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"Se Flávio Paiva morasse em SP, Rio ou Brasília seria um nome nacional com incursões internacionais. Excelente texto, e mais excelente ainda como uma pessoa de fina imaginação criadora." (Pedro Albuquerque) "Conheço Flávio há muitos anos, tenho o maior respeito e admiração por sua militância cultural, sua luta para incluir o adulto no mundo das crianças e vice-versa, trabalhando com temas como brinquedos e brincadeiras, ecologia e respeito à natureza, entre outros, sem fazer concessões." (Chico César) "Flávio Paiva é um homem de sete instrumentos. Ele é jornalista, escritor, ensaísta, poeta, compositor, sabe trabalhar bem todas as linguagens, sempre comprometido com a brasilidade. Tanto que tem como inspiração o escritor Monteiro Lobato. Nas questões culturais, suas idéias são cosmopolitas, com o olhar voltado para as culturas local, nacional e internacional." (Vladimir Sacchetta) "Flávio encanta pela sensibilidade com que trata todos os temas que se propõe a estudar e analisar. Com esse livro, não é diferente. Não sabia que ´Flor de Maravilha´ e ´A Festa do Saci´ tinham um espetáculo com banda e palhaços . Fiquei encantada, foi uma verdadeira celebração da palavra, um tributo à literatura oral. A recuperação do mito do Saci encanta crianças e adultos. Trabalhos como esses devolvem a esperança às pessoas" (Lenice Gomes) |
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| Flávio Paiva por aí... (Citações - Cliques na Caminhada) | Opinião/Entrevistas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Flávio Paiva por aí... - Citações | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Diário de Inhamuns - Diário do Nordeste (jornal do Ceará) - 12/08/2011 A ONG História Viva, de Independência divulgou o resultado do 3° Prêmio Literário Flávio Paiva, realizado nos meses de março e abril nas Escolas do Município, entre os alunos de 12 a 17 anos. O primeiro colocado foi a estudante Cecília Pimente de Felismino Silva, do Colégio Santana. Maiana Menezes Lima e Caroline Carvalho Barbosa ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Independenciano (jornal de Independência) - 17/05/2011 Como parte da programação do centenário do colégio Santa Cecília, haverá uma palestra do conterrâneo Flávio Paiva, jornalista, escritor e compositor. Abaixo maiores informações: Tema: O PLANETA PRECISA DE GENTILEZAS Eliomar de Lima (jornalista)- 17/05/2011 A educadora carioca Tania Zagury, autora do livro “Limites sem trauma”, estará em Fortaleza na próxima sexta-feira. Ela será a conferecnista de seminário voltado para os pais de alunos do Colégio Santa Cecília (Bairro Aldeota) e que integra a programação festiva do centenário do estabelecimento. Tania Zagury falará no auditório Vila Galé, a partir da 19h30min, dando direito a autografar seus vários livros na área de educação. Ela abordará o tema “Princípios e saberes – uma discussão necessária”. No sábado, na sede do Colégio Santa Cecília, o seminário terá continuidade com vários minicursos. O arquiteto Fausto Nilo, por exemplo, dará palestra às 8h30min sobre o tema “E o que mais a cidade nos ensina?”, seguido do jornalista e escritor Flávio Paiva, que abordará o tema “O Planeta precisa de gentileza”. SERVIÇO Maria Helena (projeto Criança e Consumo)- 21/02/2011 "A história de Maria Elena vai longe e quem quiser mais detalhes basta acessar o artigo do amigo e jornalista Flávio Paiva em sua coluna no jornal Diário do Nordeste. Foi por meio dele que conhecemos um pouco da história dessa ilustre e desconhecida parceira do Projeto. Faz lembrar um pouquinho aquele filme “Nunca te vi, sempre te amei”, com a Anne Bancroft e o Anthony Hopkins, que história!" Dellano Rios (jornalista) - 26/09/2010 "Flávio Paiva ficou encantado com a magia do espaço e com as ações e projetos que a Brinquedoteca desenvolve ..." (mais) Governo Municipal de Cruz - 23/09/2010 "Flávio Paiva ficou encantado com a magia do espaço e com as ações e projetos que a Brinquedoteca desenvolve ..." (mais) Janayde Gonçalves (jornalista) - 12/04/2010 Elizângela Santos (jornalista) - 07/03/2010 Cortez Editora (via Twitter) - 04/03/2010 ONG História Viva - 26/01/2010 Sandra Mara -
BELÉM-PA (leitora do jornal Diário do Nordeste) - 27/03/2009 Isabelle Câmara (Jornalista) - 07/02/2009 Leonardo Brant (Consultor e pesquisador de políticas culturais e escritor) - 09/12/2008 Boletim Viva Leitura - 14/12/2008 Diário do Nordeste - Caderno 3 - 09/11/2008 Nonato Albuquerque (Jornalista, Radialista e Apresentador de TV) - 23/09/2008 Pedro Albuquerque (Sociológo)- 23/09/2008 Eliomar de Lima (Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis) - 23/09/2008 Jornal O Povo - Coluna Vertical - 01/09/2008 Gabriel Guimard (Ator, palhaço, pesquisador e diretor de teatro) - Editorial do Portal Cultura Infância Judicael Sudário de Pinho (Juiz do Trabalho) - Discurso de agradecimento pela concessão do Título de Cidadão de Fortaleza, pela Câmara Municipal - 28/02/2008 Roberto Maciel (Jornalista - editor da Coluna Comunicado, do jornal Diário do Nordeste - Fortaleza/CE) - 08/01/2008 Dellano Rios (Jornalista) - 01/2008 Jackson Araújo (Consultor de tendências de moda) - dez/jan2008 Jornal O Povo - Feira do Sebo - 27/12/2007 Diário do Nordeste - Feira do Sebo - 27/12/2007 Jornal O Povo - Feira do Sebo - 26/12/2007 Ceará Agora - Luciano Augusto (Jornalista) - 25/12/2007 Diário do Nordeste - Feira do Sebo - 24/12/2007 Tino Freitas (Jornalista e Músico Profissional) - 17/12/2007 Jornal O Povo - Reabertura do Minimuseu Firmezarte - 15/12/2007 Clube da Sombra -25/10/2007 "Flávio Paiva, jornalista e escritor de Fortaleza, jurado da categoria, considerou que a obra vencedora reflete o que boa parte dos trabalhos enviados tratou. 'Eles procuraram demonstrar que a cidade carece de uma 're-significação' simbólica no imaginário da cidade', comenta". Fonte: http://www.meiotom.art.br/resultado7belo.htm Auto Filho (Professor, Jornalista e Secretário de Cultura) - 07/2007 Projeto Pausa Dramática - 24/07/2007 Eugênio Leandro (Músico e Compositor) - 21/07/2007 Roberto Maciel (Jornalista - editor da Coluna Comunicado, do jornal Diário do Nordeste - Fortaleza/CE) - 12/07/2007 Jornal O Estado - 06/06/2007 Talita Bedinelli (Jornalista)- 09/01/2007 Luizianne Lins (Jornalista, atual Prefeita de Fortaleza)- 13/04/2006 Joyce Barsotti Cunha (Psicóloga e pedagoga, coordenadora de Educação Infantil do Colégio Integrado Monteiro Lobato desde 1997) - 22/12/2005 Jorge Henrique Cartaxo (jornalista) - 12/02/2006 João da Cruz (Vereador pelo PV-CE) - 10/2005 Informativo do vereador João da Cruz - 2005 Diário do Nordeste - 01/06/2005 Nonato Albuquerque (Jornalista, Radialista e Apresentador de TV) - 10/2004 QualityMark Editora - 2003 Lira Neto (escritor) - 12/02/2003 Paola Fonseca (jornalista) - 18/01/2003 Eudes Fraga (Compositor e Intérprete cearense) - 15/01/2003 Barbra Brusk - 23/12/2002 Sílvia Bessa (jornalista)- 12/10/2002 Jornal O Povo, caderno Vida & Arte - 28/09/2002 Carlos Ely (jornalista) - 05/09/2002 Alexandre Barbalho (historiador e sociólogo)- 02/07/2002 Eliana Printes (cantora amazonense)- 10/05/2002 Eliana Printes (cantora amazonense) - 10/05/2002 Sérgio Pires (jornalista) - 20/01/2002 NordesteWeb - 02/12/2001 Diário do Nordeste, Vida & Arte - 29/11/2001 André Marinho (Jornalista) - 16/10/2001 Ana Naddaf (Jornalista) - 16/10/2001 Thaís Gonçalves (jornalista), 19/08/2001 Folheto Projeto Petrobras de Música 5 anos - 2001 Diário do Nordeste - 28/12/2000 Teresa Monteiro (jornalista) - 01/12/2000 Diário do Nordeste - 01/12/2000 Lêda Maria (colunista social) - 26/11/2000 Luciano Almeida Filho (jornalista) - 15/10/2000 Calé Alencar (Cantor, compositor, arte-finalista e articulador cultural) - 21/08/2000 Eugênio Leandro (músico e compositor cearense) - abril de 1999 - Revista Canto da Iracema nº 01 Vange Milliet (cantora) - março de 1999 Tarcísio Matos (compositor cearense) e Falcão (cantor e compositor cearense) - 18/01/1999 Kiko Ferreira (jornalista) - 26/12/1998 Diário do Nordeste - Caderno 3 - 18/12/1998 Tribuna do Ceará - Mulher & Cia - 18/12/1998 O Povo - Vida & Arte - 01/10/1998 Diário do Nordeste - Caderno 3 - 01/10/1998 O Povo - Últimas - 27/05/1998 Ricardo Bezerra (arquiteto, paisagista, compositor) - O Povo - Vida & Arte - 30/01/1998 Eleuda de Carvalho (jornalista) - O Povo - Vida & Arte - 12/12/1997 Karine Alexandrino (cantora cearense) - Novembro de 1997 Conexão Manaus - A crítica - 28/09/1997 Diário do Nordeste - Caderno 3 - 25/07/1997 Eleuda de Carvalho (jornalista) - O Povo - Vida & Arte - 15/07/1997 Henrique Nunes (jornalista) - Diário do Nordeste - Caderno 3 - 10/07/1997 O Povo - Vida & Arte - 27/06/1997 Projeto BEC Seis e Meia - Maio a Julho de 1997 Roberto Vieira - O Povo - Variedades - 14/12/1996 Diário do Nordeste - Diário de um projeto - 24/11/1994 Aramis Millarch (Jornalista, Crítico de Música e Cinema) - Estado do Paraná - Almanaque: Seção Tablóide - 08/08/1987 Joba Tridente (Artista Gráfico, Plástico, Escritor, Bonequeiro e Contador de Histórias) Espaço Cultural - Ouro Preto- 11/1980 |
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Diário do Nordeste - Caderno 3, Fortaleza-CE (...) Receita caseira Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=857525
Governo Municipal de Cruz, 23/09/2010 Flávio Paiva ficou encantado com a magia do espaço e com as ações e projetos que a Brinquedoteca desenvolve. O que também lhe chamou atenção foi a arquitetura da praça, com jogos de tabuleiros desenhados em seu piso, e o amplo espaço que a mesma oferece, favorecendo as brincadeiras ao ar livre. Ele parabenizou o Município e em especial as Educadoras Sociais pelo trabalho realizado.
