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Rolimã Flávio Paiva em Parcerias. Camerati, 1994. |
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"Tive muito prazer em conhecer o Rolimã e em saber que está aí no Ceará um pólo criativo forte, estendendo trilhas. São revelações que sempre trazem grande bem-estar" (Tom Zé) "O Ceará ressurge na MPB com Rolimã (...) As faixas, como o próprio Flávio Paiva gosta de ressaltar, foram saindo ao sabor do arbítrio. Nada de pressão e com a inspiração batendo em sua porta, nunca em série" (Gazeta do Povo, caderno Cultura G, Curitiba-PR) "Impregnado de cearensidade por todos os poros, me surpreendeu o Rolimã. Achei realmente de nível superior, tanto melodicamente quanto na criatividade das letras, na interpretação e na parte instrumental. É um disco de alto nível. Todas as músicas são admiráveis. De fato, notei quando estive em Fortaleza que você é um dos intelectuais, das novas gerações, de maior força e mais capaz de contribuir para o alevantamento da cultura cearense nos seus vários níveis. A minha experiência no lidar com pessoas das variadas áreas de intelectualidade me disse que você está na vanguarda" (Moacir Lopes) |
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Nova geração em CD independente
O CD “Rolimã – Flávio Paiva em Parcerias” será lançado hoje, às 18h30h, no CDL (Rua 25 de março, 882). O CD é composto de músicas de autoria de Flávio Paiva em parceria com músicos, compositores e intérpretes da nova geração cearense, principalmente os que surgiram a partir de 80.
Participam do CD, André Vital, Aparecida Silvino, Armando Telles, Calé Alencar, Cristiano Pinho, Edmar Gonçalves, Eugênio Leandro, Eugênio Matos, Falcão, João Monteiro, Kátia Freitas, Marta Aurélia, Manuel González, Mona Gadelha, Norberta Viana, Olga Ribeiro, Paula Tesser, Ricardo Black, Tarcísio José de Lima, Tarcísio Matos, Tarcísio Sardinha e Valdo Aderaldo.
A apresentação do disco será feita pelo compositor Cláudio Lucci, diretor da gravadora independente “Camerati”, de São Paulo, que falará aos presentes sobre como anda a produção de discos independentes no Brasil.
Cláudio Lucci é violonista, compositor e produtor musical. Iniciou seu trabalho com música como professor e em 74 fundou, ao lado de Guilherme Arantes, o grupo musical “Moto Perpétuo”, quando lançaram um elepê pela gravadora Continental. Em 77, teve suas músicas “Colagem” e “Veccio Nuovo” gravadas por Elis Regina.
Sempre envolvido com a produção de música independente, montou em 80 um pequeno estúdio (de quatro canais). Em 91, já com estúdio de 24 canais, cria o selo Camerati, que conta com artistas como Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Eliete Negreiros, José Miguel Wisnik, Grupo Rumo, Paula Morelenbaum, Duofel, entre outros.
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Diário do Nordeste, Sonia Pinheiro
Fortaleza,
CE, 10/11/1994
HOJE (precisamente às 18h30min), o alinhado presidente Valman Miranda abre o espaço cultural da Câmara (não mais Clube) de Diretores Lojistas, com o cocktail de lançamento do CD Rolimã – Flávio Paiva em Parcerias.
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Diário do Nordeste, 1º Caderno, pág. 03, Edilmar Norões
Fortaleza,
CE, 10/11/1994
f) - que o auditório do CDL terá hoje uma noitada cultural. Lançamento do CD "Rolimã", com músicas de Flávio Paiva em parceria com músicos, compositores e intérpretes na nova geração cearense. Às 18 horas, com apresentação do compositor Cláudio Lucci, de São Paulo...
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Diário do Nordeste, Roteiro
Fortaleza,
10/11/1994
Lançamento
Rolimã – coquetel de lançamento do CD do jornalista Flávio Paiva em parceria com compositores cearenses, hoje, às 18h30h, na sede do CDL (rua 25 de Março, 882).
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Diário do Nordeste, Regina Marshall
Fortaleza,
10/11/1994
Flávio Paiva lança hoje o CD "Rolimã - Flávio Paiva em Parcerias", na sede do CDL, às 18h30min.
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Diário do Nordeste, Sociedade, Regina Marshall
Fortaleza,
09/11/1994
Amanhã, às 18h30min, na Câmara dos Dirigentes Lojistas (novo nome do CDL) Flávio Paiva lança o CD “Rolimã”, com músicas de sua autoria em parceria com músicos, compositores e intérpretes da nova geração (de 1980 para cá). A apresentação do disco será feita por Cláudio Lucci, diretor da gravadora Camerati de São Paulo, além de violista, compositor e produtor musical.
