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Terra do
Nunca - Flávio Paiva por Anna Torres e Paulo Lepetit. Plural de Cultura , 1997. |
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"Terra do Nunca é por excelência o lugar em que fomos colocados através da lente antropológica de Darcy Ribeiro, no momento exato em que ele criou o conceito de transfiguração étnica" (Wander Nunes Frota) |
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Matérias
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Videoclipe "Xote para Sêneca"
Anúncios de lançamento e de exibição do videoclipe veiculados nos jornais locais
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Blog Música do Ceará - 12/07/2008 Fonte: http://musicadoceara.blogspot.com/2008/07/flvio-paiva-terra-do-nunca.html
Gláucia Magazin – Variedades TERRA DO NUNCA
O disco autoral do compositor e jornalista Flávio Paiva, interpretado pela cantora maranhense Anna Torres está também em New York, levado por ninguém menos do que David Byrne. Na sua mais recente pesquisa sobre as novidades relevantes da música brasileira, Byrne recebeu das mãos criteriosas do eterno tropicalista Tom Zé o disco de Flávio Paiva e gostou. Pôs na mala e levou para escutar com atenção.
Com sua linguagem lítero-musical contemporâneo CD Terra do Nunca esbanja sintonia com o que há de mais criativo e atual na música de referência do planeta. Em recente entrevista para o humorista João Neto (Zé Modesto), a cantora revelação da novíssima música pop no Ceará, Karine Alexandrino, revela que vê no trabalho musical de Flávio Paiva, a grande novidade da cena fortalezense. O disco traz parcerias antenadas, como em “Estromboscópica”, feita com Kátia Freitas, e em “Pessoas”, dividida com Mona Gadelha. Para quem não sabe, as duas compositoras e cantoras cearenses estão na seleção disputadíssima que o CD “A Gema do Novo”, em fase de lançamento pela Rádio Musical FM de São Paulo. O videoclip da música “Xote para Sêneca” (Flávio Paiva), que faz uma analogia entre o discurso do filósofohispânico/romano e a maneira espirituosamente leve de ser do cearense está em fase de filmagem. O roteiro de Otávio e Karla Holanda foi um dos cinco premiados pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura. “O xote é movimento/ fluindo sem parar/ uma sabedoria que sacode o Ceará”. Diz a letra do technoxote, interpretado por Anna Torres e pelo rap-reagger Rica Caveman, da banda Nômade, com arranjo impecável do baixista Paulo Lepetit. Em “Terra do Nunca” a coerência estética, a unidade e riqueza de multiplicidade é visível e audível a todo instante. É um disco farto de criatividade e olhar inteligente, em sua autêntica expressão migrante. Tem o que dizer sobre mundo, é bom de ouvir e de dançar. Não está preso a clichês convencionais nem alternativos. Nada de narcisismos, dandismos ou esteticismos. A capa do disco é uma cena de elevador, onde as pessoas costumam ficar incomodadas com a presença de estranhos que se encontram cotidianamente. Flávio Paiva, Anna Torres e Paulo Lepetit, num clic certeiro da fotógrafa Cláudia Guimarães, mais do que autores, apresentam-se como atores, como personagens de uma das faixas produzidas em parceria com o bluesman paulista Edvaldo Santana. Ao escutar Terra do Nunca, percebe-se um obra que colabora para retocar o ritmo e os timbres da MPB, com uma proposta esquisitamente bonita, cheia de requintes experimentais surpreendentemente agradáveis. Para Flávio Paiva a idéia é jogar uma luz reconvexa de forma natural e desarmada para as pessoas que estão dispostas a perceberem que é possível sair da mesmice que vem atrofiando a nossa inteligência. Com base nessa postura insurgente do autor de Terra do Nunca, o professor Wander Frota escreveu um artigo na imprensa local, dizendo que a lamparina criada por Flávio Paiva como arquétipo condutor da sua proposta musical se assemelha, e muito, àquela que carregava em pleno dia de Sol um certo filósofo grego na sua busca por algo mais real.
O POVO - Esportes Música cria novo grito de guerra de torcedores Reação da platéia supreendeu o compositor Flávio Paiva e o produtor do show, o jornalista Nelson Augusto Uma música bem nordestina, lançada recentemente num CD independente em dois bares de Fortaleza, está começando a se transformar num gancho para um "grito de guerra" da torcida alvinegra, nos jogos do Ceará Sporting este ano.