Internacionalmente conhecido
Jornal O Povo, 07/02/2009 "... E foram felizes para sempre" Blog Eliomar de Lima - Informação sem preconceito
COMENTÁRIOS Pedro Albuquerque disse... Fonte: http://eliomardelima.blogspot.com/2008/09/um-cearense-no-frum-internacional.html
Blog do Roberto Maciel - Diário do Nordeste, 08/01/2008 Paralamas em promoção O texto, na íntegra, você lê aqui. Concordo com o meu caríssimo Flávio em grau, número e gênero. As palavras dele são irretocáveis. Mas em tese. Justificando o “em tese”: há certos gastos que carecem, para que não haja dúvida nenhuma sobre a transparência dos atos de que os ordena, de explicações minuciosas. É o caso dos que foram feitos no réveillon de Fortaleza. Estive nos últimos dias entre em João Pessoa (PB). Lá, pude ver uma movimentação muito parecida com a do réveillon de Fortaleza. Parecidíssima, aliás, como você pode conferir na foto acima. No último dia 4, a banda Paralamas do Sucesso se apresentou na beira-mar de lá, bem em frente ao busto do Almirante Tamandaré, na Avenida Cabo Branco. O grupo abriu a programação do evento Estação Nordeste, que movimentará a cidade até 27 próximo, com 38 atrações - 30 locais e oito de fora, como o próprio Paralamas, cujo líder é um paraibano, Herbert Vianna, e Zélia Duncan, Lô Borges, Nuno Mindelis e Luiz Melodia. Fiquei curioso sobre o quanto havia sido pago ao Paralamas do Sucesso, já que o evento era de porte similar ao do réveillon do aterro da Praia de Iracema, em Fortaleza. Fiz duas ligações, consegui o telefone do diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa, Lau Siqueira. Apresentei-me como jornalista em Fortaleza e perguntei sobre o cachê. Lau me disse o seguinte: - Nesse momento (eram 18 horas e faltavam duas horas para o início do evento), não tenho como precisar o valor, porque estou fora do gabinete, mas ficou entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. Assustei-me: - Tem certeza? É que em Fortaleza foram pagos, conforme a Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município, R$ 394 mil (na verdade, R$ 394.086,86) para um show no réveillon. Ele respondeu: - Isso mesmo. Aqui a gente não teria condições de pagar tanto. Mas no réveillon, você sabe, os cachês normalmente são mais altos. E completou: - Pensamos em trazer o Paralamas para o réveillon daqui, também no busto da Tamandaré, mas o valor que pediram ficou além da nossa capacidade… - Quanto?, perguntei. - R$ 160 mil, respondeu. É por essas e outras que a sociedade deve tanto cobrar explicações minuciosas. E deve considerar teorias, como a tão brilhantemente defendida por Flávio Paiva, como algo que nem sempre é o que norteia as práticas. Afinal, há entre a “ dinâmica do sistema social, cultural e político” e “as necessidades básicas da população” um ponto comum: a necessidade de transparência. E vou ficando por aqui, à espera de que alguém me explique, por favor, que matemática é essa que determina um cachê de R$ 394 mil no dia 31 de dezembro e outro de R$ 40 mil a R$ 50 mil no dia 4 de janeiro. Ou um cachê de R$ 160 mil cobrado à Prefeitura de João Pessoa - e rejeitado, frente à impossibilidade financeira - e outro quase 150% superior que a de Fortaleza diz que pagou. (retornar) Fonte: http://blogs.diariodonordeste.com.br/roberto/gestao-publica/promocao-de-paralamas/
Revista Seven nº 02, dez/jan 2008 Um eterno inquieto chamado Jackson Araújo Atualmente dedicado à consultoria de tendências e à curadoria de conteúdo da Box 1824, Jackson conversou com a Seven, à dois dias de mais uma viagem a NY, e mapeou momentos de sua trajetória dividia entre o Nordeste e o Sudeste, suas inquietações com o mercado e suas novas conquistas. [...]Quem são os nomes, em Fortaleza, que mais você respeita no momento? [...]
Jornal O Povo, Fortaleza, 26/12/2007 De tudo um pouco
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"A realização da Constituinte Cultural cearense é uma grande oportunidade para, como diz o secretário Auto Filho, formularmos uma autêntica política de cultura, com a participaçõa popular. A determinação do governador Cid Gomes de fazer uma gestão com transparência e participação possibilita esse tipo de mobilização social, propiciando avanços na nossa formação política e abrindo espaço para a democracia participativa, ao integrar as instituições públicas com a sociedade civil em uma rede social tecida com apurados fios culturais. Portanto, temos em nossas mãos uma chance de nos visitarmos, de nos enxergarmos em tudo o que nos distingue e nos orgulha, para, assim, nos valorizarmos na complexidade planetária contemporânea." |
Auto Filho
Secretário da Cultura
Fortaleza, 13 de julho de 2007
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Clube da Sombra - 25/10/2007
31 de outubro - Dia do Saci e seus amigos
O Dia do Saci é um evento difundido por artistas como forma de resistência e contraponto ao raloín americano. Essa data ainda não foi decretada oficialmente como uma comemoração nacional, mas, está tramitando em Brasília, desde 2005, como proposta de projeto de lei, elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB - SP) e Ângela Guadagnin (PT - SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro. A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e a Câmara Municipal de São Paulo já se mostraram favoráveis a aprovação deste projeto.
Vamos vestir a carapuça vermelha e ver no que dá?
Alguns amigos do Saci, que conheci lá em Fortaleza/CE, já estão com fumo no cachimbo e promovendo festas, editando livros e dando linha para a imaginação. O jornalista e escritor Flávio Paiva foi um que me convenceu que o Ceará está infestado de Sacis. O problema é que eles andam meio afoitos com os tumultos da cidade grande, as sacanagens contra a natureza e as falcatruas na política, que acabam interferindo na cultura popular.
Buenas, que cada um faça a sua parte pra Sacizada continuar empurrando essa abóbora gringa pra fora do nosso folclore!
Abaixo o texto do Flávio, publicado na inteligente RIVISTA, produzida lá em Fortaleza pelo criativo e inspirado Mino.
Parabéns moçada!
(...)
(retornar)
Fonte: http://www.sacyperere.com.br/artigos_full.php?id=168
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Diário do Nordeste, Fortaleza, 21/7/2007
Caderno 3 – Ponto de Vista
Não era só música, era um tudo
EUGÊNIO LEANDRO*
Nos anos 80, o que nos vinha era um embate com a ditadura da opinião, já que a opressão arrefecia. Não havia muitas brechas para se respirar. Tentávamos baixar a crista do forte opositor, que ainda persiste, a arte regida pelo mercado, satélite de mão única a mandar suas mensagens exclusivas, na figuração do maestro Medaglia. Quando a fórmula dá certo, é explorada até que renda um último níquel, manipulando incautos. Quem se negava a falar tal linguagem, simplesmente não existia.
Se a gente quisesse um rebatedor em Fortaleza, tínhamos que construí-lo. Para isso, tínhamos um laboratório onde todos podiam experimentar: o nosso Benfica, arena de luta e lazer, com a Praia de Iracema de regalo. Quatro anos, da Faculdade de Direito para a cantina das Ciências Sociais, cearense como ninguém, a reverberar canteiros de Fagner, berros de Ednardo, o almoço do Belchior, no chão sagrado do Rodger. O Trovador de Evaldo Gouveia a desejar novas referências, num radinho lá da pê erreénove. E a gente se remexendo pra dizer algo diferente.
Daí, vinha a pomba sangrada no palco, nas mãos de Eduardo Braga; o poema? Deus é Ateu: Ele não acredita que eu existo!, de um paraibano surpreendendo a platéia; a Libelu do Fernandinho Costa, a Carne Seca do Parahyba; os duelos de Nonatin, Sandro Og, Silvino, pra ver quem viajava mais; a vigília na Segurança Pública, soltando os presos da Quadra do Céu, outra comissão indo acordar o Reitor às três da madrugada, para que intercedesse; Credimus, O Saco, Massafeira, Siriará, um jornal do Dorian Sampaio, outro do Neno, Sem Regras do Flávio Paiva, T. Matos, Falcão, Jorge Pieiro, Nelson Augusto; revista Pássaro, Porão, Comboio, Laert, Wanderlou, Gildemar, a viagem do Franzé Rodrigues; macacos na gráfica da UFC; corais da Izaíra; fotos do Bill Cartaxo; eleição de Maria Luiza, tomada da Reitoria, mais de 20 anos antes da USP, por outros motivos, note-se; Caravana Universitária, atos-shows dos DCEs, CAs e CUTs. Não era só música, era um tudo.
Quando me formei, me vi tonto, como se me mandassem procurar outra calçada. Mas aí, a gente estava antenado na Filosofia da Mirtes, na Sociologia do Magno, nos rompantes do Eusélio, na calma do Moreira Campos, na franqueza do prof. Raimundo Holanda, na paciência do zangado Frazão, tantos Mestres da nossa UFC, e eu, com A Coragem de Criar, do Rollo May, debaixo do braço.
Tantas as demandas naquele Brasilzinho cinzento que era necessário, primeiro, a organização popular. Daí o mundo de bairros e favelas a criar seus clubes, associações e sindicatos, junto à atuação estudantil. Nessa hora, abriu-se um caminho para a produção cultural, pois tínhamos um público expressivo e a força dos segundos cadernos. Nos bares, pela revolução do Pessoal do Ceará e pela pressão dos novos, foi abolida a radiola para dar lugar ao som ao vivo, com a gente cantando repertório próprio. Todos ainda sem disco. Mas havia hits como ´Pretexto´, do Álcio e do Pena, ´Canoeiro´, do Parahyba Kid e Inês Bang-Bang... Com a chegada da Universitária FM, completou-se a espinha para dar sustento à produção. Até hoje, são essas cabeças que nos ajudam a segurar essa pesada caneta que escreve a história.
Fizemos associações, intercâmbios, mobilização em torno do Sindicato dos Músicos, de 1940, dos mais antigos do Brasil. Mas continua inerte. Corremos o Brasil inteiro, e a Globo, quando quis, nos encontrou. Foi buscar Abidoral Jamacaru no quintal dele, Adauto Oliveira, Pingo, Luiz Sérgio ´Pato Rouco´...
O boom de discos dos anos 80/90 deu-se da forma mais comunitária e solidária possível. É um expressivo exemplo de agregação do cearense, do fortalezense. Apesar das dificuldades, todos os nomes dessa geração lançaram seus discos, ruins ou bons. Nas conversas, a idéia era gravar, lançar muitos títulos que enchessem as mesas das rádios, que era o nosso calcanharzinho. Nos diziam quanto a música era boa, mas não queriam correr o risco do ouvinte mudar o ´dial´. Queriam ver se a gente tinha bala na agulha. Apesar da ebulição, a gente não tinha muita articulação.
Por outro lado, na Verdes Mares, com o Mário, o Mansueto Barbosa, os Norões, era regra: ´Traga o VT produzido, que a gente põe no ar´. Quantos comerciais nossos assistimos pela mão deles! Nos segundos cadernos, o mesmo clima, a coisa do solidário, de apostar na turma, pra ver qual é, que ainda hoje persiste, quando se abre o jornal e nos deparamos com página inteira de um Quarto das Cinzas, por exemplo. Isso gerou consistência, de Fortaleza como centro irradiador, estimulando a vinda da fábrica de CDs para o Ceará, pelas articulações do Flávio Paiva e do produtor Cláudio Lucci.
Então vêm os canais de TV, que hoje são tantos, que inventam artista pra encher a grade local. Alguns ainda insistindo naquele dito do Fausto Nilo sobre os carros de som em último volume, do cara que amarra o cavalo, fica a sujar a rua, enquanto faz a festa no salão. O que acho? Se a nossa geração deve mea culpa, fazêmo-la sem problema. Mas Fortaleza necessita de novo caldo de senso e clareza. Talvez num susto, num terremoto, porque vítimas nós sempre tivemos. Para não fazer sofrer tanto os novos que querem dizer. Para quem vê o mundo, na implosão das ´majors´, inúmeros alternativos se reestruturam, dizendo que estamos prontos para os próximos embates. (retornar)
PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, 09/04/2007
Educação - Reportagens
No CE, cultura regional ajuda a alfabetizar
TALITA BEDINELLI - da PrimaPagina
Uma coletânea com 25 livros infantis, contendo histórias que falam sobre mar, sertão, índios e brincadeiras de criança, sempre com elementos típicos cearenses, será distribuída a escolas municipais de 60 municípios do Ceará que apresentam altas taxas de analfabetismo e menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal , uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros, feita pelo PNUD e parceiros). O material será encaminhado aos professores da 1ª e 2ª série do ensino fundamental, com o objetivo de estimular a leitura entre os alunos e ajudar a melhorar o nível de aprendizagem.
(...)
Entre os autores selecionados pela secretaria estão Almir Mota, que já escreveu sete livros infantis; Demitri Túlio, jornalista ganhador de um prêmio Esso; Flávio Paiva, escritor e colunista do jornal Diário do Nordeste ; Horácio Dídimo, poeta e professor do departamento de Literatura da pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará; e Virgílio Maia, escritor membro da Academia Cearense de Letras. As ilustrações ficaram a cargo de Válber Benevides, artista plástico e ganhador do Prêmio em charge na Primeira Bienal Internacional de Quadrinhos; e de Guarabiras, cartunista do jornal O Povo (de Fortaleza), entre outros. (retornar)
Fonte: http://www.pnud.org.br/educacao/reportagens/index.php?id01=2510&lay=ecu
Jornal O Povo, Fortaleza, 13/4/2006
Cotidiano – Estou lendo
(retornar)Gazeta do Centro-Oeste, Crateús 15/10/2005
Opinião
Flávio Paiva é cidadão de Fortaleza
O jornalista, escritor e compositor Flávio Paiva, natural de Independência, recebeu o Título de Cidadão de Fortaleza, no último dia 6, atendendo a requerimento do vereador João da Cruz, do Partido Verde. O Independenciano, Flávio Paiva, reside em Fortaleza, há mais de 30 anos, e é formado em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza (UFC).
O vereador João da Cruz disse que "Flávio Paiva mora em Fortaleza há três décadas, e por todo esse período sempre esteve atuante em diversas frentes das movimentações de Cultura e Cidadania. Salientou, também, João da Cruz que o jornalista Flávio Paiva "trouxe do sertão de Inhamuns, da cidade de Independência, a coragem de expor aberta e publicamente suas idéias em defesa da qualidade de vida e da cultura de Fortaleza". O vereador ressaltou ainda que os artigos, as músicas, os livros e a participação política do homenageado, como cidadão comprometido com noções diferenciadas de cidadania, revelam uma força autêntica, necessária aos tempos atuais, em um mundo onde pensar, sonhar e contemplar parecem atitudes em desuso", e finalizou, "Flávio Paiva teima em filosofar, em estar sempre disposto a nos despertar para uma vida mais humanizada, mais justa e prazeroza".