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Diário do Nordeste, pág. 07, coluna “É...” (Neno Cavalcante)
Fortaleza,
09/11/1994
Amanhã, no CDL, a partir de seis e meia da tarde (sem hora pra terminar) será lançado o CD Rolimã – Flávio Paiva em Parcerias . Presença confirmada do compositor Cláudio Lucci, diretor do selo Camerati. Além das letras, Flávio Paiva criou o verbo Rolimar, que significa: zanzar por aí, sem medo, sem preconceito.
Tribuna do Ceará, Tribuna Livre (Newton Pedrosa)
Fortaleza,
09/11/1994
LANÇAMENTO
Logo mais às 18 horas, no Clube de Diretores Lojistas, Flávio Paiva, do Grupo J.Macedo, estará fazendo o lançamento de “Rolimã”, um CD com músicas de sua autoria.
Tribuna do Ceará, Diversão e Arte
Fortaleza,
09/11/1994
Por Luiz Carlos Martins
Cláudio Lucci, diretor da Gravadora Camerati, de São Paulo, é quem fará, às 18h30min de amanhã, na sede do CDL, a apresentação do CD “Rolimã”, do compositor, cantor e também jornalista Flávio Paiva.
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Diário do Nordeste, pág. 04, 1º Caderno, coluna Comunicado
Fortaleza,
08/11/1994
Rolimã
O jornalista e compositor Flávio Paiva lança, às 18h30min desta quinta-feira, no auditório do Clube de Diretores Lojistas, seu ‘Rolimã'. Trata-se de um CD contendo composições feitas por Flávio e em parceria com talentos da nova geração de músicos cearenses. Entre os parceiros do compositor, gente de peso como Aparecida Silvino, Eugênio Leandro, Olga Ribeiro e Marta Aurélia. A apresentação fica a cargo de Cláudio Lucci, diretor da gravadora paulista Camerati. Vale conferir.
O Povo, pág. 4A, coluna Vertical
Fortaleza,
08/11/1994
Rola Rolimã
O jornalista Flávio Paiva desviou brevemente sua rota. À neutralidade pretensa das palavras sem adjetivação no jornalismo, preferiu a poesia das letras musicais. Com algumas parcerias de músicos, compositores e intérpretes, fez Rolimã, CD que será lançado quinta-feira, às 18h30min, na Câmara dos Diretores Lojistas (rua 25 de Março, 882). A apresentação do disco será feita pelo compositor Cláudio Lucci, diretor da gravadora Camerati, de São Paulo.
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Jornal O Povo – Vida & Arte
Fortaleza, 03/11/1994
Flávio Paiva lança CD Rolimã no CDL no dia 10
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O jornalista Flávio Paiva reuniu no CD Rolimã composições de tendências as mais variadas |
Embora sido lançado formal aconteça apenas no dia, no CDL, às 18h30min, o CD “Rolimã – Flávio Paiva em Parcerias” já está sendo executado por algumas rádios de Fortaleza. As músicas “Estroboscópica”, interpretada pela cantora Kátia Freitas, “As Acácias têm Alma”, com Eugênio Leandro, “Bolha”, na voz de Mona Gadelha, e “Luiz Assumpção”, cantado por Ricardo Black, vêm puxando o disco e consolidando o seu espaço na mídia local. O compositor Cláudio Nucci apresentará o disco.
Lançado pelo selo Camerati, de São Paulo, o “Rolimã” é uma coletânea de composições do jornalista Flávio Paiva em parcerias com outros artistas cearenses, dentre os quais Calé Alencar, Eugênio Matos (ex-Banda Oficina), Tarcísio José de Lima, Tarcísio Sardinha e os irreverentes Tarcísio Matos e Falcão. São músicas de estilos variados, compostas nos últimos dez anos. Tem baião, balada, rock, boi do Maranhão, modinha e até canção de ninar.
Para Flávio Paiva, é preciso respeitar o tempo de demora de cada coisa. “Há um arquétipo sistêmico que trata desse assunto. Nós, cearenses, vivemos muitas vidas ao mesmo tempo e temos que administrar emoções distintas no nosso cotidiano. Sou um multivitae que trafega nesse redemoinho todo procurando sentir e dar prazer ao ato de viver”, explica o jornalista.