Tribuna do Ceará – Caderno C A PULSAÇÃO MUSICAL DE ANNA TORRES FAC-SÍMILE A cantora maranhense Anna Torres é a grande atração do projeto Brahma Cultural 6ª Com Art, do Sindicato dos Jornalistas, hoje a partir das 20h30min na sede da entidade, que fica na Rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres. A promoção que tem entrada franca, começas às 18 horas com o já tradicional happy hour dos músicos Tarcísio Sardinha no violão e Paulinho do Pandeiro. Já relativamente conhecida do público do Ceará, fez três apresentações em Fortaleza e uma em Canoa Quebrada no ano passado, Anna Torres será acompanhada por músicos conhecidos no cenário nacional do quilate de Paulo Lepetit (baixo), Cesar Botinha, (guitarra), Leandro Pecagnella (bateria), Bocato (trombone), com a participação especial do cearense Elismário Pereira (saxofone e flauta). No repertório do show de Anna Torres, todas as canções do seu recente CD “Terra do Nunca”, que tem sua voz, sob os auspícios da atmosfera musical de Paulo Lepetit e parcerias de Flávio Paiva. Com Papete, Verônica Nunes, Edvaldo Santana, Rogério Soares, Géo Benjamim, tato Ficher, Bernardo Neto, Kátia Freitas, Cristiano Pinho e Mona Gadelha, além da própria Anna Torres. São elas: “Amor Andança”, “Mestiça”, “Terra do Nuca”, “Elevador”, “Síntese”, “Xote para Sêneca”, “Bolha”, “Azul”, “Volátil”, “Estromboscópica”, “Pessoas” e “Térmico”. Além delas, uma parceria mais recente de Anna Torres com Flávio Paiva, o reggae “Degrau por degrau”, composição que deu a cantora timbira o título de melhor intérprete do Maranhão , na eliminatória do Canta Nordeste de 97 do seu estado. Atualmente morando no Rio de Janeiro, Anna Torres tem uma voz encorpada de timbre próprio e marcante musicalidade soul-pop, construindo seu alicerce para obter seu devido espaço na música popular brasileira. Conhecida e muito aplaudida em sua terra natal, Anna Torres estudou teoria e canto popular na Universidade Livre de Música, em São Paulo. Nos dias de hoje, além de sua carreira bastante promissora, com apresentações nas principais casas noturnas cariocas, do nível de Hipódromo Up, a intérprete maranhense também empresta sua voz para alguns jingles publicitários. Ainda em 1992, quando residia em São Luís, abriu o show “Zona de Fronteira”, do mineiro João Bosco, animou o carnaval em várias cidades do Maranhão fazendo cerca de 40 shows e, no Marafolia, apresentou-se na Banda Eva, da Bahia. Antes do CD “Terra do Nunca”, já havia registrado seu primeiro trabalho solo que leva seu nome e que em 98 está sendo lançado para o mercado francês. Fora de seu estado já se exibiu com Oswaldo Montenegro (São Paulo) e em shows de Sérgio Ricardo (Night Rio's) e Carlinhos Velz (Jazzmania). Fez shows também o Rio Jazz Club, Mistura Fina e Shopping Grande Rio. A apresentação de Anna Torres no Projeto Brama Cultural 6ª Com Arte do Sindicato dos Jornalistas ao lado da banda Paulada Na Moleira reflete toda a realidade sonora do CD “terra do Nuca”, pois foram os mesmos músicos que participaram do registro no estúdio. O disco foi viabilizado com o apoio da Lei 12.464, de incentivo à Cultura, através de participação da Teleceará, Café Santa Clara e Senati Berga e é um álbum contemporâneo com visão migrante e urbana dos 500 anos do Brasil. “Terra do Nuca” faz parte da piracema dessa pulsão contida. Integra o território concreto da probabilidade de conexões provocada pela universalidade da música e pela amálgama cultural, com desprendimento cartográfico do autor, Flávio Paiva, nascido em 1959, em Independência, sertão do Ceará, da intérprete Anna Torres, nascida em 1972, em Lagoa da Pedra, faixa amazônica do Maranhão e do produtor musical Paulo Lepetit, nascido em 1958, interior de São Paulo.
DIÁRIO DO NORDESTE- Caderno 3: Música
Anna Torres canta no Sindbar composições de Flávio Paiva O show Anna Torres canta Flávio Paiva volta após três apresentações em Fortaleza e um na praia de Canoa Quebrada, no início de agosto do ano passado, por ocasião do lançamento do CD "Terra do Nunca", do compositor Flávio Paiva. A artista volta para duas apresentações. A primeira hoje, no projeto Brahma Cultural 6ª com Arte, no Sindicato dos Jornalistas. Outra amanhã, no novo espaço cultural The Wall.
Jornal O POVO – Vida & Arte TERRA DO NUNCA
Jornal O POVO - Vida & Arte - Agenda Timbre Maranhense
O Globo, Zona Sul – Meu Bairro Anna Torres Distante da terra natal, mas perseguindo o sucesso com garra, a maranhense Anna Torres, cantora e compositora, está no Rio há dois anos, tempo suficiente para ter impressionado bambas como Roberto Menescal e Marcos Rezende.
Jornal O POVO - Sábado
Com Terra do Nunca, Flávio Paiva lança um desafio musical a este país sem porteiras e mostra o conceito do que chama de música plural brasileira. A música brasileira da atualidade vem conseguindo romper com alguns rótulos limitadores de renovação e, dentro dele, o novo CD autoral de Flávio Paiva. Terra do Nunca, que conta com a interpretação da maranhense Anna Torres e arranjos do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo, aponta em seu conjunto de signos para uma “visão de paraíso”, dentro de uma muito própria utopia caboclo-urbana. Em quase todas as composições, encontra-se o fenômeno sócio-histórico e antropológico da mestiçagem/miscigenação. Flávio Paiva sempre se demonstrou uma maquininha espantosa de projetos – todos altamente factíveis, pelo menos dentro de sua cabeça privilegiada. Para mim, então, Terra