Após o recebimento do título de Cidadão de Fortaleza, Flávio Paiva fez o lançamento e autografou o seu segundo livro infantil "Fortaleza de dunas andantes, a cidade banhada de sol". (retornar)
Informativo do vereador João da Cruz
Edição Nº 003
Vereador entrega Título de Cidadão ao Jornalista Flávio Paiva
Por iniciativa do Vereador João da Cruz a Câmara Municipal de Fortaleza outorgou o Título de Cidadão de Fortaleza ao jornalista e escritor Flávio Paiva.
O evento realizou-se no último dia tres de outubro, no Plenário da Câmara e, na ocasião, também foi lançado o livro de autoria do homenageado: Fortaleza de dunas andantes: a cidade banhada de sol.
Estiveram presentes na composição da mesa o 2º vice-presidente da Casa José do Carmo, o Sr. Amarílio Macedo, o Dep. estadual Francisco Caminha, a Presidenta da FUNCI Glória Diógenes, o presidente da CDL Honório Sobrinho, o jornalista Stênio Holanda, o Ten. Manoel Messias Rodrigues, além do vereador João da Cruz e do homenageado Flávio Paiva.
Vários convidados também prestigiaram o evento tais como Ver. Guilherme Sampaio, o Dp. Estadual Artur Bruno, o Dep. Federal Inácio Arruda, o Secretário da SER III Marcelo Silva, além dos jornalistas Moacir Maia, Messias Pontes, Ana Memória e demais familiares e amigos.
Após a solenidade, houve um coquetel onde o homenageado proporcionou aos convidados um momento de autógrafos por ocasião do lançamento de seu livro. (retornar)
Diário do Nordeste, Caderno 3 - Fortaleza, 01/06/2005
CULTURA PREMIADA
Dos 188 projetos selecionados no Programa BNB de Cultura, 51 são do Ceará. A lista foi divulgada ontem, na sede do Banco, em Fortaleza. O número de inscritos e a qualidade dos projetos superaram as expectativas, levando a direção do BNB a dobrar a dotação orçamentária prevista para o programa. O objetivo inicial era destinar um milhão de reais, na forma de patrocínio direto, aos projetos selecionados. Agora, serão destinados dois milhões, montante originário de recursos próprios do Banco.
Foram contemplados projetos nas áreas de Música (51), Artes Visuais (47), Artes Cênicas (47) e Literatura (43). Do total de 2.248 projetos apresentados, 1.911 foram aceitos e, destes, 188 selecionados. O Ceará foi o Estado com maior representação, 598 inscritos, e com maior número de projetos escolhidos, 51. Para a seleção deles, o Banco do Nordeste estruturou quatro comissões mistas (uma para cada área), com cinco analistas cada, formadas por representantes do BNB e da comunidade.
Nessa análise, vários critérios foram levados em conta, como a qualidade artística, investimentos dos recursos financeiros, geração de emprego e renda dentro da área de atuação do Banco, ampliação do acesso da comunidade à produção cultural e ações voltadas para municípios de pequeno e médio portes na área de atuação do BNB, especialmente aqueles situados na região do semi-árido. Um dos objetivos do programa é a interiorização da cultura. E esta seleção mostra que isso vem se concretizando, já que 93 projetos contemplados (49,5%) são oriundos de 58 municípios interioranos do Nordeste.
“Queremos dá visibilidade às manifestações do interior, que são guardiãs de nossas riquezas culturais”, avalia Roberto Smith, presidente do BNB. Segundo ele, o Nordeste tem uma pujança cultural que é refreada. “Ela só precisa de apoio para aparecer, como acontece neste programa do BNB”, diz. Para Tarciana Portella, representante do Minc para o Norte e Nordeste, a democratização da cultura é um dos compromissos do governo Lula. “Cultura e desenvolvimento andam juntos, são fundamentais na política de inserção social. E este programa do BNB estimula isso. E nossa identidade é a nossa diversidade”.
Entre os contemplados pelo programa do BNB estão nomes bem conhecidos no meio cultural do Estado, como a cantora Teti (CD “Retratos”) e Flávio Paiva (livro “Benedito Bacurau - O Pássaro que nasceu do povo”). E tem projetos apadrinhados por grandes instituições como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - por meio do IACC (“II Festival Música na Ibiapaba”); e por empresas como a Via de Comunicação (“Circulação do show da banda de música instrumental Doa Meninos”).
A maioria dos projetos cearenses selecionados foi na área de Música, 19 no total. A área de Artes Visuais ficou com 11, enquanto Artes Cênicas e Literatura tiveram, cada uma, 10 projetos selecionados. Do total, 30 são projetos de Fortaleza e 21 do interior. Na divisão por Estados, Pernambuco aparece em segundo lugar, com 37 projetos selecionados, seguido de Paraíba e Maranhão (18), Bahia e Piauí (15), Rio Grande do Norte (12), Alagoas (9), Sergipe (7) e Minas Gerais - área de atuação do Banco do Nordeste (6).
Os editais do Programa BNB de Cultura foram lançados no dia primeiro de fevereiro e as inscrições se estenderam até 12 de março. O próximo edital, para a seleção 2006, será lançado em outubro. Os responsáveis pelos projetos selecionados deste ano devem aguardar contato do BNB a partir do próximo dia 13 de junho, para a adoção de procedimentos referentes à contratação e à liberação dos recursos. (retornar)
Observatório da Imprensa, 12/02/2003
Nem todos somos anfíbios
Lira Neto
Há poucos dias, um amigo lembrava, em artigo aqui no O Povo, que os sapos, como bons anfíbios que são, quando colocados naturalmente em uma vasilha com água, em temperatura ambiente mas em processo de aquecimento, são incapazes de se dar conta de que estão sendo cozidos até a morte. É que seria de sua natureza acomodar a temperatura que lhes corre nas veias de acordo com o ambiente. Não se mexem, não esperneiam, nem sequer coaxam. Quis o amigo comparar esta síndrome do sapo escaldado com a inércia de todos nós, fortalezenses, diante do crescimento da cidade, cada vez mais às voltas com a especulação imobiliária, o prostiturismo, a antiga "loura desposada do sol" transformando-se em rota do tráfico internacional de drogas, em cenário da violência contra a criança e venda de bebês para o exterior. Preferimos todos vestir abadás e cair na axé music dos Fortais. Ou - cearenses que somos - nos empanturrar de caranguejos regados a cervejota na velha Praia do Futuro. No entanto, no que eu pensava, enquanto lia o artigo do amigo jornalista Flávio Paiva, era sobre a mesma inércia anfíbia na qual outros coleguinhas parecem enfrentar o caldeirão fervente em que andaram nos metendo. Isso aí: nesta terra de sapos, pouco ousamos desafiar a voz corrente que sempre nos sugere ficar de cócoras com eles. Assim, parabéns pelo OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, velho Dines de guerra. Prova de que nem todos somos anfíbios. E de que temos, na verdade, que exercitar nosso sangue quente.
Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br/arq0512/caixa.htm
Correio Braziliense, Brasília, 16/09/1980
As propostas dos poetas
Joba Tridente
Das propostas de trabalho literário atuante acontecidas na "1ª Ebulição de Poetas", algumas até podem ser chamadas de "ovo de Colombo", tal a simplicidade delas. Falam da ida dos escritores às escolas de uma forma tão genial, que nem mesmo a Secretaria de Educação teria coragem ou encontraria um "quêzinho" para proibi-la. Falam da tomada de um ponto de venda. Falam de Cooperativismo Cultural. E aqui vale a pena a gente parar um pouco pra pensar na proposta dos poetas do Ceará. José Carlos e Flávio d'Independência [Flávio Paiva] vieram representando a recém-criada "Cooperativa de Escritores e Poetas", lá em Fortaleza. A "Cooperativa de Escritores e Poetas" não pretende ser uma Cooperativa Regional. Mas uma Cooperativa Nacional. Uma Cooperativa que venha despertar o povo para importâncias da leitura e da literatura. Uma Cooperativa sem bandeiras ou partidos que visa apenas a dinamização da cultura. Uma Cooperativa que venha minimizar o preço das obras literárias, dando condições de aquisição aos menos abastados, e que permita aos poetas, escritores, um desenvolvimento de trabalho livre, sem coações do poder monetário ou arbitrário. Uma Cooperativa que possa congregar escritores de qualquer ponto do Brasil e que possa, como em Fortaleza, conquistar um canto (ou uma banca) para intercâmbio, distribuição e venda de livros de todos os associados. Para Flávio e José Carlos, e mesmo a gente que acompanhou a colocação deles na "1ª Ebulição de Poetas", essa é uma idéia que tem tudo para dar certo. Desde que os escritores deixem as fardas, plumas e paetês de lado e aprendam a conviver comunitariamente e trabalhar solidariamente. A Cooperativa está preparando o lançamento do seu primeiro veículo, um "folheto poético", tamanho cordel, e informes sobre as atividades da Cooperativa. Os interessados em se associarem devem escrever para Cooperativa de Escritores e Poetas - Rua 24 de Maio, 1415 - Centro - Fortaleza - CEP. 60.000. Ou procurar o Nulit/Cuca, toda quarta-feira, a partir das 19 horas, no Sesc da 913/14 Sul. (retornar)
Espaço Cultural, Ano 1, N. 3
Ouro Preto, 11/1980
COOPERATIVA DE ESCRITORES E POETAS
No mês de setembro, os poetas Flávio d'Independência [Flávio Paiva] e José Carlos, de Fortaleza, estiveram em Ouro Preto, trazendo mais uma grande proposta literária: junto com um grupo de 14 poetas, eles fundaram, naquela cidade, a CEP - COOPERATIVA DE ECRITORES E POETAS.
A Cooperativa vem com uma proposta de revolucionar o mercado literário em relação à massa, através do cooperativismo, visando, unicamente à dinamização da cultura. Propõem também, um movimento cultural onde escritores e poetas possam desenvolver seus trabalhos livremente, sem coações do poder monetário ou arbitrário; e ainda, minimizar o preço de obras literárias para que todos tenham condições de adquiri-las.
A Cooperativa já está lançando seu primeiro trabalho: um folheto poético em forma de cordel com informes sobre suas atividades. Os interessados na aquisição do folheto e em maiores informações escrever para Cooperativa de Escritores e Poetas - Rua 24 de Maio, 1415 - Centro - Fortaleza - 60000. (retornar)
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ENTREVISTA
Blog Consumindo Ideias - 05/2010
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Um cidadão orgânico
Revista FALE!, Ano VI, nº 58 -
Março/2009
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Opinião
Diário do Nordeste - 25/02/2008
Caderno 3 - Cearenses
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=519210
Entrevista
Revista Informatudo
Nº 47, Setembro/Outubro de 2005
Mosaico Cultural
O jornalista, escritor e compositor Flávio Paiva diz por que se sentemaravilhado pela diversidade da cultura brasileira
Atuante em várias áreas de pensamento e expressão, Flávio Paiva é conhecido no Ceará pela multiplicidade pulsante. Livros, discos, artigos em jornais e participação em ações culturais e de cidadania marcam a carreira desse jornalista nascido em Independência, interior do Ceará, casado e pai de dois filhos. Em um bate-papo com a revista Informatudo, Paiva fala de suas inquietações, revela as fontes de inspiração, relembra sua infância, reflete sobre cultura e o Brasil. Confira os principais trechos da entrevista na página ao lado.
Você tem múltiplas atuações na música, na literatura, na política e no jornalismo cearense. A que você atribui essa variedade de ações?
Eu costumo dizer que lá onde eu nasci as pessoas durante o dia trabalhavam no campo e de noite tocavam viola, e não era para ser artista. Eu guardo isso comigo. São coisas que eu não consigo não fazer, fazem parte da minha maneira de ser. Então, se a melhor forma de falar uma determinada coisa é através da música, ou através da literatura ou de um texto jornalístico a tendência, é você fazer no meio que está exprimindo melhor naquele momento. Por exemplo, para os meus filhos, quando eles nasceram, produzi discos. Não tinha coisa melhor para eu oferecer a eles do que uma música. A música tem uma força vital muito grande. É difícil encontrar uma forma que vá superar a emoção de uma melodia. Nós somos seres múltiplos. A "departamentalização" da vida quem inventou foi a sociedade, quando inventou as normas. A especialização é um tipo de foco que às vezes nos ajuda na profissão, mas para viver temos que ser múltiplos. Então, me expresso da forma mais multifacetada que você pode imaginar. Porque estou respeitando esse lado múltiplo do ser humano que nós temos e somos.