O CD “Rolimã” está no catálogo de novos lançamentos da Camerati e, segundo a cantora Mona Gadelha, que dirige o departamento de Marketing e Projetos Especiais do selo paulista, já se encontra em lojas de vários estados brasileiros e foi pedido também por um cliente do Japão, que “normalmente solicita trabalhos da boa música nacional”. Em Fortaleza, a distribuição está entregue à Manoel Matoso Distribuidora Cultural, empresa encarregada também do lançamento que deverá acontecer na sede do Clube dos Diretores Lojistas, em data a ser confirmada.
Flávio Paiva diz que gosta da idéia de fazer o lançamento no CDL porque amplia o público consumidor do tipo de música do “Rolimã”. “Tenho discutido muito nos últimos anos, com artistas da nova geração da música no Ceará, a importância de que tantas produções interessantes que têm sido feitas aqui possam ser apreciadas por um número maior de pessoas. O relacionamento incestuoso dos nosso órgãos oficiais de cultura com os artistas tem provocado limitações na capacidade empreendedora dos que fazem arte no Ceará”, critica.
O autor de “Rolimã” espera que no governo Tasso a Cultura cuide um pouco mais dos conteúdos e não apenas de fantasias de pedra e cal. “Temos um patrimônio cultural invejável que vem sendo colocado em segundo plano, ao mesmo tempo em que o Ceará projeta seu farol na trilha do desenvolvimento turístico. Se não cuidarmos do que temos de mais especial, que são as nossas peculiaridades culturais, estaremos investindo em um turismo efêmero, repetindo a fábula da galinha dos ovos de ouro”, alerta Flávio Paiva.
O tratamento do Estado para com os artistas deveria ser mais profissional, segundo o jornalista e compositor. “É claro que existem os casos em que é preciso garantir referências fundamentais da nossa memória e das nossas manifestações estéticas mais dissociadas das tendências contemporâneas muitas vezes alheias aos nossos valores mais legítimos, mais radicais. Mas, na maioria das vezes, seria importante que o artista deixasse de ter sua criação vista como sub-produto ou hobby. Não custaria tanto aos governos e o resultado passaria a depender da capacidade de organização dos interessados em sair do paradigma do pires-na-mão para um relacionamento sadio com o público, com o mercado. É possível. Afinal, no que depender de talento, o Ceará tem de sobra”, conclui.
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Jornal O Estado do Paraná - Almanaque, pág. 05
Curitiba, domingo, 23 de outubro de 1994
Há um novo pessoal do Ceará 
Nas ondas sonoras do Ceará não viajam só Belchior, ednardo ou Fagner. Há outras vozes e compositores, como o selo Camerati vem demonstrar no CD “Rolimã”, lançado em julho e que vem acontecer também no Sul. O disco reúne treze intérpretes em torno das composições de Flávio Paiva e seus parceiros.
Gravado em Fortaleza, mixado no estúdio da Camerati (gravadora paulistana criada há três anos, e já detentora de um catálogo de primeira dedicado à música brasileira contemporânea), masterizado nos Estados Unidos e manufaturado no Canadá, “Rolimã” prima pela produção também na parte gráfica, trazendo um minilivro em policromia com as letras e fotos dos intérpretes. Sinal de que alternativo não é sinônimo de descuido.
Flávio Paiva, jornalista por profissão, compõe desde 1985, sem preferência por gênero ou estilo. Do rock ao baião, comportam também balada, samba e até canção de ninar, com espaço para forró e balanceio sanfonado ao lado de bumba-meu-boi. Afinal, o CD é um apanhado de seu trabalho até 93, com um total de doze canções. Deslizam nesse rolimã André Vidal, Aparecida Silvino, Armando Telles, Calé Alencar, Cristiano Pinho, Edmar Gonçalves, Eugênio Leandro, Eugênio Matos, Falcão, João Monteiro, Kátia Freitas, Manuel Gonzáles, Marta Aurélia, Mona Gadelha, Norberta Viana, Olga Ribeiro, Paula Tesser, Ricardo Black, Tarcísio José de Lima, Tarcísio Matos, Tarcísio Sardinha e Valdo Aderaldo.
O resultado é um quitute de bom sabor. Amargo é o desabafo de Flávio Paiva a propósito da conduta do Pessoal do Ceará.