do Nunca é por excelência o lugar em que fomos colocados através da lente antropológica de Darcy Ribeiro – no momento exato em que este criou o conceito de “transfiguração étnica” para explicar a miscigenação à brasileira que inclui o índio – única no mundo sob todos os ângulos possíveis e impossíveis. Tem-se visto nos últimos anos que os intelectuais querem por fina força nos impingir uma miscigenação que apaga o índio de nossa etnia. Nisto, a dedicatória do CD ao pataxó Galdino, queimado vivo em Brasília (que aparece em espiral propositalmente mas desenhada, no fundo do disco) torna-se sutilmente emblemática. O aspecto de concept-album de Terra do Nunca é exposto através de um esquema meio complicado que, paradoxalmente, salta com relativa facilidade aos olhos e sobretudo aos ouvidos de quem quiser se levar pela !música plural brasileira” ali contida. Esta “MPB”, preservada em sua integridade e magnitude de símbolo nacional devidamente compactado pela indústria cultural, teima em sobreviver de maneira horrorosa nas hostes da alternatividade propositiva carregada nas costas por gente como Flávio Paiva. Peitar a ordem estabelecida e sedimentada em interesses conservadores é uma tarefa árdua. Nesse aspecto, o autor de Terra do Nunca se vale exatamente do espírito dos tempos atuais para se colocar, não de encontro ao passado, mas para se projetar ao futuro com uma confiança de arrepiar. Terra do Nunca lança um desafio útil ao futuro musical deste Brasilzão sem porteiras, sem no entanto carregar em sua concepção linguagem barata de manifesto. É um trabalho gostoso de ouvir, de dançar e de pensar, mantendo vínculos muito estreitos com nuanças de uma história não-oficial que está na nossa cara e corre em nossas veias sem que a notemos. O CD de Flávio Paiva é uma espécie de “O que é, o que é?”, cujas origens estão calcadas na nossa experiência como reflexo do que somos para nós mesmos. Aliás, a lamparina que aparece no livreto do disco se assemelha, e muito, àquela que carregava em pleno dia de Sol um certo filósofo grego na sua busca por algo mais real. Ao invés de simplesmente apontar para soluções prêt-a-porter de “identidade nacional”, o trabalho vai além e questiona construtivamente aquela idéia herdada do modernismo literário. Está por demais provado que o grande espelho onde se mira o olhar de nossa hoje modernidade intelectual distorceu plenamente todo um lado sócio-histórico dos acontecimentos e manifestações culturais e artísticas nos últimos oitenta e tantos anos. Ao que me parece, Terra do Nunca não faz força para esquecer disto, e é exatamente este aspecto que, a meu ver, se torna se compromisso mais implícito e explícito – por cima de pau e pedra. Na grande ciranda da indústria cultural de todos os tempos – que, impávida, já se arrasta desde a autonomização dos meios de reprodução, difusão e consumo da música popular – há fatos estritamente comerciais que, entre outras coisas, nunca puderam vir à tona para não desmistificar os mecanismos que a regem. Terra do Nunca mostra suas armas de maneira a tentar neutralizar (ou pelo menos diminuir) as causas e os efeitos desse vício estimulado quando, mesmo procurando não rotular mais nada, rotula-se a si mesmo como “música plural brasileira”. O disco, quero crer, é a saudável contramão desse viés somente comercial que a música ganhou no início do século nos EUA e na Europa e, a partir dos anos 20 e 30, no Brasil. Contudo, este apenas aparente paradoxo revela que sua causa não é jamais em proveito localizado senão para atrair simples olhares para si mesmo – outros que não os meramente descuidados (para não dizer “alienados” como prefeririam Adorno & Horkeimer). Como última impressão, é interessante notar que Terra do Nunca jamais fecha as portas a novas definições ou interpretações do que venha a ser MBP (popular ou plural) a partir do seu lançamento. O CD de Flávio Paiva, com estética musical compartilhada com Anna Torres e Paulo Lepetit é apenas um gancho, uma opção de ponto de partida (com muitos méritos próprios), para a nova descoberta da ainda pouco explorada biodiversidade musical brasileira.
Jornal O IMPARCIAL - Impar A cantora maranhense faz única apresentação na boite somente com clássicos da MPB e MPM. A cantora Maranhense Anna Torres mostra sua brasilidade urbana em show que faz hoje na boate seven days night. Dona de uma poderosa voz, Anna Torres está com um disco novo na praça, no qual interpreta composições do cearense Flávio Paiva. Junto com o Paulista Paulo Le Petit ela forma um time musical da pesada no CD Terra do Nunca. O disco já mereceu um lançamento itinerante na terra natal do compositor, com direito ao requinte do teatro José de Alencar, e no ambiente bucólico e paradisíaco de Canoa Quebrada. Sempre trabalhando sua voz, Anna aproveita sua breve passagem por São Luís para fazer um show distante do disco, mas próximo do público. Com um projeto de um disco solo somente para o próximo ano, Anna Torres envereda pelos caminhos da composição. Tem coisas novas e pops, um ambiente que gosta muito de freqüentar, como “Degrau por Degrau” e outras coisas mais que foram apresentadas como bônus nos shows que realizou com Flávio Paiva no Ceará. O encontro com Paiva se deu em 95, depois de uma eliminatória do festival Canta Nordeste. Através do compositor Josias Sobrinho, Anna manteve contato com Paiva e de cara já começaram a traçar umas partituras juntos. No ano passado começaram