Como você concilia essas múltiplas atividades com a vida pessoal e o que faz um projeto tornar-se prioridade na sua vida?
É natural que exista um conflito. Eu divido a minha vida em três núcleos. O núcleo afetivo, comunitário e profissional. O meu único cuidado é para que nenhum fique maior que o outro. A minha vida profissional tem limites. Eu poderia ser um profissional de muito mais sucesso se eu pudesse destinar à profissão o espaço que está destinado a minha vida afetiva. E a mesma coisa ao contrário. Então, eu não vivo em conflito por conta dessa multiplicidade porque tenho esse espaço de reflexão. Tento administrar para que nenhuma dessas zonas invada a outra de forma muito agressiva. E isso tem gerado um equilíbrio dinâmico que me dá uma certa tranqüilidade.
Você veio de Independência para Fortaleza, aos 17 anos. Naquele momento, você já tinha traçado um plano de vida, de projetos profissionais e pessoais?
Lá na minha infância eu fiz um acordo com o meu pai. Eu era responsável por algumas tarefas domésticas, como pastorar ovelhas ou mexer as panelas de doces da minha mãe. Se eu cumprisse minhas tarefas eu poderia ir jogar futebol. Eu era responsável pelo time que viajava por toda a região. O futebol era parceiro do grupo de teatro. Eu tinha uma banda cover do Secos e Molhados. Eu não tinha a compreensão que eu tenho hoje do modelo, mas eu tinha a intuição de que a melhor forma de conduzir essas coisas seria encontrando esses pontos de equilíbrio. Não pensava em vida profissional porque eu era um garoto. Eu não sabia o que era um jornalista.
Qual memória você traz de Independência? De que modo sua infância no sertão cearense lhe trouxe elementos para suas produções?
Meu avô tinha uma venda e frente à feira que funcionava dia de domingo. Eu convivia com os cordelistas e repentistas. Elas iam beber cachaça e eu escutava a conversa; ficava fascinado. A antropologia do meu texto eu diria que seria o cordel. Eu trabalho muitoo com colagem de imagens. Eu nunca encontrei outras referências para essa minha característica. Quando eu comecei com esse tipo de trabalho, eu recuperei alguma coisa da minha infância que eu gosto de manter e com a convivência com os meninos isso vai somando. Também busquei as imagens que tinha de como foi a infância do meu pai e da minha mãe. É um embolado tão grande que às vezes é até difícil você distinguir onde começa uma e onde termina outra inspiração.
Seu "Flor de Maravilha" foi finalista do Prêmio Jabuti como obra didática. Você pensa nos efeitos didáticos quando está produzindo?
Quando fiz a primeira versão do Flor de Maravilha, tive uma intenção didática-pedagógica. Eu fui cobrado, na realidade. As pessoas do Rio Grande do Sul pegavam um dos meus discos infantis (Samba-le-lê e o Bamba-la-lão) e não entendiam porque dia de chuva aqui no Ceará era dia de festa. Então, eu me senti um pouco compelido a fazer alguns textos que mostrassem a minha ótica, enquanto autor, sobre como as músicas deveriam ser ouvidas. Se isso for uma intenção didática, então eu a tive.
Em seus artigos na imprensa, você costuma dedicar muitas reflexões à cultura. É possível apontar traços distintivos e ao mesmo tempo buscar aproximações, um diálogo com a cultura brasileira e a nordestina?
Eu me lembro quando o Chico César ganhou o prêmio Sharp de Música na categoria regional e ele concedeu uma entrevista onde afirmou ser tão regional quando a Fernanda Abreu, só que ela é regional do Rio de Janeiro. O que eu quero fizer é que ambos são brasileiros, tanto Chico César quanto Fernanda Abreu. A cultura cearense e nordestina sofrem uma dificuldade de interpretação pelas pessoas que escrevem sobre cultura no país, que geralmente estão no eixo Rio-São Paulo. Essa ausência de informação compromete o entedimento do que é produzido aqui no Nordeste, no Amazonas. Há uma distorção muito grande e as coisas produzidas no Brasil tendem a ser apartadas. Eu me maravilho com a diversidade brasileira. Há coisas que só podem ser de determinado jeito porque são feitas no Brasil. Mas as pessoas que escrevem sobre cultura deformam. Nós estamos nos devendo uma compreensão da brasilidade em sua extensão.
Entrevista
DIÁRIO DO NORDESTE
Sexta-feira, dia 18 de março de 2005 - Capa do Caderno3
COLUNISTA
Flávio Paiva em raízes e antenas
O cronista Flávio Paiva estréia amanhã sua coluna quinzenal, no Diário do Nordeste. Sua publicação será entremeada, em sábados alternados, à análise literária promovida pelo professor e acadêmico Batista de Lima. As novas opções do Diário para a nossa discussão teórica cotidiana, iniciadas na última terça-feira, pela contribuição semanal do antropólogo Roberto DaMatta, abrangem ainda a pesquisa do teólogo Frei Hermínio Bezerra sobre a etimologia e o uso das palavras nos dias de hoje. Dono de um estilo que se destaca pela força das metáforas e pelos tons reveladores de sinceras reflexões, Flávio Paiva, 45 anos, conquistou um espaço de reconhecimento como compositor, escritor e jornalista. Ele parece se assemelhar com tudo o que pensa e faz. Na suas crônicas sempre procura considerar, na fugacidade do cotidiano, o que a vida oferece de essencial. Seu texto transpira espírito crítico, esperança e impulso realizador, instigando a cada olhar uma lembrança, a cada acontecimento uma idéia e a cada palavra a possibilidade de um novo significado. Flávio Paiva, que ora estréia como cronista do Diário do Nordeste, nasceu em Independência, Interior do Ceará, e mora em Fortaleza há quase três décadas, onde tem participado ativamente da vida cultural da cidade. Nesta entrevista ele fala das suas crenças, da forma como trabalha e da sua disposição em contribuir para encontrar sentido nas coisas cotidianas
Caderno 3 - Você atua em diversas frentes e está sempre surgindo com trabalhos inovadores. O que lhe moveu a seguir esse caminho da multiplicidade?
Flávio Paiva- Posso dizer que no pano de fundo desse cenário de produções está uma só razão, que resulta no meu desejo e esforço de compartilhamento de tudo o que consigo enxergar e que considero importante para as pessoas. Neste aspecto, as linguagens e os meios utilizados talvez não passem de caminhos circunstanciais. Através da música, da literatura e do jornalismo consigo chegar ao outro de forma mais escancarada para ofertar espelhos em troca de atenção. Gosto quando alguém se identifica com a emoção do meu discurso, mesmo quando há discordância com relação ao conteúdo. Digo isso porque, para mim, sentir é muito mais importante do que compreender. Por isso escrevo com a liberdade de me equivocar. O senso comum necessita da dúvida para romper com as certezas que o tornam um arriscado estado de condicionamento. O exercício mais prazeroso que faço em meu trabalho é o de tentar ver sentido nas coisas. Evidente que ao fazer isso acabo também descobrindo uma porção de artificialismos assimilados como fundamentais.
- O que, por exemplo, você acha que aparenta ter tanto sentido na sociedade contemporânea e não deveria ser visto bem assim?
Flávio Paiva- A tentativa de homogeneização da noção de velocidade em culturas diferentes é uma barbaridade. Até a velocidade da luz só encontra estabilidade no vácuo. Na água, no ar e em outros meios absorventes ou dispersivos ela muda a rapidez da sua propagação. Na humanidade, como na física, ser veloz também varia conforme os costumes, as crenças, os saberes e os estilos das gentes. Forçar o ritmo de vida das pessoas por imposição do fundamentalismo de mercado desrama séculos de valores culturais que levaram tempo para vingar. Estamos sofrendo com isso no Brasil. Entramos em um jogo sem discutir as regras. De tanto correr sem saber para onde, muita gente começou a criar efeitos, como se não necessitasse de causa alguma para isso. O resultado tem sido a desorganização dos desejos das pessoas, dos seus negócios, dos seus sonhos e das suas comunidades. A vida é lenta. Pode até ter seus momentos de agitação, e é bom que tenha, mas em si é lenta. O fenômeno da comunicação instantânea, do chamado tempo real, precisa estar posto em nosso favor e não contra nós numa desagradável situação de dependência.
- Ainda que essa constatação possa parecer pertinente, você não acha que a dinâmica evolutiva produz tendências que invariavelmente alteram o sistema de vida cotidiano?
Flávio Paiva- Costumamos observar esse processo com base nas exceções, quando a sabedoria popular adverte que se deve medir a velocidade de um comboio pelo seu vagão mais lento. O que muitas vezes aparece como tendência não passa de simulações do rabo que quer balançar o cachorro. Na estatística existe um termo chamado moda, que quer dizer o valor de ocorrência mais freqüente, e que, a meu ver, estaria bem mais apropriado para sinalizar as nossas inclinações sem gerar tantas distorções de entendimento. Quero dizer que ao invés de avaliarmos os avanços do mundo com base apenas no lançamento de um novo modelo de celular capaz de fazer tradução simultânea, deveríamos querer saber se juntamente com novidades da telefonia móvel estão surgindo também soluções paralelas para o problema da Aids no Botsuana. Esta calibragem de moda deveria ser a escala do desenvolvimento. Sem este tipo de confrontação jamais conseguiremos compreender como é que no Mato Grosso do Sul, o Estado que é um dos maiores celeiros da nossa intensa produção de alimentos, as crianças dos povos caiuá estão morrendo por desnutrição. Não é concebível seguir assim, como se a subjetividade social não existisse e a estrutura da vida cotidiana não fosse diferente em todas as sociedades.
- Qual a sua utopia? Quem lhe influenciou? Como você costuma fazer essas conexões que deslocam os problemas periféricos para o centro do debate?
Flávio Paiva- Todas as pessoas me influenciam. Tudo me influencia. Procuro estar ligado nos sinais das nossas raízes e antenas. Sempre gostei de apreciar o mundo reformulando as informações que me chegam a todo instante. Faço isso com naturalidade, inteireza e por impulso transbordante. Sei que me iludo com uma certa facilidade e com isso aprendi a ter coragem de me frustrar. A ilusão é o cadinho da esperança. Sem ela a realidade seria insuportável. Somente a valorização do que temos de mais especial no nosso jeito imperfeito de descobrir saídas para o futuro pode quebrar a cultura da destruição que predomina na nossa busca cega pela sobrevivência. A minha utopia é que um dia possamos experimentar a utilização do parâmetro humano para medir o desenvolvimento. Algo como se o nosso ordenamento de valores começasse pela cultura. Dentro desta visão, a cultura produziria a educação; a educação definiria a ética; a ética fundaria a política; a política organizaria a economia e a economia sustentaria a convivência social. Sei que parece devaneio diante de uma realidade na qual a economia produz a ética e tudo termina no vazio da cultura do consumismo. Sou muito influenciado também pela sensação de plenitude que encontro nas artes e na literatura...
- Como é que você consegue tempo para escrever e compor, sem deixar de lado a sua vida afetiva e a sua atuação como profissional de comunicação?
Flávio Paiva- Digo que não preciso de um departamento específico para isso. A literatura e a música simplesmente fazem parte da minha vida comunitária. No sertão onde nasci, as pessoas trabalhavam o dia inteiro como vaqueiros, agricultores, comerciantes, enfim, em qualquer atividade produtiva, e à noite sentavam nas calçadas para contar histórias e tocar viola. E ninguém tinha essa neurastenia de querer ser artista. Em condições normais é da natureza de todo ser social compartilhar a estética dos seus agrupamentos, quer seja no bairro, na escola, no trabalho ou navegando na internet. Sinto-me com a grande responsabilidade de estar vivendo um momento tão rico de transformações profundas em todo o mundo. O livre arbítrio ainda está conosco. Resta descobrirmos o que faz sentido na nossa recuperação do futuro.
www.diariodonordeste.com.br
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OPINIÃO
O Povo, Vida & Arte, 18/04/2004
Dragão Manso
Inaugurado oficialmente no dia 28 de abril de 1999, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura chega aos cinco anos como o principal equipamento cultural do Ceará. Entretanto, a crise econômica que afeta o setor também se reflete naquele espaço
(...)
O que eu quero para o Dragão
''O Dragão do Mar é o mais destacado equipamento público de catalisação da produção cultural no Ceará e isso torna inevitável a existência de um permanente compromisso educativo no subtexto das suas atividades. A oportunidade de acesso dos compositores, músicos e intérpretes ao público e vice-versa é um dos pontos mais relevantes para a música nesse caldo essencial. O Ceará tem uma riqueza musical oculta ou semi-exposta que é tão preciosa quanto a parcela que tem sido difundida. É, portanto, uma responsabilidade de todos os que acreditam nesse potencial trabalhar para que nos reconheçamos na nossa musicalidade. A promoção do diálogo da música com as demais artes e com todos os públicos produz afirmação e abre frentes de evolução ante a tendência mercadológica da arte despersonalizada. O Dragão do Mar deve ser visto sempre como um centro de transformação de expectativas em necessidades e de necessidades em práticas de convivência, debate cultural, lazer, conflito de expressões, convergência de interesses e acaloramento dos agentes culturais entre si e nas suas relações com a comunidade. Essa aproximação é fundamental a fim de que as pessoas se beneficiem intensamente desse espaço e, assim, possam crescer bem mais em percepção e possibilidades de geração de renovadas expectativas''.