“Quando pararam de surpreender, enquanto compositores e intérpretes nacionais, Ednardo, Belchior e Fagner detonaram um spray paralisante no relacionamento com os que vieram depois deles. Conduzidos pelo instinto de proteção, cada qual atracou o seu galho e ninguém lembrou de descer para irrigar a horta. Foi desertificação geral. Cortaram madeira de árvores caídas, burocratizaram o cotidiano e domesticaram talentos no melhor estilo rodriguiano do “perdoa-me por me traíres”. Sozinhos como referência cearense, eles passaram a ter uma certa satisfação sadomasoquista de serem apenas três.
Divididos entre si, mas três. Dá uma certa tranqüilidade. Se não acontecer mais nada na música do Ceará, estarão, mesmo assim, nos compêndios, nas antologias, não aparecendo mais ninguém, então, maravilha, ficarão livres de comparações.”
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Jornal Gazeta do Povo - Cultura G
Curitiba,
19/10/1994
Ceará ressurge na MPB com “Rolimã”
No Ceará atual não existem somente grupos de forró tipo Mastruz com Leite. Há também representantes da MPB de boa qualidade, como o jornalista e compositor Flávio Paiva.
Paiva lança, via Cameratti, seu álbum “Rolimã”. Seu, se visto por um peculiar ponto de vista. Afinal, Paiva não canta em nenhuma faixa. São doze faixas que levam seu nome na parceria, variando cantores, estilos e características.
Seguindo a MPB, que parecia estancada na década de 70 com Belchior, Ednardo e Fagner, Paiva, é a primeira investida da gravadora de Santo André no Nordeste brasileiro. Teve em seu CD o cuidado com o aprimoramento técnico e estético comum no selo (tanto que a gravação ocorreu em Fortaleza, a mixagem em São Paulo e a masterização nos Estados Unidos).
A variação de ritmos é grande. Tem baião, modinha, balada, rock, samba, boi, canção de ninar e balanceio. A unidade fica no fato de todos os cantores serem independentes, não pertencendo ao cast de qualquer gravadora.
Compostas entre 85 e 93, as faixas, como o próprio Paiva gosta de ressaltar, foram saindo ao sabor do arbítrio. Nada de pressão e com a inspiração batendo em sua porta, nunca em série. A liberdade é tanta que cada música vem acompanhada de uma engraçada e inédita definição (rock oliva, bossa ensolarada, balada vagalume, modinha ultramarina, etc).
Participam do álbum os cantores Edmar Gonçalves, Ricardo Black, Mona Gadelha, Kátia Freitas, Marta Aurélia, Olga Ribeiro, André Vidal, Norberta Viana, Paula Tesser, Valdo Aderaldo, Aparecida Silvino, Armando Telles e Eugênio Leandro.
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Jornal Diário do Nordeste – Estilo de vida, cultura e lazer
Fortaleza,
01/09/1994
Nas rodas da produção independente
Diz o ditado que em terra de cego, quem tem um olho é rei. Em terra brasilis, quem não se vira em diversas atividades não sobrevive. Seja por necessidade ou por prazer, o brasileiro é versátil por natureza. Flávio Paiva não é diferente. É jornalista, poeta, editor, compositor, produtor, entre outras atividades. Sua mais recente “danação” está chegando ao mercado sob o formato do compact-disc “Rolimã – Flávio Paiva em parcerias” que tem lançamento nacional pelo selo paulista Camerati – que pertence ao músico Cláudio Lucci (não confundir com o ex-Boca Livre Cláudio Nucci).
Pra não fugir à regra, até a ilustração da capa é obra de Flávio. “Rolimã” registra seu lado de compositor, mostrando também a diversidade dos parceiros que vão do brega-star Falcão à cantora Kátia Freitas, o cantor/compositor Calé Alencar, sem falar na profusão de Tarcísios – o jornalista/cronista Tarcísio Matos, o guitarrista Tarcísio Sardinha e o músico e pesquisar Tarcísio José de Lima – entre outros. Como entre as atividades de Flávio, a de cantor não entrou (ainda), “Rolimã” traz um verdadeiro “quem é quem” da cena cearense. Cada uma das 12 faixas do CD traz intérpretes diferentes.
