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    Terra do Nunca - Flávio Paiva por Anna Torres e Paulo Lepetit.
Plural de Cultura , 1997.
 
     

"Terra do Nunca é por excelência o lugar em que fomos colocados através da lente antropológica de Darcy Ribeiro, no momento exato em que ele criou o conceito de transfiguração étnica" (Wander Nunes Frota)

 
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> Terra do Nunca
Blog Música do Ceará - 12/07/2008
> Terra do Nunca
Gláucia Magazin, Variedades, maio/1998
> Música cria novo grito de guerra de torcedores
O POVO, Esportes, 30 de janeiro de 1998
> A pulsação musical de Anna Torres
Tribuna do Ceará, 09 de janeiro de 1998
> Anna Torres canta no Sindbar composições de Flávio Paiva (Diário do Nordeste, Caderno 3, 09/01/1998)
> Terra do Nunca
O Povo, Vida & Arte, 09/01/1998
> Timbre maranhense
O Povo, Vida & Arte, 04/01/1998
> Anna Torres: Mudança em busca do sucesso longe de São Luís (O Globo, Zona Azul - RJ, 01/01/1998
> Natural Diferente
O Povo – Sábado, 20/09/1997
> Anna Torres canta na Seven
O Imparcial – Impar, 12/09/1997
> Anna Torres mata a saudade no palco
O Estado do Maranhão – Caderno A, 12/09/1997
> Modernidade e regionalismo em CD
O Estado do Maranhão – Música, 02/09/1997
> Brasileira da Gema
Diário do Nordeste – EVA, 31/08/1997
> Caleidoscópio: Êita pique!
O POVO - Demais, 31/08/1997
> Anna Torres canta hoje "Terra do Nunca" no Aerocanta
Diário do Nordeste, Caderno 3, 30/08/1997
> Terra do Nunca renova o pop na MPB
Tribuna do Ceará, Caderno C, 30/08/1997
> Projeto BEC Seis e Meia
O POVO - Vida & Arte, 28/08/1997
> Flávio Paiva em novo CD! Parabéns!
Fundação Cultural de Fortaleza em NOTÍCIAS, 29/08 a 04/09/1997
> Lançamento de Terra do Nunca no Domínio Público
Diário do Nordeste – Caderno 3, 28/08/1997
> A nova cara da música cearense no Aerocanta
O POVO - Vida & Arte, 28/08/1997
> Projeto BEC Seis e Meia
O POVO - Vida & Arte, 28/08/1997
> Jatinhas
Diário do Nordeste, coluna Vaivém, 28/08/1997
> Fio Direto
Diário do Nordeste, Caderno 3, coluna Regina Marshall, 28/08/1997
> Marketing Cultural II
Diário do Nordeste, Marketing, 25/08/1997
> Retrato Falado: Flávio Paiva
O POVO - People, 24/08/1997
> Projeto BEC Seis e Meia
Programação, ago/set1997
> Flávio Paiva por Anna Torres & Paulo Lepetit
Revista do Capitão Rapadura Nº 6 – Fortaleza-CE
> “Terra do Nunca” faz pesponto mestiço e urbano
Diário do Nordeste - Caderno 3, 27/07/1997
> Marketing Cultural (Tribuna do Ceará - coluna Negócios & Cia, 25/07/1997)
> Segunda versão do projeto Aerocanta terá 94 shows (O POVO - Vida & Arte, 23/07/1997)
> Elas por Eles
O POVO - Delas, 20/07/1997
> Inovação e Sensibilidade
Revista Inside Brasil – junho/julho 1997

 

Videoclipe "Xote para Sêneca"

> Vestígios do dia
O Povo, Vida & Arte, 18/06/2002
> Xote da cearensidade
O POVO, 10/11/1998
> Videoclipe com olhar documental
Diário do Nordeste, Caderno 3, 10/11/1998
> Velhinhos dançam forró até na areia da praia
JRTevê (Gazeta de Vitória), 10/11/1998
> Cinema e vídeo na cena cearense
Diário do Nordeste, Caderno 3, 11/03/1998
> Os projetos vencedores do prêmio de cinema e vídeo
O POVO, Vida & Arte, 11/03/1998