a realizar o projeto que somente foi concluído no primeiro semestre deste ano. Mas nada que tenha emperrado a inspiração que se expressa em Terra do Nunca. Meio cética em relação a projetos de gravadoras que incluem muitos nomes regionais, Anna Torres corre atrás de um selo que trabalhe sua música junto ao grande público. Por enquanto se mantém independente. Assim é desde o primeiro CD lançado em 94. Foi nesse ano que ela conseguiu o prêmio de melhor intérprete do Canta Nordeste. O timbre de Anna faz com que ela transmita em diferentes esferas. Já emprestou sua voz para muitos ritmos, como o próprio axé music. Durante o primeiro Marafolia pode se apresentar ao lado do trio elétrico Eva, da Bahia, muito a vontade por sinal. Estudante da Universidade Livre de Música, Anna tem uma musicalidade que define como pop-soul. Com o seu trabalho de voz vem construindo um sólido alicerce no cenário da música plural brasileira, como gosta de declarar com sua voz afinada. A origem mestiça, como também gosta de destacar, é a mola mestra da carreira da cantora que já mereceu comentário na Revista Raça do Negro Barsileiro. Há um derramamento de elogios ao primeiro CD de Anna Torres. No chamado mano a mano, a cantora maranhense conseguiu colocar no mercado nada menos que 3.500 exemplares do disco que trazia como carro chefe a música “Essência do ser”. Na trajetória música de Anna Torres não faltam episódios ilustres. Assim foi sua participação no show do lendário Sérgio Ricardo no Nigh Rios, como uma participação especialíssima e também no jingle da Shell para as olimpíadas de Atlanta. Agora mesmo a cantora está aguardando o resultado da escolha do samba-enredo do carnaval de 98 que a Beija Flor de Nilópoles vai levar para o sambódromo. Foi com o amigo e admirador Billy branco que ela apresentou o samba enredo que exalta as qualidades ecológicas do Pará. A letra quilométrica não tirou o fôlego da maranhense na segunda eliminatória do concurso. Se tudo der certo ela será a pioneira em colocar a sua voz na passarela, um espaço dominado por homens. Mas ela não baixa a crista e aguarda com otimismo o resultado. No show de hoje, acompanhada de Rodrigo Caracas (teclados), Carlão (bateria), Jair Torres (guitarra) e Neném (baixo), Anna faz uma viagem pelas músicas conhecidas da música popular brasileira, como releituras de Djavan, Carlinhos Browns, e coisas maranhenses como “Black Power”, da Banda Guetos. SERVIÇO
O Estado do Maranhão – Caderno A – Show Ela canta hoje na boate Seven Night dando destaque à música “Essência de Ser”, presença obrigatória. Em mais um rasante pela terra natal, a cantora maranhense Anna Torres – que reside no Rio de Janeiro – faz show hoje, na boate Seven Night (retorno da Cohama), às 22h. Ela canta acompanhada por Rodrigo Caracas (teclado), Jair Torres (guitarra), Neném (contra-baixo) e Carlão (bateria). "O show é para matar a saudade", disse a cantora, que animou a Expoema no último dia 5. Esta noite, Anna pretende brindar o público com muita MPB. O roteiro traz canções como “Se” (Djavan), “Tudo Igual” (Lulu Santos), “Beija-Flor” (Carlinhos Brown, “Onde Você Mora” (Marisa Monte), e outras. Do se próprio baú, Anna retira músicas obrigatórias: “Essência de Ser” (dela e Rodrigo Caracas), “Negro” (dela) e “Assim é o Nosso Amor” (Frank Arduine), todas destaques de seu primeiro CD. Próximo – A volta de Anna ao mercado fonográfico se deu recentemente, com o lançamento de “Terra Estrangeira”, uma parceria com o compositor Flávio Paiva e o músico Paulo Lepetit. “O CD, na verdade, é um projeto do Flávio Paiva. Ele já conhecia o meu trabalho e me convidou pra ser a intérprete do disco”, revelou a cantora. Típico caso de “amor à primeira música” – como Anna mesmo diz – o disco traz 12 músicas assinadas por Flávio sob arranjos de Paulo Lepetit. Entre as faixas se destacam duas parcerias: “Mestiça”, fruto de uma união musical com Papete, e “Amor Andanças”, composta em cumplicidade com Anna. “Terra do Nunca” teve seu lançamento oficial no mês de julho, em Fortaleza. O trabalho deve chegar ao Maranhão somente em janeiro do próximo ano. Para a ocasião, Anna está preparando um show especial centrado no repertório do CD. A cantora maranhense está envolvida, também, num projeto cinematográfico, junto com Adriana Calcanhoto. Ambas estão na trilha sonora do filme “Doces Poderes”, de Lúcia Murad, que tem no elenco principal Antônio Fagundes e Marisa Orth. A obra faz uma crítica às campanhas políticas, dando destaque aos jingles usados pelos candidatos. A voz de Anna pode ser ouvida interpretando alguns desses jingles. SERVIÇO
O Estado do Maranhão – Música Modernidade e regionalismo em CD A maranhense Anna Torres está, aos poucos, conquistando seu espaço fora do Estado. Depois de se apresentar pelo eixo Rio-São Paulo, ela ataca numa parceria com um cearense e um paulista: Flávio Paiva e Paulo Lepetit, respectivamente. O disco “Terra do Nunca”, produzido pelo selo Plural de Cultura através dos benefícios da lei cearense de incentivo à cultura, chega ao mercado com a promessa de colocar a cantora no patamar das grandes vozes do Nordeste. O disco é um velho sonho de Flávio Paiva que, apesar de não cantar ou tocar qualquer instrumento, já lançou seu segundo disco. Nas 12 faixas, uma viagem pela Música Plural Brasileira, com direito a inovações de linguagem que passam pelo techno-rock, xote-rap e pop-soul e até ao pulsar funkeado que agita a modernidade da música do País.