Flávio lembra que a música já integra seu universo de atividades desde os tempos que ainda morava em Independência, sua cidade natal no interior do Estado. Lembra com bom humor que chegou a integrar um trio cover dos Secos & Molhados na sua cidade por volta de 1974. Já em Fortaleza, Flávio Paiva participou das primeiras formações do coral da Escola Técnica Federal, quando tinha à frente o castrati Paulo Abel do Nascimento como regente. Isso foi em 1977. Dois anos depois, ele fundou a Cooperativa de Compositores e Poetas ao lado de nomes novos na época como Mona Gadelha, Bernardo Neto e Falcão.
| “Procurar um selo é uma necessidade dos artistas. Nós já merecemos algo assim, mais profissional, que não seja ficar esmolando gentilezas da Secretaria de Cultura do Estado ou do Município, para lançar o nosso trabalho (...) Este é o primeiro disco de um artista radicado no Nordeste pelo selo Camerati – que vem editando discos de Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola e Duofel” |
“Não sou um compositor profissional. Todas as minhas músicas existem porque houve um motivo que me levou a fazê-la.”, explica. Seu lado musical mais conhecido pode ser ouvido nos discos do brega-star Falcão, quando geralmente assina Flávio D'Independência – pseudônimo que usa desde os tempos do jornal independente Sem Regras – e com o qual ficou conhecido nos meios da imprensa alternativa de todo o País. Sua primeira produção a chegar ao disco foi o álbum-projeto “América”, protagonizado pela cantora cearense Olga Ribeiro, em 92 – ano que marcou o aniversário de 500 anos de descoberta do Continente Americano. O disco chegou a ser mostrado na Rio Eco-92.
“Gosto de esclarecer um pouco desse histórico para mostrar que a música não é um universo estranho para mim, pelo contrário”, afirma. Depois de encerrada a produção de “América” e com o aval que o projeto lhe deu, Flávio pensou num vôo mais alto. Aí começa a se esboçar a idéia do CD “Rolimã”. Quando resolvi gravar o disco, fui procurar as composições que já tinha feito”, disse. Foi um trabalho do tipo vasculhar as gavetas e arquivos próprios. Flávio disse que se surpreendeu com o grande número de composições que havia acumulado durante esses anos.
No processo de escolha, sobraram cerca de 30 composições. Somente 15 chegaram a ser gravadas em estúdio e 12 faixas foi o resultado final do projeto “Rolimã – Flávio Paiva em parcerias”. “São músicas em gêneros diversos. Queria fazer o disco como uma coletânea de poemas e contos. Cada música tem a sua história, sua razão de ser, por que aquele intérprete foi escolhido”, disse. Um exemplo disso é a faixa “Flávio & Andréa” – um poema do próprio Flávio musicado pelo músico Eugênio Matos. A música substituiu a tradicional “Marcha nupcial” no próprio casamento do autor. A mesma Aparecida Silvino que cantou no disco, interpretou a música na cerimônia. Música e intérprete ganharam elogios de todos presentes.
Nos créditos do CD “Rolimã”, Flávio Paiva trouxe de volta o hábito antigo de colocar uma referência ao gênero de música logo após seu título, só que a sua maneira – acrescentando um comentário próprio do tipo “cantiga de ternura” no caso da citada “Flávio & Andréa”. Outra coisa importante é a numeração dos exemplares do CD. “É uma coisa que é importante para o nosso próprio controle, como para direito autoral”, informa.
O lançamento feito pela Camerati, segundo Flávio, é uma porta aberta para a produção musical cearense entrar na onda dos selos independentes que vem abrindo espaço para compositores novos e nomes que não encontram espaço na mídia nacional. “Procurar um selo é uma necessidade dos artistas. Nós já merecemos algo assim que não seja ficar esmolando gentilezas do estado ou do município para lançar as produções locais”, afirma. É praticamente o primeiro lançamento de artista radicado no Nordeste pelo selo Camerati – que vem editando discos de Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Duofel, entre outros. “É uma porta aberta para os artistas cearenses”, disse.
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Jornal O Povo - Vida & Arte, capa
Fortaleza,
25/08/1994
Lúdico Rolimã
Lídia Marôpo
Da Editoria do Vida & Arte
O CD Flávio Paiva e Parceiros reúne múltiplos ritmos e inova na produção
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| O jornalista Flávio Paiva , com 15 anos de trabalho independente na música, alça agora o seu vôo mais alto |
Um brinquedo que lembra movimento, liberdade, descobertas. Uma filosofia de vida que se preocupa com a diversidade, com a necessidade de se ir para a rua e conviver com um mundo múltiplo, sempre levando consigo o lúdico da infância e a esperança de transformação. Um CD com uma grande mistura de ritmos – baião, modinha, balada, rock, balanceios, bumba-meu-boi e canção de ninar – e de estilos – reúne 13 intérpretes de várias tendências da música cearense. Tudo isso é rolimã.