Flávio Paiva é jornalista e autor dos CDs Rolimã (1994), Terra do Nunca (1997), Samba-le-lê (1999) e Bamba-la-lão (2001).
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OPINIÃO
Revista Poder Local, Ano I - nº 2, março/2004, p. 50
Revista de Políticas e Gestão Pública
Necrofagia
Tem sido cada vez mais crescente o número de empresas que apelam para as ditas vantagens filantrópicas, na tentativa de serem percebidas como organizações com responsabilidade social. Destituídas, muitas vezes, de um maior aprofundamento da onda em que estão metidas muitas dessas organizações acabam confundindo situações emergenciais com regularidade desejada, contribuindo para que a exceção vire regra. O uso derrisório das ferramentas de marketing, com o intuito de beneficiar imagens corporativas e de conquistar a simpatia da população com base no infortúnio da grande massa de excluídos, é uma prática temerária e condenável.
Sem dúvida que muitas das campanhas ditas de “solidariedade” agregam sedativos evanescentes em focos sociais marginalizados, embora a prova dos nove do imediatismo resulte na sofisticação da dependência. Traídas pela carência, as pessoas acabam esquecendo que solidariedade pressupõe uma ligação recíproca com autonomia das partes. Em períodos de necessidade extrema, fica difícil pensar se o “bom samaritano” não é, na verdade, um cleptomaníaco lavando dinheiro em ação de graças. Marketing quer dizer troca, portanto, ao ser utilizado com vista a retorno, mesmo institucional, em cima da pobreza, é uma farsa técnica e ética que rompe com as regras mais elementares da polidez humana e empurra mais e mais os excluídos à condição de pedintes, aviltando reservas sociais de indignação.
A caridade sempre foi praticada por razões compensatórias de remorsos dolosos e culposos, embora sirva de meio salutar aos que intuitivamente elevam o espírito fazendo pequenas diferenças. Ela está na gênese do assistencialismo. Sobre a sua evocação, pouca chance há para a construção da cidadania. Ajudar é o verbo mágico da submissão atávica. Não existe nada de novo na prática da benesse filantrópica e assistencialista. Que o digam os clubes de serviços, a maçonaria e as primeiras-damas. A mobilização da sociedade para a superação das condições emergenciais presas ao plano escorregadio do subdesenvolvimento crônico precisa ser estimulada fora do âmbito da esmola. Ao invés de ficarem com pirotecnias evasivas, para causar boa impressão com a miséria dos outros, os promotores dessas empreitadas poderiam ganhar bem mais, no plano do equilíbrio coletivo, pagando impostos, cumprindo com as suas obrigações de respeitar a qualidade de vida, dando impulso a empregabilidade e melhorando as condições de renda da população.
A Constituição Federal de 1988 tenta romper com a acepção de necessitado, contida no conceito de assistência social, alterando-a para seguridade. Foi uma vitória política, sinalizadora da universalização dos direitos sociais, porém, com tantas boas idéias, não consegue nem ser absorvida nem encontrar repercussão transformadora. O acesso à educação, saúde, terra, moradia, transporte, alimentação, lazer, entretenimento, bens culturais e informação de qualidade ainda é visto como um perigo bem maior do que o estopim que se mantém aceso para a crescente marginalidade explosiva.
É preciso, contudo, reconhecer muitos avanços importantes ocorridos no Mercado, notadamente no que diz respeito à conquista dos direitos de consumidores, mas é preciso também estar desperto para distinguir as empresas limitadas a fazer cortesia com o chapéu dos benefícios tributários e do excedente da sonegação para aparecerem como amigas e cidadãs. Nesses casos, o discurso da inclusão não passa da necessidade de referência ao outro como uma forma torpe de se isolar. Esse negócio de, por um lado oculto, ser responsável pela fomentação da miséria e, por outro, aparecer com riso de manequim em coloridas, dispendiosas e fastidiosas peças de publicidade e propaganda é pura necrofagia social.
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OPINIÃO
O Estado, Linha Azul, 27/12/2002
Época de festas. É hora de planejar boas ações para o novo ano
O ano está acabando e é hora de se programar para 2003. Academia e aquela famosa dieta estão nos planos de quase todo começo de ano. Mas não podemos esquecer dos que necessitam de ajuda. Ajudando ao próximo estamos na verdade nos ajudando e sendo pessoas melhores e mais humanas. Afinal como é bom doar um pouco do seu tempo e da sua dedicação em prol de um irmão. É dentro desse contexto que O Linha Azul quer saber o que você está pretendendo fazer pelo próximo no ano que se inicia? Fomos falar com algumas personalidades cearenses sobre o que elas pretendem fazer pelo próximo. Se programe você também e ajude alguém que precisa.
(...)
“Quero continuar refletindo publicamente sobre a importância da inclusão do outro na sociedade. O livro que eu acabo de lançar discute exatamente a percepção e a auto-estima da cidadania. Acredito que enquanto jornalista devo estimular o fortalecimento da cidadania e modificar a atual conjuntura.” (Flávio Paiva – jornalista e compositor, autor do livro “Mobilização Social no Ceará” 2002)
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Entrevista
Guia Brasileiro de Produção Cultural 2001
Instituto Suba – Sesc São Paulo – The British Council
Por Edson Natale
Reúne dicas e sugestões a respeito da produção cultural brasileira, com entrevistas de Dora Kaufman, Flávio Paiva, Helena Katz, Hermano Viana, Hugo Possolo, Maria Apparecida Bussolotti, Maurício Pereira, Paulo Freire, Rubens Matuck, Tárik de Souza e Washington Olivetto.
Música Plural Brasileira
Por Flávio Paiva
O principal resultado prático obtido pelo fórum foi a quebra das arestas entre pessoas ligadas a estilos diferentes
Edson Natale – Por que e como vocês concluíram que era necessária uma união das forças que produzem arte em Fortaleza?
Flávio Paiva – O Fórum da Música Plural Brasileira aconteceu como resultado de uma série de impulsos de mobilização da sociedade civil que vem ocorrendo no Ceará. Da mesma maneira que existe o Fórum da Música (lançado em março de 1999), há mais de uma dezena de instâncias de discussões temáticas, setoriais e regionais abrigadas numa movimentação de gestão compartilhada chamada Pacto de Cooperação. Esse pacto, instalado em 1991, tem como premissa essencial a ação de catálise para o desenvolvimento sustentado do Ceará. Paralelo a isso, lançamos em 1996, no Sindicato dos Jornalistas, o projeto cultural “Sexta com Arte”, em que pela primeira vez aplicamos o conceito de Música Plural Brasileira. A idéia era reunir uma seqüência de apresentações de artistas brasileiros de grande valor artístico, mas sem “valor” de mercado. Deu certo. As pessoas passaram a visualizar uma produção de qualidade e diversificada que jamais imaginavam existir. Isso, inclusive, em relação aos artistas locais. A onda pegou e ganhou os espaços culturais dos bares — muitos dos quais estão adotando a expressão Música Plural. O surgimento de um fórum para encontros, trocas de idéias e busca de saídas criativas, capazes de fazer pequenas diferenças, para o fortalecimento da diversidade musical brasileira aconteceu por decorrência natural dessas movimentações.
Esse movimento se chama Música Plural Brasileira?
A troca do “P” de Popular pelo “P” de Plural visa apenas chamar a atenção das pessoas para a diversidade da nossa música. Precisamos de música para divertimento e lazer, mas precisamos também daquela que nos faz pensar, refletir, sonhar, vaguear por dentro de nós mesmos. Não há qualquer pretensão de criação de rótulo. Além disso, a sigla MPB fica preservada.
Qual é a dinâmica que vocês encontraram para a condução das discussões?
As reuniões são itinerantes e acontecem em média duas vezes a cada mês. Raramente há pauta prévia. Quando chega a hora de começar, quem está presente contribui para a preparação da pauta. Daí, a coordenação conduz o processo e o responsável pela secretaria executiva faz um registro dos encaminhamentos. O principal resultado prático obtido pelo fórum, desde março de 1999, foi a quebra das arestas entre pessoas ligadas a estilos diferentes. Dentro da compreensão de que é preciso ter zelo coletivo pela música, independentemente de tema ou forma, as reuniões do fórum contam com a participação de roqueiros, MPB tradicional, música regional, hip hop , eruditos etc. O respeito ao outro, o respeito aos diferentes têm sido um grande avanço. Outra vitória muito interessante do fórum é o rompimento com a tentação de ficar amarrado, falando mal, para sair em busca de saídas inventivas, muitas vezes bastante simples de serem postas em prática. Para que isso fosse possível, acordamos o lema “Paciência, Paciência, Paciência”. É quase um mantra que nos anima a compreender que os problemas da música não nasceram ontem e que as soluções também não serão instantâneas. Esse “mantra” joga bons horizontes na frente das pessoas e começa-se a pensar no longo prazo, evidentemente, tratando de definir que passos e caminhos precisamos seguir para chegar a esses horizontes vislumbrados. Nessa tarefa de ir colocando sonhos em ação, alguns passos também já foram dados no sentido de conquistar o direito de oportunidade de quem faz música poder mostrar e das pessoas poderem ter acessos ao que se faz, para poder optar. Desse jeito, vamos fazendo coisas leves e avançando. Temos um site na internet, videoplipes de artistas locais no Festival de Cinema, na TV Ceará, algumas empresas com CDs de boa música na espera telefônica e, principalmente, um clima de valorização musical em Fortaleza. Há uma certa borbulha de aquecimento cultural na cidade em fase de sintonia.
Que tipo de engajamento vocês sentem da comunidade artística da região?
Existe a percepção dos muitos e diversificados talentos, existe a crença de que é possível alcançar mais e mais degraus na conquista do reconhecimento, mas ainda se reluta na hora de algumas ações renovadoras. Na verdade, passou-se muito tempo inventando coisas que não deram certo. No Fórum da Música, procuramos nos esforçar para mostrar que nada foi feito em vão. Mesmo os erros, os delírios criativos e as confusões foram importantes para a caminhada. Hoje, só podemos estar vivenciando essa experiência plural do fórum porque no passado muitas pessoas se mexeram para fazer acontecer coisas, quer tenham sido reconhecidas ou não como deviam. O Ceará tem bons compositores, arranjadores, intérpretes e instrumentistas. Tem bons estúdios e até uma fábrica de discos, que é a CD+. Muito tem sido construído com dedicação, trabalho e engajamento disperso. E é nesse ponto da dispersão que o fórum pode contribuir para fomentar a cultura da cooperação, da complementaridade, da pluralidade e da catálise.
Quais os objetivos já alcançados? Quais são os objetivos a curto, médio e longo prazos?
Um objetivo alcançado é o fato de o fórum acontecer voluntariamente desde março de 1999, sem estresse e sem sobrecarga para qualquer de seus participantes. Munidos da compreensão de que é o comportamento da sociedade que determina o desenvolvimento e que o interesse comum pode levar diferentes à convergência, os integrantes do Fórum da Música saem das reuniões prontos para aplicar o conhecimento gerado de maneira coletiva em sua vida particular ou reproduzir em outras experiências também coletivas. O principal produto do Fórum da Música Plural, como instância autônoma do Pacto de Cooperação do Ceará, é o próprio processo, é a movimentação, a mobilização, a catálise. O fórum não faz nada, não realiza, apenas catalisa forças de agentes sociais complementares, através da informalidade, da virtualidade, da valorização da intuição, da flexibilidade e da convergência.
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OPINIÃO
O Povo, 14/02/2001
Reunião do Pacto traça metodologia de ação
Aconteceu ontem, no auditório do Centro Dragão do Mar, a terceira reunião do Pacto pela Requalificação Urbana e Dinamização da Praia de Iracema. Na pauta não estavam previstas discussões sobre a especulação imobiliária, as casas de prostituição, a poluição sonora dos bares, entre outras questões que levaram à criação do pacto. O objetivo desta reunião era conhecer experiências anteriores com Pacto de Cooperação e fóruns paralelos para traçar as futuras ações.
Foram convidados o jornalista Flávio Paiva e o empresário da área de turismo Francisco de Assis Bezerra de Menezes (o Crica) para explanar sobre suas experiências. Flávio fez uma análise usando como exemplos questões semelhantes enfrentadas pelo Pacto de Cooperação, desde sua criação há 10 anos. Salientou a necessidade de se reconhecer os problemas em comum e abandonar os interesses particulares. “Não podemos matar esta galinha dos ovos de ouro que é a Praia de Iracema”, comparou. Também discorreu sobre métodos de trabalho já usados no Fórum da Música Plural, do qual é coordenador.