CONFIRA O VÍDEO

 

Anúncios de lançamento e de exibição do videoclipe veiculados nos jornais locais


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Blog Música do Ceará - 12/07/2008
por Klaudia Sander Alvarez

“Flávio Paiva nasceu em 1959, num lugar chamado Independência, na região dos Inhamuns, sertão do Ceará.
Anna Torres nasceu em 1972, na localidade da Pedra, faixa amazônica do Maranhão.
Paulo Lepetit nasceu em 1958, na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo.
Todos migrantes e aprendizes urbanos. Mestiços com orgulho, embora bastante desconfortados com uma vida de potencial ainda castigado por ingerências políticas internacionais. Condição involuntária, fruto de um conjunto de improvisos sócio-cultuais marcados por 500 anos de colonização.
“Terra do Nunca” faz parte da piracema dessa pulsão contida. Integra o território concreto de probabilidade de conexões provocada pela universalidade da música e pela amálgama cultural, com desprendimento cartográfico do autor, da intérprete e do produtor musical.
É o resultado de um afetuoso cruzamento de intensidade emocional e artística, movido com zelo e paixão pelo espírito traquinas do elemental do fogo, no processo de transfiguração da nossa Música Plural Brasileira.”

O texto acima, que faz parte do encarte do CD "Terra do Nunca – Flávio Paiva por Anna Torres e Paulo Lepetit" define perfeitamente o trabalho feito por Flávio Paiva na época em que morava em São Paulo, nos anos 90 [Mesmo tendo muita relação com artistas paulistanos, Flávio Paiva nunca morou em São Paulo]. Lançado em 1997, o disco traz parcerias de Flávio com cearenses como Kátia Freitas e Cristiano Pinho, Mona Gadelha – que por sinal é a produtora executiva do disco – Bernardo Neto, mas também com artistas paulistas de grande talento como Tato Ficher e Edvaldo Santana, dois nomes que vale a pena se conhecer, pois tem um trabalho muito interessante e criativo.

Todas as faixas do disco são cantadas por Anna Torres que é uma intérprete segura e de voz possante. Mais um belo e significativo trabalho desse grande nome da música e da cultura cearense que é Flávio Paiva.

Os músicos que participam do CD são César Botinha (guitarra), Leandro Paccagnella (bateria e caixa com vassoura), Paulo Lepetit (arranjo, violão e programação eletrônica), Amintas Brasileiro (sax e flauta), Bocato (trombone e arranjod e metais), Gigante Brasil (caxixi e bochessom), Alex Braga (violino), Ricardo Garcia (congas), Rubens Nardo (vocal), Rica Caveman (voz), Daniel Szafran (piano) e Lanny Gordin (guitarra).

Fonte: http://musicadoceara.blogspot.com/2008/07/flvio-paiva-terra-do-nunca.html

Gláucia Magazin – Variedades
Ano VIII – nº 15 - maio/98

TERRA DO NUNCA
Flávio Paiva e a lamparina que criou como símbolo do CD Terra do Nunca.

FAC-SÍMILE
O disco autoral do compositor e jornalista Flávio Paiva, interpretado pela cantora maranhense Anna Torres está também em New York, levado por ninguém menos do que David Byrne. Na sua mais recente pesquisa sobre as novidades relevantes da música brasileira, Byrne recebeu das mãos criteriosas do eterno tropicalista Tom Zé o disco de Flávio Paiva e gostou. Pôs na mala e levou para escutar com atenção.
Com sua linguagem lítero-musical contemporâneo CD Terra do Nunca esbanja sintonia com o que há de mais criativo e atual na música de referência do planeta. Em recente entrevista para o humorista João Neto (Zé Modesto), a cantora revelação da novíssima música pop no Ceará, Karine Alexandrino, revela que vê no trabalho musical de Flávio Paiva, a grande novidade da cena fortalezense. O disco traz parcerias antenadas, como em “Estromboscópica”, feita com Kátia Freitas, e em “Pessoas”, dividida com Mona Gadelha. Para quem não sabe, as duas compositoras e cantoras cearenses estão na seleção disputadíssima que o CD “A Gema do Novo”, em fase de lançamento pela Rádio Musical FM de São Paulo.