Como um reflexo da infância livre no interior do Ceará, de 15 anos trabalhando com produção independente e de um inquietante modo de viver, o jornalista Flávio Paiva lança o CD Rolimã com composições suas, a maioria em parceria, num auto-retrato ao mesmo tempo múltiplo e coeso: “Se você quiser saber quem sou eu, estou ali, sou plural como minhas músicas”.
É mais um trabalho independente de artistas da terra, mas que inova por dois aspectos: o esmero de produção que conseguiu um resultado pra lá de satisfatório e a parceria com o selo paulista independente Camerati, bastante respeitado por lançar artistas como Tetê Espíndola, Grupo Rumo, Arrigo Barnabé e Paula Morelembaum. “Todo esse esforço é porque acredito que há um mercado deixado de lado pelas gravadoras, quero que as pessoas comprem o disco, não porque são minhas amigas, mas pela qualidade”. O CD está sendo distribuído pela Manoel Matoso Distribuidora Cultural. (Av. Barão de Studart, 2360/ Sala 1308 – Torre Quixadá).
Gravado em Fortaleza, mixado em São Paulo e manufaturado no Canadá, o CD Rolimã reúne composições criadas de 1985 a 1993, “sempre dedicadas a pessoas que fazem parte da história da música”, explica Flávio, que sempre encarou a música como um divertimento e agora dá o primeiro passo (firme e equilibrado) em ritmo mais sério.
TRECHOS
Se você for esperar o dia |
de rolimã, telepatia |
a fábula está lá, a vida está lá |
CRÍTICA
Álbum é uma agradável descoberta
Rolimã é uma das brincadeiras maia gostosas realizadas pelas crianças do Nordeste. Trata-se de um carrinho de madeira com pequenas rodas de metal que, colocado numa superfície inclinada, corre bastante e causa uma agravável sensação de liberdade. Não por acaso, o jornalista e compositor Flávio Paiva batizou seu primeiro disco com o nome do tal brinquedo.
Assim como a ingênua brincadeira dos garotos nordestinos, Rolimã – Flávio Paiva em Parcerias tem o frescor e a espontaneidade de uma alegre diversão. O álbum, realizado em esquema independente pelo selo Cameratti, não possui nenhum compromisso, a não ser proporcionar ao público a chance de conhecer um pouco do trabalho do compositor.
Ao longo das 12 faixas do disco, o ouvinte é contemplado com uma total diversidade de estilos, que vão do baião à modinha, passando ainda pelo rock e o samba. O ecletismo do álbum é uma conseqüência da própria vivência musical de Flávio – que é influenciado por vários ritmos – e também pela variedade de parceiros. Tarcísio Lima, Kátia Freitas, Calé Alencar, Eugênio Matos, Tarcísio Sardinha, Cristiano Pinho, João Monteiro e os irreverentes Tarcísio Matos e Falcão dividem as partituras com o compositor.
Tímido para cantar as próprias músicas, Flávio chamou amigos para interpretá-las, conseguindo um bom resultado, com cada um deles fornecendo características pessoais às canções. Entre os destaques está a faixa de abertura do trabalho, Estroboscópica , uma balada suave interpretada por Kátia Freitas, também uma das compositoras. Outras boas surpresas são o rock Bolha , a leve e saudosa Serenata e o escracho “falcaniano” de Sou Mais no Tempo do Figueiredo . Esta última, que já foi gravada pelo brega-mor Falcão, ganhou um arranjo mais pesado a cargo de Valdo Aderaldo e Paula Tesser.
Além de representar mais um avanço para a música cearense, uma prova de que a produção local tem qualidade e deve ganhar espaço na mídia de todo o País, Rolimã também é uma agradável descoberta dos bons intérpretes que dispomos no Estado. Cantores como Kátia Freitas, Marta Aurélia, Aparecida Silvino, André Vidal, Paula Tesser, Valdo Aderaldo, Edmar Gonçalves, Mona Gadelha, Ricardo Black, Norberta Viana, Armando Teles e Olga Ribeiro, além do já veterano independente Eugênio Leandro, precisam de mais atenção da imprensa e do mercado fonográfico. (Christiane Viana, Crítica de Música).
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01.
Estroboscópica
Intérprete: Kátia Freitas
Se você for esperar o dia
Em que eu me tornar perfeito
Direito demais
Como você pensa que não quero ser
Pode mudar de vaidade
Que só o amor não é verdade
Neste mundo...
Meu bem
Cuide dessa indecisão
Ela gira nosso amor pra trás
Como as rodas das carruagens
Na tela do cinema
Veja bem
Esse ar fluorescente
Pára corpo, pára dengo, paranóia
Paralaxe
É devaneio...