Brasileira da Gema [Capa] A cantora maranhense Anna Torres, intérprete da música “Mestiça”, de autoria de Flávio Paiva, posou para um clic da fotógrafa Cláudia Guimarães. [Editorial]
Mestiça, sim
Você já parou pra pensar, com um pouco mais de atenção, sobre as características dessa mestiçagem brasileira? Um típico exemplo é a mulata, resultado da mistura de negro com branco, diriam de cara os mais desavisados sobre o assunto. Mas a antropóloga Verônica de Paula, professora da Universidade Estadual do Ceará, garante: “pela própria história da formação da população brasileira, com certeza, todos nós somos mestiços”. No Ceará, acaba de “sair do forno” uma música que homenageia essa mistura de etnias que gerou a mulher brasileira. Em “Mestiça”, (ver ao lado), uma das faixas do CD “Terra do Nunca”, segundo trabalho autoral de Flávio Paiva e lançado nesta semana em Fortaleza, está clara a referência à essa mulher brasileira: “Vem me abraçar nessa alma, de negro, de índio e de branco também. Bela mistura de vida silvestre, de fera na rua, de reggae e torém”, diz um trecho da música. E quem canta essa música, como as demais do CD, é a maranhense Anna Torres, uma “cafuza e guerreira”, como define o próprio compositor. Melhor intérprete do Festival “Canta Nordeste 94” , realizado pela TV Globo, Anna Torres, 32 anos, tem raízes índia, negra e branca: “No Brasil se fala em negro, índio e branco. Eu cresci assim, sem saber, na realidade, minha identidade. Tenho pele clara, cabelo enroladinho e rosto redondo”. A cantora, que atualmente reside no Rio de Janeiro, diz que, no Brasil, muita gente não pára para pensar um pouco mais na sua miscigenação, nas suas origens. “O País é rico em etnias e só tem a ganhar com isso. A mulher brasileira é diferente, com esse swing, sensualidade e tempero que só a gente possui”, acredita. Anna, no entanto, afirma que não dá para tapar o sol com a peneira: no meio de toda essa mistura de povos há ainda muito preconceito, principalmente o de poder aquisitivo. A antropóloga Verônica de Paula acha a mestiça brasileira, cantada em prosa e verso, extremamente bonita, mas faz uma ressalva: “apenas aquelas que têm status. Fica difícil resguardar certos dotes físicos e até intelectuais quando não se tem condições financeiras”. A professora da Universidade Federal do Ceará, Simone Simões, também antropóloga, diz que a excentricidade da mulher brasileira reside na cor e na forma como ela é usada: “Essa mistura de etnias faz com que a brasileira seja tão sui-generes em todos os sentidos. Transmite sensualidade muito grande, razão pela qual é muito explorada”. Simone é clara quanto à exploração da sensualidade feminina brasileira: “concordo. É uma opção dela.”. Por outro lado, festeja uma mudança, embora lenta, do comportamento em relação aos negros e mulatos, depois de muita luta: “Ainda existe muito preconceito, mas o espaço está mais aberto para eles. Houve evolução muito pela luta do movimento negro”. Flávio Paiva, o autor, de Mestiça, acredita que raros povos parecem ter tanta chance de serem felizes quanto o mestiço. Livre das correntes culturais maniqueístas e fortalecida pela crescente integração feminina, a mistura esclarecida tende a abominar o preconceito, a valorizar suas matrizes étnicas e a usufruir da riqueza da diferença bem distante das limitações das castas. “É o nosso segredo guardado, sem motivo, em estado de fósforo frio, como desafio maior para uma nova era de grandes descobertas”. História - Exaltação dilui o conflito
O POVO - Demais
Diário do Nordeste, Caderno 3 ANNA TORRES CANTA HOJE “TERRA DO NUNCA” NO AEROCANTA Não foi à toa que Flávio escolheu a cantora maranhense, natural de Lago da Pedra, a 5 horas de São Luís, Anna Torres, para dar voz às suas composições. Essa mestiça, filha de uma mistura de ancestrais negros, índios e portugueses, tem uma voz aveludada que abrilhanta o CD e o show. Além da presença vocal, a performance no palco ajuda a soltar o público, quando dança e convida para uma interação. Um exemplo disso foi a música “Degrau por Degrau”, um reggae que fechou o show de quinta, que fez a galera cair na dança. Aos 24 anos, Anna começou sua carreira em julho de 1990, cantando em bandas de baile – onde interpretava as músicas de sucesso do momento. Depois, fez o circuito de bares em São Luís, dessa vez cantando solo. Num repertório com vez para MPB e para Bossa Nova. No meio termo, sempre fez jingles de publicidade, tudo para se manter com sua arte. Não foi em vão. Partiu com a família para São Paulo, onde ganhou muitas experiências novas. Trabalhou com o cantor e músico Oswaldo Montenegro, no musical “Noturno”, em 1992, em 4 meses de temporada. Mas, vez por outra, voltada para São Luís, onde formou um público próprio. Chegava a hora de partir para o primeiro trabalho – um CD. E 1995, foi um ano decisivo para Anna. Estreou em CD – “Anna Torres”, disco independente, com tiragem de 3.500 exemplares, que teve receptividade, em São Luís. “Foi muito boa a resposta do público”, lembra ela, com um sorriso. Fez o show de lançamento no maior teatro da cidade, o Teatro Artur Azevedo. Com algumas composições próprias, , das 11 do CD, Anna colocou para fora sua veia poética. No mesmo ano resolveu mudar para o Rio de Janeiro, buscando novos horizontes. Até hoje está lá. Canta na noite. E recebe muitos convites. Um deles foi feito para defender um samba enredo da escola Beija-Flor de Nilópolis. Também participou da trilha sonora do filme “Doces Poderes”, de Lúcia Murat. Roberto Menescal, um dos papas da Bossa Nova, ouviu a voz dela e se apaixonou. Com ele, gravou uma música para um CD institucional da Companhia Vale do Rio Doce, representando o Maranhão. “”agora ele me chamou para gravar um CD de new-bossa, no Japão, onde tem um selo, mas nada está definido”, adianta. Enquanto isso não acontece, faz o Rio Jazz, Mistura Fina e Jazz Mania. Daí partiu para o “Terra do Nunca”, um triângulo musical entre ela, Flávio Paiva e Paulo Lepetit. “Foi amor à primeira vista”, disse ela. “Nos shows, a gente busca fazer igual ao disco, com muita energia – pois nossa banda é maravilhosa”. E é isso que o público pode esperar.
Terra do Nunca renova o pop na MPB
Terra do Nunca
Fundação Cultural de Fortaleza em NOTÍCIAS Flávio Paiva em novo CD! Parabéns!