Francisco de Assis B. de Menezes apresentou sua experiência a partir do Fórum do Turismo , do qual já foi coordenador, deixando, inclusive, uma proposta de metodologia de ação para o Pacto da Praia de Iracema. A partir daí, Pádua Araújo, diretor-presidente do Centro Dragão do Mar, coordenou os trabalhos, ouvindo outras propostas encaminhadas pelos cerca de 60 participantes da reunião.
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OPINIÃO
O Povo, Economia, 23/07/2000
Cultura também produz riqueza
Por Rodrigo de Almeida
Na era do conhecimento, a cultura deixa de lado o caráter supérfluo para poder gerar riqueza, absorver mão-de-obra e ajudar na desconcentração de renda do País. No Brasil, embora o investimento em cultura ainda seja pequeno, o impacto da indústria cultural na economia é de 1% do PIB, um percentual relevante se comparado a setores estratégicos como saúde e educação. Sair do status de potencial para a prática de desenvolvimento econômico é o grande desafio de quem faz, produz e consome bens simbólicos no País.
(...)
Província com cara de metrópole
Para o jornalista e compositor e um dos coordernadores do movimento Música Plural Brasileira, Flávio Paiva, alguns exemplos servem para comprovar a vitalidade cultural cearense: "Podemos observar os bares culturais que conseguem descentralizar a movimentação cultural, os festivais de quadrilha juninas que acontecem por um esforço de resistência da periferia, a efervescência criadora da nossa gente das artes plásticas, do teatro, da música, da dança e de outras manifestações mais ou menos articuladas". Segundo ele, o que tem dependido da inventividade e malabarismo operacional para fazer as coisas acontecerem, os cearenses só merecem aplausos.
Se é assim, por que o Ceará não consegue se transformar numa referência nacional? "Na verdade, temos alguns obstáculos a serem superados, dentre os quais o receio de falar, de discutir abertamente esses gargalos", afirma o compositor. "Fortaleza tem uma cara imobiliária e demográfica de metrópole, mas é uma província, com todas as limitações de mando, dependência e controle oficial que uma cidade do Interior tem", completa.
Na avaliação de Paiva, para termos um ambiente capaz de satisfazer nosso desejo de expressão artístico-cultural e representar, de forma decente, fonte de renda para a população, "precisamos definir uma visão de futuro, de destino, de sociedade". E conclui: "Sem saber para onde vamos coletivamente, ficamos dependendo da loteria de brilhos individuais". Nessa equação, porém, ele se revela otimista: "Temos boa matéria-prima para dar esse salto. Falta levantar a cabeça". (R.A)
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OPINIÃO
O Povo, Informática, 08/05/2000
Eu e o Micro: “Estou numa fase de transição”
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Quando o computador chegou a sua vida, Flávio Paiva não fez muita festa. “Não tive nenhum deslumbre especial. Também nunca tive uma sensação de estar usando algo esquisito”, diz ele. “Na época, eu já estava saindo da máquina de escrever normal, passando para a máquina eletrônica, aquelas IBM, que também têm uns comandos”.
“No início, eu tive um computador na empresa. Da mesma forma, a Internet chegou primeiro no trabalho e depois coloquei na minha casa”. Segundo Paiva, também a Grande Rede não conseguiu tirá-lo do sério. O jornalista e produtor cultural continua assinante dos principais jornais, apesar de também verificar notícias na Internet. “Ainda estou numa fase de transição, que pode não ser”.
“Uso correio eletrônico, mas continuo a fazer minhas cartas a mão. Gasto de correio mais de R$ 100,00 por mês”, diz ele. “Intensifiquei profundamente a correspondência com o correio eletrônico, que se abre na hora que pode, é mais rápido. Mas gosto de mandar recorte que achei a cara de alguém, essas coisas. Para escanear e mandar por e-mail, não tem o mesmo valor tátil”, argumenta.
Mesmo com as limitações, Flávio sente-se muito beneficiado pelo micro e pela Rede. “O que me enche o saco é a quantidade de malas. As mais variadas malas diretas e também os chatos que te mandam dez e-mails na semana dizendo a mesma coisa. Alguns eu elimino na caixa de entrada. Já pedi que se deletem automaticamente”, diz.
Em compensação, a experiência de ter seu e-mail publicado no rodapé de seus artigos semanais é uma das coisas mais gratificantes que lhe trouxe o computador aliado à Internet.
“Além de não precisar mais mandar um motoqueiro com um disquete para o jornal, eles têm me possibilitado uma interação direta com quem é tocado por aquele assunto. Quando eu trabalhava na redação, a gente recebia uma carta aqui e ali. No e-mail, as pessoas parecem que escrevem com mais facilidade. Entendo tudo como um zelo, em sinto como sendo cuidado por essas pessoas. E quem não gosta de cafuné?”.
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OPINIÃO
Verso - música, cds, dvds
VERSO PARA O SÉCULO 21
Apresentação: Verso para o século 21. 33 idéias para uma trilha sonora do Terceiro Milênio. Músicas do século 20 - e de outras eras - que "loucos por música" desejam ouvir na Nova Era. Um presente da Verso para você.
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"Senhas, de e com Adriana Calcanhoto. "Essa música sinaliza uma nova visão do mundo que chega, ao mesmo tempo que joga pelo ralo os conceitos que nos aprisionam ao século que termina" (Flávio Paiva, jornalista e compositor)
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OPINIÃO
Diário do Nordeste, Caderno 3, Fortaleza, 28 de fevereiro de 1999
O inclassificável Flávio Paiva
O jornalista, escritor e compositor Flávio Paiva faz 20 anos de uma diversificada produção alternativa, ganha seu nome na galeria de arte do Pilão da Madrugada e se prepara para lançar o terceiro CD autoral
Quem o conhece bem sabe que Flávio Paiva é escorregadio na hora de dizer o que pretende fazer. Sempre procura mostrar o que está pronto, terminado. Estimulado por uma trajetória de duas décadas de vivências no campo da produção alternativa, abre mão dessa prerrogativa e revela a intenção de lançar, até maio próximo, o CD “Samba-le-lê”, com seus cantos infantis, interpretados pela cantora Olga Ribeiro e direção musical de Tarcísio Sardinha. “São oito músicas inéditas, uma regravação e uma versão de “Lutin”, do compositor chileno Victor Jara”, antecipa. No próximo dia 20 de março completa 40 anos e aproveita a data para acompanhar in loco o lançamento paulistano do seu segundo CD Terra do Nunca, num show das cantoras Anna Torres e Vange Milliet, no Centro Cultural de São Paulo. Quanto ao fato de ter recebido uma galeria de arte com o seu nome, no Pilão da Madrugada (o mais novo point cultural de Fortaleza), diz que entra em festa com a alma de Nélson Cavaquinho, o saudoso compositor para quem as homenagens deveriam ser feitas em vida.
Defensor contundente da idéia de valorização de uma cultura mestiça e plural, fundamentada na compreensão de que é na “diversidade inventiva” onde descansa a maior riqueza do País, Flávio Paiva optou por caminhos pouco usuais na condução das suas crenças. “Sempre desconfiei do conceito de felicidade determinado pela lógica do consumo, do poder e da aparência. Vi que, por esses caminhos postiços, ser feliz é muito pouco. Desde cedo procurei querer mais. Percebi que, ressalvados alguns casos incomuns, as oportunidades somente estão postas para quem tem pedigree político, econômico ou acadêmico, o que nunca foi o meu caso. Então, para poder viver de forma mais intensa, procurei abraçar as oportunidades desse mundo quântico, focando mais ou menos minhas relações em alguns campos independentes e suas naturais interseções: amigos e familiares, atividade profissional e um terceiro, que é a zona franca de pensamento e produção autoral do sistema alternativo”.
Apesar da tentação artística persegui-lo desde a infância, em Independência, interior do Ceará, foi em 1979, já morando em Fortaleza, que Flávio Paiva sentou em grupo para discutir a questão da arte. Naquele momento estava sendo criada a Cooperativa de Escritores e Poetas, liderada pelo poeta Farias Frazão (1950-1982) autor do livro O Barulho do Silêncio. “Com essa idéia de cooperativismo viajamos, na época, por vários estados brasileiros, com a intenção de montar uma rede de autores independentes. Chegamos a ter uma banca de revistas na praça da Faculdade de Direito. Nosso sonho era um grande intercâmbio auto-sustentável. Falhamos no gerenciamento, que pretendiamos compartilhado”, explica. Tempos depois, viu finalmente vingar outro projeto coletivo que ajudou nos primeiros passos: a Oficina de Quadrinhos e Cartuns da UFC, conduzida pelo professor Geraldo Jesuíno, e que há mais de dez anos prepara crianças e adolescentes na técnica da chamada arte sequencial.
Para o autor de Retirantes na Apartação, arte é um substantivo não-governamental que também não combina com neoliberalismo. “É importante a participação promotora e reguladora do Estado e a existência consumidora do mercado, desde que haja condições de acesso da sociedade ao que se produz, para que as pessoas possam optar de forma menos induzida. Caso contrário, ambos são esteticamente perversos e o sucesso passa a ser medido por vendagens, horas de exposições pagas na mídia ou por premiações articuladas em bastidores muitas vezes pouco recomendáveis”, pondera Flávio Paiva, lembrando que o “processo de inteirização do planeta” exige concentração na comunidade, onde ainda são preservados os laços de reconhecimento do outro como semelhante.
O desenvolvimento local e a relação cultural comparativa com outras fontes, são condições indispensáveis para garantir a diferença como valor contemporâneo, na opinião de Flávio Paiva. Por isso, comenta, está sempre empenhado em manter suas “raízes e antenas” bem cuidadas. “Sou partidário da desconcentração dos palcos de Fortaleza. A cidade não pode ter apenas a Praia de Iracema como área de lazer cultural. Pode ser bom para algum turista efêmero ou para avarentos mercadores, mas é péssimo para o conjunto da população. Tenho lançado meus trabalhos preferencialmente fora desse pólo. Lancei o América, no Parque do Cocó; o Rolimã na sede da CDL; na turnê do Terra do Nunca, inclui o bairro da aerolândia, o Teatro José de Alencar e a praia de Canoa Quebrada; a revista Complexo B, foi lançada na AABB de Fortaleza e no Sebrae de Juazeiro do Norte; o Retirantes na Apartação, provocou um seminário sobre jornalismo e literatura na UFC e, mais recentemente, o videoclipe da música Xote para Sêneca, acabou em festa na Associação de Moradores do Serviluz”, recorda.
Mesmo como autor e co-autor de livros como o Gestão Compartilhada – o Pacto do Ceará, o Guia de Praias do Ceará ou A Face Viva da Ilusão, e produzindo jornais, revistas, videos, histórias em quadrinhos, colunas alternativas ou como jornalista de segundo caderno, ao longo de duas décadas Flávio Paiva tem influenciado diretamente a formação da nova geração da música no Ceará. Essa participação está refletida nas parcerias e nos agradecimentos expressos nas capas dos discos dos principais artistas cearenses produzidos nesse período. “Começamos a formar uma geração a partir do vértice zero, sem muitas referências construtivas, e acho que encerramos os anos 90 com um grande salto qualitativo. O show que fizemos no Parque do Cocó, unindo em um só palco as cantoras Karine Alexandrino, Kátia Freitas, Válerie Mesquita e Mona Gadêlha, por ocasião da festa de aniversário da revista em quadrinhos do Capitão Rapadura, foi um exemplo de fato revelador”.
Flávio Paiva contribuiu para a fermentação local animando pontes com artistas de outros estados brasileiros. Foi um dos primeiros jornalistas do país a assinar texto reconhecendo o talento, a consistência e sinalizando para a permanência de nomes como Adriana Calcanhotto e Chico César. Em um desses contatos, incentivou o violonista Cláudio Lucci, então dono do selo paulista Camerati, a fazer uma fábrica de CDs no Ceará. “Foi no restaurante do Faustino, na hora do irresistível sorvete de manjericão. O Cláudio tinha vindo a Fortaleza para o lançamento do Rolimã e ficou impressionado com o nosso ambiente musical. Quatro anos depois, temos aí a CDÁ, uma bela fábrica de discos na Caucaia, com tecnologia de ponta, coroando essa conquista”, diz com satisfação.
Como criador e coordenador do projeto Brahma Cultural, de 96 a 98, Flávio Paiva trabalhou o conceito de música plural brasileira, ampliando o circuito para a música local, com direito a convidados especiais de outros estados, em bares da cidade, a exemplo do Sexta com Arte, no Sindicato dos Jornalistas; do Aerocanta, no The Wall, das apresentações no Domínio Público e do histórico show da cantora Kátia Freitas na Biruta. “A marca Música Plural Brasileira foi disponibilizada para quem acredita na força da nossa diversidade criadora. O primeiro disco com essa chancela é o Saculeja, do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo. A rádio FM 100 de Itapipoca colocou no ar um programa musical com esse nome e a cantora Marta Aurélia vai colocar no CD “Síntese” que pretende lançar ainda neste semestre”, conta.