E eu não consigo mais
Segurar esses monstrinhos
Do meu zôo colonial
Você precisa acostumar
Eles não mordem
Mas lhe querem nua, toda rua, toda lua
Sem ficção, sem script, afinal
Esse cheiro que é só seu
É meu
Esse brilho dos seus olhos
Também, meu bem
Reluz, seduz, ano-luz
Zune no espaço sideral
03. O continente encontrado
Intérprete: Olga Ribeiro
Viviam neste Continente
Cálidas culturas, ricas, milenares
O sol reinava em luz e cores
Ardor, calor, fertilidade
Desciam pelas cordilheiras
Águas cristalinas em morno mistério
Que agitava o mar
O mar...
Salgadas, tristes sensações
De terras bem distantes
Por aqui chegaram
E calaram as vozes das florestas
E os mitos
Do fogo e da lua, e os ritos
Mania de mandar, desejo de domar
Mas a vida não perde o seu poder natural
Nos fios da visão sideral
Seu dom de ser e soar
Muito além desse manto
E logo faz surgir
O encanto de se ouvir
O timbre genial das misturas
Na trama de culturas
Passados já 500 anos
Dessa desventura de ser devassado
Ainda há todo um fascínio
Guardado com muito cuidado
Por certo a bolivar certeza
Cheia de esperança
Sobre essas paisagens
Que transpiram paz
E mais...
Agora essa gente toda
Busca construir o seu real caminho
05. Luiz Assumpção
(Tarcísio Matos e Flávio Paiva)
Intérprete: Ricardo Black
Teimo em te ver ao piano
Fazendo canções pro meu Ceará
Passeia na minha miragem
Uma sereia a te abraçar
O silêncio não pode ser
O enredo da tua solidão
Na casa da Mariquinha
Um pé de jatobá
Jamais esqueceu a tua menção
É fantasia
Escuta o surdo e o tamborim
Teu nome vai desfilando
Numa atmosfera de alecrim
Luiz Assumpção
O teu canto tão vivo
Nos lembra a tua alegria
Ao som das ondas do mar
Com o sol que Iracema banhou
Ceará
07. Serenata
Letra e música: autor anônimo
Adaptação Flávio Paiva
Interprete: André Vidal
São tantas coisas neste mundo
Neste mundo
Que eu amei, não deixo não
Não deixo não
Eu vivo em belas serenatas
Acompanhando uma flauta
Ao sinal de um violão
Minha gente eu vim de longe
Eu vim de longe
Somente a passear
A passear
A um chamado dos amigos
Só se for por um perigo
Eu vou faltar, eu vou faltar
Eu sou filho da Europa
Da Europa
Da Europa, um europeu
Um europeu
Quando o navio atracou
Saltei logo do vapor
Aqui estou eu, aqui estou eu.
09. Como me dá!
Intérprete: Armando Telles
Danço reggae, danço samba
Danço roque e baião
Danço frevo e merengue
Gosto mesmo é de dançar
Mas tem um tal de Balanceio
Que parece brincadeira
Mexe aqui, mexe acolá
Vai mexendo sem parar
Como é bom, como me dá
Mais vontade de dançar
Eu vou até de manhã
Só nesse balancear
Como é bom como me dá
Mais vontade de dançar.
11. Flávio & Andréa
Intérprete: Aparecida Silvino
No tempo
Acima de quando
A fábula está lá, a vida está lá,
A luz estelar
Ninguém quer saber de poder
- O quê? O quê?
Vaidade se vai
- Vai!
Boca-de-forno
- Forno!
Jacarandá
- Dá!
Pulsa a fonte da certeza
Sem segredo e sem mistério
- Mistério...
Um movimento planetário
De tanto carinho
De inho e de inha
Sem medo de amar
Sou teu, só teu
Sou tua, só tua
De inho e de inha
Na luz estelar
De inho e de inha
Sem medo de amar

02. Baião
na manchete
Intérprete: Marta Aurélia
Ele acorda de madrugada
Ela acorda de madrugada
Na hora da passarada
Antes do sol
Ele é chamado de Toinzinho
Ela atende por Socorro
Tá bordado com carinho
Num só lençol
Ele ama os bichos, a natureza
Ela é a natureza
Com certeza ela é, sim
Deu a ele a ciência
Da importância do jardim
Amor sem fim
Lá no sertão
É cheiro de terra molhada
Semente em brasa, procriação
Bosta de vaca ciscada
Na várzea salgada,
Com gosto de requeijão
Este baião tem bode, cuscuz e carneiro
Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga
Humberto Teixeira e ave de arribação
Tetéu acoando cobra no mato,
Aboios distantes
E tem bem-te-vi espantando gavião
Este baião tem gosto de infância
Criança gritando palhaço
Mormaço e frescura no algarobal
Festa da padroeira, Sant’Ana
Bandeira, balão, paixão, madrigal
E não importa o clima, a rima,
A roupa ou pote de ouro
Eles se amam em independência
Ardência de casaca-de-couro
Ele canta, ela responde!