O POVO – Vida & Arte Lançamento de Terra do Nunca no Domínio Público Por Ingrid Coifman
Diário do Nordeste – Caderno 3 Flávio Paiva lança “Terra do Nunca” no Domínio O resultado de três pólos de miscigenação e influências culturais diferentes pode ser conferido hoje, às 22 horas, no Domínio Público, durante o show de lançamento do CD “Terra do Nunca”, do jornalista e compositor Flávio Paiva. Ele abre o espetáculo, apresentando a cantora Anna Torres e o baixista Paulo Lepetit, que estarão acompanhados da banda que participou da gravação do CD, o segundo de Flávio. A entrada é franca. Com eles estarão Leandro Paccagnella (bateria), César Botinha (guitarra) e Amintas Brasileiro (sax e clarineta). Um convidado especial estará presente: o músico paulista Bocato, que domina o trombone como ninguém. Na apresentação de hoje, as 12 músicas e uma inédita – “Degrau por Degrau”, a primeira parceria entre Flávio e Anna – farão parte do repertório. “Terra do Nunca” é um CD autoral e conceitual. “É um olhar urbano no momento em que o Brasil faz 500 anos”, explica Flávio Paiva, o grande responsável pela concepção artística do trabalho, que teve produção executiva de Mona Gadelha e Rosely Lordello e produção musical de Paulo Lepetit. Gravado entre agosto/96 e fevereiro/97, o disco foi masterizado em maio deste ano. “Um trabalho com a ótica do autor, no Brasil, não é muito comum, pois em geral a música é feita pensando nos intérpretes – aí acontecem os casos de patrimônios da música brasileira, como Fausto Nilo, Evaldo Gouveia e Ronaldo Bastos, que só gravaram discos agora”, explica. “Mas isso acontece pela necessidade do autor mostrar suas criações”. Flávio escolheu a cantora maranhense Anna Torres e o baixista paulista Paulo Lepetit, para ajudarem nessa tarefa. Três mestiços migrantes e “aprendizes urbanos”. Paiva nasceu em Independência, na região dos Inhamuns, sertão do Ceará, a 330km de Fortaleza. Anna é natural de Lago da Pedra, faixa amazônica do Maranhão, distante mais de 350km de São Luis. Já Lepetit nasceu em Rio Claro , interior de São Paulo. “Terra do Nunca é a soma de dos três, um ménage à trois musical, com múltiplas influências e uma linguagem musical bastante contemporânea”. Flávio diz que tentou, nos arranjos, fugir dos clichês do Pop. A cantora Anna Torres já é conhecida no Maranhão e mora atualmente no Rio de Janeiro. Já participou de um CD com a produção do músico Roberto Menescal. Na infância recebeu influências do cancioneiro popular do Norte, mas descobriu cedo a força do Soul e da Pop music. Já Lepetit toca há mais de 10 anos com o músico Itamar Assumpção. “Ele tem uma riqueza musical renovadora”, disse. Paiva, por sua vez, quando criança ouvia os violeiros e cantadores e no rádio, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Com a extinta revista Pop/Rock começou a tomar gosto pelos Rolling Stones, Led Zepellin, Aerosmith, Pink Floyd, entre outros. Juntou a isso a influência do conjunto Secos e Molhados, onde comprovou que era possível ter uma postura pop brasileira. Caracterizado pelas grandes performances, o grupo foi um dos maiores da década de 70. Prova desse apreço Flávio deixa claro em seu CD , onde fez uma música em parceria com Tato Ficher, que fez parte do grupo. Além dele, participam do CD dois artistas – Lanny Gordin e Rica Caveman. “O primeiro, foi o introdutor da ‘harmonia' da guitarra no Brasil, o segundo representa a nova estética musical, já que é o Rap/reggaer da banda Nomad, de São Paulo”. Bocato também toca em 4 faixas do CD. Além do show de hoje, estão programadas outras apresentações para mostrar “Terra do Nunca”. Amanhã, dentro do projeto BEC Seis e meia, no Theatro José de Alencar. No Sábado, no Brahma Cultural Aerocanta, no The Wall Bar, na Aerolândia. Domingo, o cenário para o show terá a Praia de Canoa Quebrada, em frente à Estátua de Dragão do Mar, às 18 horas.
DIÁRIO DO NORDESTE, Caderno 3 A nova cara da música cearense no Aerocanta Henrique Nunes Uma estrutura de palco “de respeito”, uma mídia para encher os brios de quem ainda é obrigado a correr muito atrás de seu reconhecimento, um encontro de talentos e de gente acostumada a aproveitar o melhor da Música Popular Brasileira feita, e muito bem feita, por aqui. Estes são apenas alguns dos elementos que poderão ser conferidos a partir de hoje, no Projeto Brahma Cultural Aerocanta. Até o fim do ano, o evento pretende promover, no The Wall Bar, um dos principais espaços culturais fora do eixão da Praia de Iracema, a maior amostra da música cearense na década. No total, 96 nomes da música local participam da iniciativa, que será aberta por um show do violonista Manassés, a partir das 22 horas. A programação movimentará a Aerolândia todas as quintas e sábados, até fevereiro do próximo ano. A idéia, elaborada pelo músico Isaac Cândido e pelo proprietário do The Wall, Tabosa Júnior, encontrou uma enorme receptividade da classe musical da cidade e do interior. Velho conhecido de quem promove a nossa musicalidade, o bar realiza shows sistematicamente, ao longo de quase quatro anos.
Projeto BEC Seis e Meia
DIÁRIO DO NORDESTE, coluna Vaivém (José Maria Melo) Jatinhas
DIÁRIO DO NORDESTE, Caderno 3, coluna Regina Marshall Fio Direto
Diário do Nordeste, Marketing (Ana Cristina Cavalcante) Marketing Cultural II
O POVO - People Retrato Falado: Flávio Paiva Letras em câmbio. Foi reunindo fonemas, sons, notícias, poesias e músicas em cantos que Flávio Paiva mostrou definitivamente que não teme as palavras, seus efeitos ou consequências. O verdadeiro temor do jornalista, escritor e compositor cearense é o medo de que as pessoas percam a liberdade de ir e vir, de falar e ouvir. Apavoradas com a violência, trancam-se caladas em casa e deixam a vida passar lá fora, sem perceberem a urbanidade vital e crescente que pode também enriquecê-las.
