 1306. O telefone de lá é 224-7992. E o CD “Bamba-la-lão” vai custar R$ 15,00. Pede para sua mãe lhe levar. Quem sabe você não encontra o Artur por lá. (Ana Naddaf).

 
 
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