Além do reconhecido zelo pela questão dos Direitos Autorais e pela qualidade artística e técnica das produções locais, Flávio Paiva tem inspirado o contexto de fortalecimento da importância da palavra na nossa música, ao lançar dois CDs de autor, nos quais rompe com o discruso poético tradicional. Isso, sem contar com parcerias gravadas nos discos de Abidoral Jamacaru, Régis e Rogério, Falcão, Marta Aurélia e na coletânea do Canta Nordeste, edição em que o Ceará obteve a sua melhor performance no disputado festival da Globo, quando Ricardo Black ganhou o troféu de melhor intérprete.
“Há poucos dias, fiquei admirado quando li uma entrevista com o Chico Buarque, na qual ele afirma ter em casa algumas dezenas de gavetas com melodias que muitos compositores mandam para ele fazer letras, mas não tem uma só gaveta com letras para musicar. É um sinal de escassez da palavra. Mesmo correndo o risco de incompreensões num mercado viciado e desigual, defendo o compromisso do autor com a essência da sua obra. Não faz sentido nivelar por baixo para atingir indicadores de sucessos duvidosos. Precisamos insistir no discurso, na expressão com significados. Sem o verbo, somos meros animais”, arremata categórico.
E sempre procuro fazer o melhor possível, sem neuras ou ambições que possam violentar a pureza contida em cada trabalho”. Sem a proteção de um rótulo específico que o defina no meio cultural, Flávio Paiva diz que prefere recorrer a uma expressão do compositor paulista Arnaldo Antunes, e ficar no rol dos inclassificáveis.
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OPINIÃO
Jornal O POVO – Vida & Arte/Sábado, 02/01/1999
Perspectiva - Sementes cotidianas de esperança
Catando um dedo de prosa, o Vida & Arte pincelou alguns personagens para falar sobre otimismo. Na rua, o dia chuvoso arejou a esperança da gente anônima.
“O otimismo brota em mim como uma espécie de disposição intuitiva, capaz de identificar passagens secretas nos labirintos da arte de viver. Tenho a sensação de que sou otimista de nascença e que, ano após ano, essa atitude vai ganhando múltiplos reforços estimulados pela operacionalização da vida. Sinto-me na pele de um prisma bruto, sempre afoito aos prazeres da luz. Talvez seja da minha vocação acreditar que as coisas estão postas para dar certo, desde que a gente não atrapalhe muito, cultivando preconceitos fora de validade, nem caia nos devaneios de um improvável otimismo absoluto ao remover crostas e renovar energias vitais.
Flávio Paiva – jornalista e compositor
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ENTREVISTA
Jornal O POVO – Eleições, 14/09/1998
Polêmica sobre financiamentos
Beto Almeida, com colaboração no debate de Janaína de Paula, da Editoria Vida & Arte)
Que medidas deverão nortear a política cultural no Ceará? O estado vive um momento de retomada dos investimentos em cultura, mas de que maneiras as ações devem ser direcionadas? Para das subsídio a essas questões, O POVO convidou para um debate sete agentes culturais, com experiências e visões próprias da difícil arte de trabalhar em um setor ainda desorganizado para o mercado. O impacto da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (Lei Jereissati) e os problemas decorrentes dos critérios de financiamento acirrou o ânimo dos debatedores e externou a insatisfação existente entre os produtores culturais do Estado. Ao final, comprovou a carência de discussão sobre o tema, segundo constatou o jornalista Flávio Paiva, um dos participantes do debate, que também teve a presença do secretário estadual da Cultura, Nilton Almeida, de dois ex-secretários da mesma pasta, Augusto Pontes e Paulo Linhares, candidato a deputado estadual, do arquiteto Romeu Duarte, do teatrólogo Oswald Barroso e da vereadora Luizianne Lins (PT).
O POVO – Que avaliação pode ser feita atualmente do estágio de desenvolvimento da indústria cultural no Estado?
Flávio Paiva – Na minha compreensão, nos últimos anos passamos a ter os primeiros impulsos da presença de uma política cultural da parte do governo. Da parte da sociedade ainda está profundamente carente de ser estimulada. Antes, a Secretaria era entregue às articulações para montagem de escritórios beletristas em que ficavam as turminhas por ali e tal. É inegável a presença da Secult, principalmente na parte da qualificação, na proposta do cinema e de uma série de coisas diferenciadas. Agora, sinto uma ausência grande do estímulo à participação das outras idéias.
(...)
O POVO – Apesar dos avanços que a Lei Jereissati produziu na produção artística, existem queixas quanto à limitação de recursos e em relação aos critérios utilizados pela Secretaria da Fazenda na liberação dos certificados que autorizam o desconte de verbas investidas na cultura. Por quê isso acontece?
Flávio Paiva – Tenho percebido uma regressão da lei, um processo de amofinamento a partir do momento da limitação em R$ 320 mil mensal. Isso é um atestado da incompreensão que o próprio Governo está tendo do tamanho do monumento que ele criou. Primeiro, porque os 2% de ICMS que talvez dessem em torno de R$ 2 milhões mensal, era essa a média se todo mundo aplicasse, temos aí um dado de que são investidos R$ 4 milhões por ano. Na realidade estamos aproveitando de recurso potencial apenas dois meses em um ano. Faz parte do processo, estamos no terceiro ano da lei, mas isso me preocupa bastante.
(...)
O POVO – Como os produtores culturais devem se organizar diante do mercado?
Flávio Paiva – Essas coisas eu não me preocupo muito. Se o assunto foi só Lei Jereissati é porque isso é o atestado da carência de discussão. O Dragão do Mar mereceria alguma discussão, agora pegar todas as questões de cultura e jogar em uma discussão de duas horas, efervescente, não tem como fazer.
(...)
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OPINIÃO
Jornal O POVO – Vida & Arte, 13/05/1998
Falta uma política cultural da Prefeitura de Fortaleza
Janaina de Paula (da Editoria do Vida & Arte)
Um malabarista equilibrando pratos em movimento na ponta da vareta. Caricaturando, é mais ou menos assim que o jornalista e compositor Flávio Paiva vê a atuação de Cláudio Pereira à frente da Fundação Cultural ao longo desses anos. “Fatalmente uma hora esses pratos desabariam”, salienta Flávio, que aposta na mudança como uma luz que se abre em torno da ausência de uma política cultural da Prefeitura.
Tai o “x” da questão que fez com que a administração da Fundação Cultural fosse à bancarrota: a falta de uma política cultural consolidada pela Prefeitura que vem tratando a área como algo supérfluo e secundário. Pelo menos é a opinião de boa parte dos artistas, cineastas e músicos ouvidos pelo Vida & Arte a respeito. O jornalista, diretor e dramaturgo, Oswald Barroso, vai mais longe. Ele acredita que Cláudio Pereira foi vítima da própria timidez em sua política cultural. “na gestão da Maria Luiza, ele costumava destacar que devolvia dinheiro para áreas que julgava mais importantes, como educação e saúde. Essa visão acanhada fez com que a prefeitura tratasse cultura como uma coisa secundária”, diz Oswald.
Já o artista plástico Sérvulo Esmeraldo acredita que se os tais pratos despencaram foi por conta do cansaço do malabarista. “É inegável a competência e dedicação do Cláudio Pereira, mas é muito perigoso a pessoa se eternizar à frente da Fundação, como do Museu da Universidade Federal do Ceará, dos teatros, etc. Acaba se acomodando”, avalia Sérvulo. O artista também responsabiliza a Prefeitura de Fortaleza pela saída de Cláudio Pereira: “Pelo jeito a Fundação não tinha força. O Cláudio é uma pessoa muito dinâmica e se não fazia é porque faltava apoio da Prefeitura”.
O cineasta Nirton Venâncio também sai em defesa de Cláudio Pereira: “Fiquei triste e surpreso porque o Cláudio é uma pessoa muito batalhadora e saiu porque não conseguiu segurar as pontas”, lamenta. Se segurar as pontas significa fazer cultura sem gastar um tostão, os prognósticos são desanimadores. “O Guaracy Rodrigues (novo Presidente da Fundação), da mesma forma que o Cláudio Pereira, é uma pessoa competente mas sem decisão da Prefeitura de investir na área não tem como fazer milagre. É necessário que haja uma mudança de postura da Prefeitura em relação à política cultural, senão fica tudo na mesma”, diz Flávio Paiva. Oswald é ainda mais incisivo: a Fundação sempre foi gerenciada seguindo a política do varejo. Dois tostões pra uns, dois pra outros e nada de uma política consolidada. Hoje não tem patrimônio, a não ser sua sede”.
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Opinião
O POVO - People
Fortaleza, 11/01/1998
Ensaios & Anseios
Por Kiko Bloc-Boris
Começar de novo ou até 1998 começar?
Embarque!
Dizem que o ano só inicia depois que o carnaval terminar. Então, que venham as festas e que festejemos as boas vinda. Enquanto isso, o cara aqui da Bol$a de Valore$ abre mão de seus desvarios e dá uma mãozinha a quem tem valor, pedindo a essa gente do bem que deseje a si e a quem puderem o que gostariam que 1998 possibilitasse a todos.
Atendem!
12 personas gratas, responderam aqui a seguinte sequência:
"Com o valor do seu talento e tendo alguém pagando pra ver, o que você realizaria em 98, que lhe satisfaria profissionalmente e seria lucro para muitos?"
[...]
"Uma coisa que me preocupa e que se bancassem eu contribuiria para formar, era uma cultura turística decente para o Ceará, com uma compreensão da importância do turismo de longo prazo, que só é possível quando existe auto-estima e valorização cultural, sem cair no ganho fácil e imediatista". Flávio Paiva, jornalista e co-autor do Guia de Praias do Ceará."
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Opinião
Jornal O POVO – 08/11/1997
No Ceará...
Sim, o leitor quer mais opções de produtos jornalísticos culturais. Pelo menos no Ceará. O Estado se destaca na região Nordeste pelo fato de que dois jornais — O POVO e Diário do Nordeste — editam suplementos distintos do conceito famoso do Caderno 2.
[...]
Não é de hoje que o Ceará é uma referência regional. Nos idos de 1950, o Ceará não fez feio diante da efervescência de suplementos culturais no cenário nacional. O POVO editava o macarajá, que se tornou referência para debates de cultura. Os registros da época, no entanto, não são precisos sobre o suplemento pioneiro no Ceará que abordava as manifestações artísticas e culturais.
“Os cadernos locais têm seguido uma linearidade. Eles sempre tiveram uma cara meio parecida. A gente tem o mérito de há muito tempo ter despertado para a produção desses suplementos”, afirma o jornalista Flávio Paiva.
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Entrevista
O POVO - Vida & Arte
Fortaleza,
06/08/1997
TERRA DO NUNCA
Ceará, Maranhão e São Paulo . O espírito de quem faz Música Plural Brasileira é assim: híbrido. Busca estreitar fronteiras e sente prazer em andar à margem de rótulos ou movimentos musicais. O jornalista, escritor e letrista cearense Flávio Paiva tá nessa. Acaba de tirar do forno Terra do Nunca , segundo disco autoral depois de Rolimã . Pra interpretar sua poesia chamou a cantora maranhense Anna Torres. De quebra, contou com o auxílio luxuoso do contrabaixista paulista Paulo Lepetit, que ainda assina todos os arranjos. Gravado no estúdio Lepetit Comitê, em São Paulo, Terra do Nunca é dedicado ao índio pataxó Galdino, que foi queimado vivo em Brasília.
V&A: Terra do Nunca é seu segundo disco, digamos, autoral. Que sentimento move esse trabalho?
Flávio Paiva: O sentimento de fazer esse disco com observações e uma linguagem mais urbanas tá ligada a um certo receio de Fortaleza acabar ficando maior do que a nossa capacidade de acompanhá-la. Meu medo é a gente ficar tudo com medo dentro de casa e as ruas cheias de violência. Se a gente aprender a andar nas ruas, a virar a noite, a viver a cidade, ela tem muito mais chance de ser uma cidade mais tranquila do que se todos resolverem se trancar dentro de casa e deixas as ruas entregue aos ratos. Então daí esse tratamento urbano. O que aconteceu? Reuniram-se três migrantes, de diferentes regiões do país, pra pegar o que têm em comum e fazer uma releitura da cidade.
V&A: É muito diferente do Rolimã, trabalho anterior?