Projeto BEC Seis e Meia 29/08 - Lançamento do CD "Terra do Nunca", de FLÁVIO PAIVA
Revista do Capitão Rapadura Flávio Paiva por Anna Torres & Paulo Lepetit LABAREDAS DE LUTIN
DIÁRIO DO NORDESTE - Caderno 3 “Terra do Nunca” faz pesponto mestiço e urbano Vem sendo uma tendência nacional o aparecimento de misturas rítmicas que vão do regional ao pop, ganhando nas paredes dos seus sucessos rótulos como mangue-beat e forró progressivo. Agora, um novo disco chega ao mercado para dificultar a vida dos que procuram enquadrar também a sempre renovada música brasileira. “Terra do Nunca” vai além das fusões trazendo em sua essência o fio de brasilidade que costura a estética e o sentimento miscigenado encontrado na obra do jornalista e compositor cearense, Flávio Paiva, na interpretação forte da cantora maranhense Anna Torres e no apuro técnico do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo.
Tribuna do Ceará, coluna Negócios & Cia (Fernando Serpa) Marketing Cultural
Jornal O POVO - Vida & Arte Segunda versão do projeto Aerocanta terá 94 shows (...) CLASSIFICADOS
O POVO, coluna Vertical Ao pôr-do-sol
O POVO - Delas Elas por Eles
Revista Inside Brasil – junho/julho 1997 Inovação e Sensibilidade O novo CD de Flávio Paiva marca um novo momento na carreira do artista com a parceria de músicos nordestinos e paulista e um passeio por versos e arranjos que transcendem o nacional Flávio Paiva está de volta com uma produção cultural em forma de música que deleita e faz pensar. Ele experimenta sons e arranjos, passeia pela urbanidade zen e vai ao night-club sem perder referências culturais que citam o xote, o baião, o reggae e o techno. Um elenco de arranjo novo em "Terra do Nunca" (CD editado pela Plural de Cultura, com lançamento previsto para agosto), é a remissão ao techno em arranjos que, por alguns momentos, nos lembram que estamos na iminência da Era de Aquário. Opiniões
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| Videoclipe de "Xote para Sêneca" | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Jornal O POVO, Vida & Arte Vestígios do dia Eleuda de Carvalho Trecho
Jornal O POVO, Vida & Arte Xote da cearensidade Lançado hoje, o videoclipe da música Xote para Sêneca ,de Flávio Paiva, tem um perfil documental e aposta na espontaneidade dos moradores do bairro Serviluz para exaltar os valores culturais do Estado. Do ruge-ruge de ambulantes e pregadores do centro de Fortaleza para a sinuosa e preterida Praia do Titanzinho. Ali, à beira-mar, um festivo grupo de meia-idade forma pares e dança colado, tendo como pano de fundo os casebres que emolduram o Farol do Mucuripe. É o aperto do dia-a-dia recrudescendo frente à simples e contagiante alegria de viver do povo do lugar. Lançado hoje, na sede da Associação dos Moradores do Serviluz, o videoclipe da música Xote para Sêneca, de Flávio Paiva, nega estereótipos de cartões-postais e faz um elogio aos valores imateriais da cidade. “Pela própria simplicidade, essas imagens colocam em xeque a postura de uma elite concentradora de renda que no fundo é infeliz porque só pensa em poder e fecha os olhos para as coisas do espírito”,provoca o autor. O xote de Flávio mora na Filosofia. Foi a partir da leitura de um ensaio escrito por Sêneca, “filósofo espanhol culturalmente romano”, que ele decidiu falar sobre contrastes do mundo material e exaltar os conteúdos culturais. Assinado pela dupla Karla Holanda e Otávio Pedro, o trabalho de direção soube valorizar a mensagem: em nome da espontaneidade, os participantes do clipe saíram da própria comunidade do Serviluz, o que confere um perfil documental ao trabalho. “Quando fomos ao bairro para selecionar as pessoas que iriam dançar queríamos gente de todas as faixas etárias. Mas a simplicidade e alegria dos mais velhos parecia casar perfeitamente com a letra da música, que fala em deleite à beira-mar, sabedoria de viver e é uma crítica ao jogo das aparências”, destacou Karla. Na mosca. Dispensando ensaios, os dançarinos acertaram o passo em uma única manhã. “Pra nós foi uma grande riqueza, viu? Comparo assim como quando uma jóia está perdida e de repente a gente encontra. Faz 12 anos que nós trabalhamos com esse grupo de idosos aqui e nunca a gente havia sido reconhecido. Eles são uns artistas, viu? Dançam quadrilha, fazem o carnaval deles, se reúnem todas as segundas-feiras, quero que tu veja!”, anima-se dona Mariazinha, presidente da Associação de Moradores do Serviluz. Toda prosa, ela aproveita a noite de lançamento do clipe para anunciar outras atrações: uma segunda coreografia para o xote, criada pelas crianças do bairro, e uma peça de teatro que fala sobre drogas. Por fim, tem forró na quadra da associação. Autora de documentários sobre Rachel de Queiroz, Pedro Nava, Aníbal Machado e Antônio Carlos Vilaça, entre outros, a diretora do videoclipe de Xote para Sêneca gostou da estréia no gênero. E vibra com o inusitado do lançamento. “Lançar o clipe no Serviluz não só foge ao convencional como soa mais verdadeiro. Além disso, pode ser que a gente consiga atrair o olhar das pessoas para um lugar que muitas vezes nos passa despercebido, embora esteja tão perto”, acredita. Assinando em baixo, a presidente da Associação dos Moradores reforça: “Pra criar as coisas a gente só precisa de apoio, viu? As autoridades vão ver que os velhos não tão mortos, muito pelo contrário. E olhe que eles só contam com a ajuda de Deus”. Gravada originalmente no CD Terra do Nunca (1997), de Flávio Paiva, a música Xote para Sêneca também integra a coletânea Terra, Trabalho e Cotidiano, produzida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-CE). O videoclipe homônimo já não deixa a dever: foi vencedor do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo 98.