Ela canta, ele responde!
04. Escarlate
Intérprete: Edimar Gonçalves
Um boizinho lindo quis ser amado
Confiado no amor que tinha pra dar
Pensou que a vida fosse fantasia
E saiu louco a se entregar
Não andou muito e logo avistou
Aquela que seus olhos queriam ver
Jogou-se feito aventureiro ao mar
E naufragou, sempre a chorar
Que desilusão
Que tristeza de amargar
Lua seca, sol minguante
Sonhos sem fim a navegar
Com o coração partido
Em brumas de solidão
Sem língua, à míngua
Singrava, sangrava
Nas noites do Maranhão...
Ouvindo a festa no terreiro
Da alegria bem distante
Seu chocalho era de lágrimas
Rio de mágoas, delirante
Mas sem querer, sem evitar
Seu papel de seda molhou
Tingindo de sangue a água vadia
Em agitos de ondas em cio
Evaporou e acordou orvalho em flor
Esse boizinho afoito hoje é outro
E vive a umedecer pólen no ar
Num gozo gasoso, um ardor
De cacos de espelhos, seu tesouro
Besouro querendo encantar.
06. Bolha
Intérprete: Mona Gadelha
Deu no que deu
Essa mania de acreditar em você
De pensar que a gente um dia
Seria feliz
Mas não faz sentido
Esse amor com possessão
Isso não é amor
É ambição
Deixe pra lá
Não precisa mais me dizer
Aquilo tudo que você falava pr'eu fazer
O que você pensa agora
Pouco me interessa
Isso é conversa
É diversão
Não fique triste se você não entender
Pode fingir que apenas se deu bem
Assumo o risco de tentar viver assim
Desconhecendo tudo que você
Pensa que sabe de mim
Até prometo não dobrar qualquer esquina ao lhe ver
Ou evitar de com você cruzar pelas calçadas
Mas por favor não insista em me agradar
Perguntando por quem você acha que está no seu lugar
Quero um amor mais arejado
Ensolarado
Sem Veritatis Splendor
E que misture hip hop ao calor das matinées
De rolimã, telepatia, cibermã 2000
No travesseiro do Brasil
08. As Acácias têm alma
Letra: Manual González e
Flávio Paiva
Intérprete: Eugênio Leandro
...As acácias têm alma
Ouví-as, que se queixavam
Na tarde silenciosa...
As acácias quando estão
Sem que o ar as movimente
Se lamentam, se abraçam
Feito bicho, feito gente
Suas folhas ficam aflitas
Quando querem ser amadas
Se o vento as agita
Tudo é luz, é clorofila
No ranger das ramadas
...As acácias têm alma
Ouví-as, que se queixavam,
Na tarde silenciosa...
10. Cantiga de Bárbara, a borboleta
Intérprete: Norberta Viana
Cores de jardim
Flores a dançar
É como soletrar amor
Voa pelo ar
Cantiga vai buscar
Para o meu soninho
Bárbara-ra-ra-ra-ra...
Bárbara, Bárbara!
12. Sou mais no tempo do Figueiredo
Letra: Falcão/ Tarcísio Matos / Flávio Paiva
Intérpretes: Valdo Aderaldo e Paula Tésser
Sim, eu já tomei o inseticida
Pois adoro essas comidas
Que vêm pra gente lá dos EUA
Ora, mas se o que é bom pros
Estados Unidos
Não vai ser bom prum povo esgalamido
Enfraquecido que nem nós
Nós devia agradecer era a boa vontade
Desse povo amigo que com caridade
Só querem ver é o nosso bem-estar
Quero deixar registrada a minha gratidão a essa grande organização
denominada FMI
Composta de homens íntegros e
Justiceiros
Que em matéria de dinheiro
É só quem sabe administrar
Vou-me embora desta terra
Let’s go negada
Se um dia eu me der bem
É mesmo que nada