Flávio Paiva: O Rolimã é um símbolo da criatividade infantil para quem tá nas ruas, é um disco de calçadas. É a mesma coisa que eu faço hoje quando falo em Fortaleza. Mas o Rolimã foi um presente da minha mulher, a Andréa, ou seja, ela que resolveu convidar meus amigos pra cantar. Achei legal e embarquei na história. A situação agora é então bem diferente. Esse disco surgiu da minha própria inquietação. Mas veja: tudo o que eu faço tá atrelado aos valores fantásticos que absorvi na minha infância. Nasci num interior super pobre, numa família de classe média dessa interior super pobre, mas tive uma infância profundamente rica. Fiz todas as coisas que toda criança do interior faz: pastorar ovelhas, cortar capim... Mas com uma conquista de uma liberdade: podia jogar futebol; junto com mais dois amigos, em 73, participei de uma banda cover dos Secos & Molhados - nos apresentamos em vários municípios do interior com cara pintada e tudo -; atrelado a isso tinham os grupos de teatro do município... Enfim... E nos sábados ainda ajudava meu avô na bodega. Essa bodega do meu avô era na Praça do Mercado. Ali tavam os cordelistas,os violeiros e eu adorava aquela história. A gente musicava muito cordel... Paralelo a isso, eu era leitor fiel da revista Pop, que seria a Bizz melhorada de hoje. Então a gente consumia Pink Floyd, Suzi Quatro, o Peso, uma das principais bandas de rock no Brasil dos anos 70... escutava Stevie Wonder, Brad, Beatles, Led Zeppelin, Black Sabbath... Isso tá muito dentro de mim.
V&A: Por que muito pouca gente se interessa em conferir um show ou ir na loja comprar um disco de algum artista cearense? Que desinteresse foi esse que ficou desde o Pessoal do Ceará?
Flávio Paiva: Olhe, eu vou contestar... Eu desconheço um artista no Ceará que tenha feito um show do tamanho do que o que a Kátia Freitas fez no último dia 17, na Biruta. Vim morar em Fortaleza em 76 e me lembro de um show do Ednardo no Paulo Sarasate que talvez somasse umas 500 pessoas, onde ele disse: "Eu sonhei que um dia eu cantaria na minha terra para uma platéia imensa e tal". E essa platéia imensa era muito menor do que a que foi pro show da Kátia no Biruta. Eu adoro o Ednardo. Mas acho que estamos no melhor estágio que já vivemos na nossa música desde que o Pessoal do Ceará foi pro Rio de Janeiro. Em termos de música alternativa, isso acontece não só no Ceará, mas em todo Brasil. A dificuldade pra se perceber isso é porque a gente se viciou em movimentos, em rótulo: Tropicália, Pessoal do Ceará... Fantásticos! Só que agora é diferente... A dimensão é múltipla. O Brasil tá estourando em todos os lugares e o que tá surgindo é o que eu chamo de Música Plural Brasileira. Não precisamos mais de movimentos.
V&A: E o que é exatamente Música Plural Brasileira?
Flávio Paiva: É a gente sair dessa coisa de localizar na região. A bossa nova é uma música regional carioca que atingiu o Brasil. Tanto quanto o baião, tanto quanto o boi do Maranhão. O samba é símbolo da música brasileira por decreto do presidente Getúlio Vargas. Não foi natural. O rádio estava chegando ao Brasil, o presidente transformou o rádio num instrumento de promoção do nacionalismo, precisava de alguns símbolos e o samba foi escolhido como arma. São gêneros fantásticos, mas o Brasil não é só samba, só bossa ou só baião. É tudo isso. Então, o que ninguém tá percebendo é que existe um país nascendo musicalmente de uma maneira diferente, independente de rótulos ou de gravadoras. Agora, quantos morreram nessa batalha pra se chegar a isso? Por exemplo: tem um cara no meu disco, marginalizado, que foi simplesmente o responsável pela introdução da harmônia na guitarra brasileira: esse cara chama-se Lanny Gordin. Foi ele quem fez os principais discos da Tropicália. Então, pessoas como o Lanny, o Bocato, o Itamar Assumpção criaram um adubo pro que tá nascendo hoje.
V&A: Já se faz Música Plural Brasileira por aqui?
Flávio Paiva: Ainda não. Porque não tem cultura urbana. Só vai ter quando os nichos do sertão, litoral e cidade tiverem mais próximos. Agora, nós temos potencial. Falta explorar mais fundo essa diversidade. Olhe, temos Evaldo Gouveia e toda essa linha de canções românticas que ainda pode ser muito bem explorada em cima da obra de gente como Vilamar Damasceno, por exemplo... Isso é uma vertente. Nasceu no Ceará o maior compositor brasileiro desse século, que se chama Humberto Teixeira. O cara inventou o baião, pôrra, que é tão importante pra cultura brasileira quanto as esculturas do Aleijadinho. Temos um cara que não nasceu no Ceará, mas foi cearense mais do que ninguém, o Luiz Assumpção. Isso tudo tá tudo posto. Aí na área pop a gente tem a Kátia Freitas, Vallery Mesquita, Karine Alexandrino... Na área da MPB temos a Carol Damasceno, o David Duarte... Tem esses que tratam mais da cultura do sertão, que é o caso do Eugênio Leandro. Minha amiga, é incrível o que se pode com essa biodiversidade musical.
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Entrevista
Diário do Nordeste - Caderno 3
Fortaleza, 27/07/1997
“O Brasil tem uma força musical renovadora”
Nesta entrevista, Flávio Paiva expõe a razão de ter optado pelo pop em seu novo disco e joga um olhar otimista sobre o atual momento da música brasileira.
Diário – Você não canta nem é músico e no entanto já está lançando um segundo disco. Como explicar essa relação?
Flávio Paiva – A música faz parte das pessoas e pode ser exercitada de muitas maneiras. Certa vez, e isso já tem mais de 20 anos, ganhei um livro de uma amiga do Paraná chamada Niede d'Aquino, cujo título é “Você é a Música”. Este livro foi muito importante na minha decisão de aceitar o envolvimento com o mundo musical sem cobranças de ter que cantar ou tocar um instrumento. A voz ou o violão, por exemplo, são como o próprio nome diz instrumentos para a execução das nossas expressões sonoras. Na verdade, nunca fui muito apegado à disciplina necessária para aprender a tocar um instrumento. Estudei violão e cantei em coral. Foram exercícios dispersos que acabaram servindo para uma melhor compreensão desse universo. Minha relação com compositores e intérpretes flui naturalmente para parcerias, algumas vezes como letrista musicado, outras colocando letra em melodias que me agradam e, mais raramente, dividindo com o parceiro o momento da criação lítero-musical. Acontece também de certas letras já sugerirem com uma musicalidade bem própria e, nestes casos, acabo compondo também a melodia.
- Em 1992 você produziu, em parceria com a cantora Olga Ribeiro, o LP “América” e dois anos depois fez o CD “Rolimã”, seu primeiro trabalho como autor. Em ambos, os arranjadores, músicos e intérpretes são cearenses. Por que agora, você optou em fazer o “Terra do Nunca” com gente de fora do Ceará?
Flávio Paiva – Há tempos eu vinha com um comichão meio esquisito para fazer um trabalho com referências migrantes e urbanas. Quando há três anos, na ilha de São Luís, o compositor Josias Sobrinho (“Engenho de Flores”) me aproximou da cantora Anna Torres, senti imediatamente um magnetismo estético incomum. Ela é uma cantora muito especial. Daí, espontaneamente passamos a trocar idéias, a compor e a projetar um trabalho conjunto. Já com o Paulo Lepetit foi um pouco diferente, embora com a mesma intensidade. Eu já conhecia o trabalho do Paulinho como baixista a banda do Itamar Assumpção e um pouco da sua produção individual que o Luís Calanca, da Baratos Afins, tinha me mostrado. Quando ouvi o disco da Vange Milliet, que ele fez a produção musical, pensei comigo: “Este é o cara!”. Pouco depois saiu o CD do Itamar cantando Ataulfo Alves (“Para Sempre Agora”) e reforçou bastante minha intenção. Mas foi em uma conversa com a Mona Gadêlha, produtora executiva do “Terra do Nunca”, que concluímos ser ele a peça que faltava. Portanto, o fato de compartilhar o disco com uma intérprete e um produtor musical de outros estados, não tem qualquer ligação com juízo de valor relativo à qualidade técnica ou artística regional. A prova disso é a própria qualidade do “América” e do “Rolimã”, que, salvo uma ou outra exceção, foram arranjados e gravados por instrumentistas e intérpretes locais. Outro bom exemplo que encerra qualquer discussão nesse sentido é o CD da Kátia Freitas. Prefiro defender a liberdade sensitiva e profissional do artista do que ficar atrelado a limitações bairristas. Essa é uma possibilidade que a Lei Estadual de Incentivo à Cultura dá e que devemos segurar com determinação. Não devemos cair na conversa tacanha dos incomodados com a produção competitiva que tem surgido no Ceará. Para mim esse livre arbítrio é estratégico, arejador e indispensável a pontecialização do autor cearense. Se o Jorge do Bandolim, optou por gravar no Rio de Janeiro, o Marcus Britto escolheu São Paulo, o Cristiano Pinho, o Abidoral Jamacaru, o Edmar Gonçalves e o David Duarte preferiram Fortaleza, ou se o Ricardo Black está ou não gravando na Suíça, não importa. Para mim, o que está em jogo e o que mais me deixa feliz é sentir esses sons gerando um ambiente cada vez mais fértil e cheio de valores visíveis como há muito não tínhamos o prazer de escutar e apostar.
- É isso que no texto de apresentação do “Terra do Nunca” você chama de processo de “transfiguração da nossa Música Plural Brasileira”?
Flávio Paiva – É isso mesmo. O Brasil tem uma força musical renovadora quase impossível de ser mensurada, embora os canais de difusão dessa riqueza insistam em reduzir esse potencial a supostas tendências de estação. A expressão “Música Popular Brasileira” tornou-se um gênero tradicional que não traduz a diversidade existente no País. Por isso procurei contribuir para a atualização do conceito, preservando as iniciais MPB, por reverência e reconhecimento à heráldica da coisa. Então, tenho utilizado e provocado que outras pessoas, também comprometidas com essa diversidade, passem a falar de “Música Plural Brasileira”. Inicialmente cheguei a difundir a expressão “Música Contemporânea Nacional”, mas logo percebi que muita gente tem chamado de música contemporânea apenas o que se produz em viés experimental.Todos esses segmentos são peças do nosso grande leque de musicalidade mestiça e têm muita importância para o país, quer estejam na alma em brasa do movimento funk, que se alastra a partir da periferia, ou na sofisticação harmônica da bossa-nova, originada no seio da nata social carioca.
- Em seus textos jornalísticos você sempre recorreu a arquétipos para chegar ao leitor. Nota-se que esta característica também está presente em sues trabalhos com música. Por que a escolha desse caminho?
Flávio Paiva – Percebo essa tendência mas não a entendo exatamente como uma opção. Esta é uma questão que atribuo mais à intuição do que à razão ou qualquer fundamento teórico. A metamorfose da lâmpada elétrica em lamparina, que criei para chancelar visualmente o “Terra do Nunca”, é fruto da simbologia que na minha infância envolvia o ato de brincar com fogo. É a presença constante de Lutin, o elemental do fogo, mantendo aceso nosso espírito ardente. Sair de lamparina em punho para enfrentar os becos escuros de uma cultura urbana indefinida e provinciana é meio confuciano até. Mas clareando ou encadeando sempre acho que vale a pena arriscar saídas.
- Como você pretende fazer o lançamento do “Terra do Nunca”?
Flávio Paiva – Serão três shows em Fortaleza e um em Canoa Quebrada , encerrando a turnê de lançamento. Todos com a energia vibrante da Anna Torres e o suíngue maneiro da banda de Paulo Lepetit, que gravou o disco. Contaremos ainda com a participação especial do Bocato, o mais virtuoso dos trombonistas brasileiros, e, na apresentação em Canoa, teremos a presença marcante da promissoríssima cantora paulistana Vange Milliet.
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Opinião
Tribuna do Ceará - Entre Aspas
Fortaleza, 21/07/1997
Kátia Freitas amplia espaço na mídia
Kátia Freitas é um dos mais apreciados e reconhecidos talentos do Estado do Ceará. O CD de estréia da cantora e compositora cearense, "Kátia Freitas", lançado em outubro de 1995, no Theatro José de Alencar, é um dos mais executados em algumas FM's de Fortaleza e os shows que a artista tem realizado obtiveram sucesso de público e de crítica. [...] A artista agora alarga os passos em direção ao mercado nacional e lança o CD "Kátia Freitas" em todo o Brasil pela gravadora paulista Camerati. No repertório do CD o pop plural e moderno que define o estilo da cantora recebe enxertos naturais de nordestinidade e da música popular brasileira, sem perder o caráter urbano determinante.
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OPINIÕES
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"A intérprete Kátia Freitas joga sua luz além do buraco negro desse mundo tão gripado (na definição de André Abujamra, pelas antenas do Karnak) e contribui para fortalecer o ambiente de retomada da arte musical sadia, que engatinha no País nas mais diversas variações de gênero e estilo". Flávio Paiva - O POVO - 04/02/1996