Diário do Nordeste, Caderno 3 Videoclipe com olhar documental Paulo Alcoforado
Hoje, às 19 horas, será lançado o videoclipe “Xote para Sêneca”, de Otávio Pedro e Karla Holanda na sede da Associação dos Moradores do Serviluz. O videoclipe é o primeiro dos vencedores do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo/98 a ficar pronto. A música escolhida foi “Xote para Sêneca”, do CD “Terra do Nunca”, de Flávio Paivs, lançado em 1997 com incentivo da Lei Jereissati. Alunos dos cursos de Estudos em Dramaturgia e Realização em Cinema e Televisão do Instituto Dragão do Mar, os realizadores contaram ainda com o apoio do Governo do Estado do Ceará, Instituto Dragão do Mar, Universidade Federal do Ceará, Casa Amarela Eusélio Oliveira e Plural de Cultura. “Xote para Sêneca” surpreenderá àqueles que esperarem pelo que tem caracterizado o videoclipe atualmente – um coquetel de efeitos audiovisuais mais ou menos interessantes, não muito comprometidos com a música que o originou, suprindo apenas a sede de imagens dos consumidores da MTV, em detrimento das potencialidades do formato. Mesmo as novas tecnologias, subutilizadas como arte decorativa, relegam ao videoplipe a condição de gênero menos que se desculpa culpando o show business pela sua mesmice enfadonha. Otávio Pedro e Karla Holanda se valeram do tema da música, inspirada na filosofia de Sêneca, de não perder o tempo com o jogo de aparências, entendendo a vida como sabedoria popular, para, partindo da Praça do Ferreira, se lançarem dentro da comunidade do Serviluz. Vê-se casas humildes, chão sem calçamento, falta de saneamento básico, a car~encia da comunidade, mas as pessoas nas imagens não são dignas de pena. Ao contrário, diante do Farol do Mucuripe, casais de idosos, que não se perderam de sua condição de homens e mulheres, dançam sem pressa, sabedores da urgência de viver a vida. A nobreza dessas pessoas consiste no fato de elas não terem desistido, elas estão vivas, ainda pulsam e têm muito para dar. Nem imagens descritivas, nem coreografias perfumadas; um olhar documental se abriu sobre não-atores moradores do Serviluz. Redescobriu-se a função social do videoclipe, e nada mais justo que fazer o lançamento de “Xote para Sêneca” onde foi filmado, para que a comunidade possa se reconhecer. Além da exibição do videoclipe, informou Dona Mariazinha, presidente da Associação dos Moradores do Serviluz, a música “Xote para Sêneca” será coreografada por crianças, um grupo de jovens atores apresentará uma cena de uma peça, e ao final haverá uma festa, todas manifestações espontâneas da comunidade. Sem dúvida, está é uma ótima oportunidade para avaliar o investimento do governo e reavaliar sua real extensão.
JRTevê (Gazeta de Vitória)
Velhinhos dançam forró até na areia da praia
DIÁRIO DO NORDESTE - Caderno 3 Cinema e vídeo na cena cearense Mesmo sem ter o aparato da mídia nacional que dispõe Rio e São Paulo, o Ceará sempre tem mostrado valores nas mais variadas artes. Reunir e apresentar parte desse talento é uma das idéias do Projeto Ceará Terra da Luz, que acontece de 19 a 25 de março. Para o secretário de Cultura, Paulo Linhares, o projeto é dos mais interessantes, pois vai criar uma referência importante. "Trata-se de um marco afetivo, histórico e religioso que cria um momento de reflexão da nossa identidade". Os selecionados
O POVO – Vida & Arte Os projetos vencedores do prêmio de cinema e vídeo Dez projetos visuais de curta duração: dois filmes de curta-metragem em 35mm, três vídeos e cinco videio-clips. Todos eles vão receber auxílio, em dinheiro, para sua produção. É que foi divulgado ontem o nome das produções vencedoras do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo (não confundir Prêmio Dragão do Mar de Arte e Cultura). As produções vão receber R$ 3 mil para cada vídeo-clip, R$ 5 mil para os três vídeos e de R$ 10 mil para cada curta em 35mm selecionados. VÍDEO-CLIP |
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01. Amor andança Marquei pra gente se encontrar Mas não dá pra esperar, não dá! Guardei champanha de caju Não dá pra esperar, não dá! É o amor andança Sei de você na boca do túnel Não dá pra esperar, não dá! 03. Terra do Nunca Dizem que vou na contramão Mas eu prefiro os desafios O guarda na esquina Implica com meu salto 5. Síntese Vou na tua nau, baby Navegando nesse amor sem fim Sempre te amar, baby Vou na tua nau, baby Viajando no esplendor marfim OM PEMA KROODA ARYA 7. Bolha Deu no que deu Deixe pra lá Não fique triste se você não entender Até prometo não dobrar qualquer esquina Quero um amor mais arejado 9. Volátil Um dia Pluma de gaivota Zanzou sobre o mar Muitos disseram Pluma de gaivota Vento de mar 11. Pessoas Pessoas têm os seus medos Pessoas têm seus desejos Vambora meu bem Pessoas são mesmo assim Quando se sentem inteiras Térmico Na luz do dia E visto assim Tenho esse amor Inverno de paus
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02. Mestiça Mostra esse ardor Roça essa raça Vem me abraçar nessa alma 4. Elevador Vou pra onde você for Tem nada esquisito Risco se corre ao andar Sente Só eu e você 6. Xote para sêneca Você me diz Perambulando É duro viver Sem empregar melhor o nosso tempo O xote é movimento Para viver assim O xote é movimento 8. Azul Descanso o olhar na serra Contemplo vales e vales Quem quer que seja 10. Estroboscópica Se você for esperar o dia Meu bem Veja bem E eu não consigo mais Esse cheiro que é só seu
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