O videoclip da música “Xote para Sêneca” (Flávio Paiva), que faz uma analogia entre o discurso do filósofohispânico/romano e a maneira espirituosamente leve de ser do cearense está em fase de filmagem. O roteiro de Otávio e Karla Holanda foi um dos cinco premiados pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e Cultura. “O xote é movimento/ fluindo sem parar/ uma sabedoria que sacode o Ceará”. Diz a letra do technoxote, interpretado por Anna Torres e pelo rap-reagger Rica Caveman, da banda Nômade, com arranjo impecável do baixista Paulo Lepetit.

Em “Terra do Nunca” a coerência estética, a unidade e riqueza de multiplicidade é visível e audível a todo instante. É um disco farto de criatividade e olhar inteligente, em sua autêntica expressão migrante. Tem o que dizer sobre mundo, é bom de ouvir e de dançar. Não está preso a clichês convencionais nem alternativos. Nada de narcisismos, dandismos ou esteticismos. A capa do disco é uma cena de elevador, onde as pessoas costumam ficar incomodadas com a presença de estranhos que se encontram cotidianamente. Flávio Paiva, Anna Torres e Paulo Lepetit, num clic certeiro da fotógrafa Cláudia Guimarães, mais do que autores, apresentam-se como atores, como personagens de uma das faixas produzidas em parceria com o bluesman paulista Edvaldo Santana.

Ao escutar Terra do Nunca, percebe-se um obra que colabora para retocar o ritmo e os timbres da MPB, com uma proposta esquisitamente bonita, cheia de requintes experimentais surpreendentemente agradáveis. Para Flávio Paiva a idéia é jogar uma luz reconvexa de forma natural e desarmada para as pessoas que estão dispostas a perceberem que é possível sair da mesmice que vem atrofiando a nossa inteligência. Com base nessa postura insurgente do autor de Terra do Nunca, o professor Wander Frota escreveu um artigo na imprensa local, dizendo que a lamparina criada por Flávio Paiva como arquétipo condutor da sua proposta musical se assemelha, e muito, àquela que carregava em pleno dia de Sol um certo filósofo grego na sua busca por algo mais real.

Os alvinegros Flávio Paiva (e) e Nelson Augusto mostram novo CD

O POVO - Esportes
Fortakeza, 30 de janeiro de 1998

Música cria novo grito de guerra de torcedores

Reação da platéia supreendeu o compositor Flávio Paiva e o produtor do show, o jornalista Nelson Augusto

Uma música bem nordestina, lançada recentemente num CD independente em dois bares de Fortaleza, está começando a se transformar num gancho para um "grito de guerra" da torcida alvinegra, nos jogos do Ceará Sporting este ano.

A história é contada pelo compositor Flávio Paiva e o jornalista Nelson Augusto. Os dois ficaram impressionados com a reação provocada na platéia do Sindbar e The Wall , em shows realizados este mês. "Quem percebeu a loucura da galera foi o Nelson", conta Flávio. A música "Terra do Nunca" é uma das faixas do CD assinado por Flávio Paiva, Anna Torres e Paulo Lepetit. Num trecho da melodia, a cantora Anna Torres incita a platéia a repetir o bordão "sacode Ceará... sacode Ceará" . Quando ela fez isso, a ligação com o futebol foi imediata", relata Nelson.

"Esta música registra o espírito espontâneo do cearense e a empatia ocorreu", diz Flávio que jura não ter pensado em nada ligado a futebol quando imaginou o refrão, que terminou virando bordão. "Acho isso legal porque foi espontâneo", completa. "É bom porque pode incentivar a criatividade das outras torcidas e mostra que o futebol cearense pode cricar seus próprios gritos de guerras, sem copiar o que vem do Sul via televisão", prega Nelson Augusto.

A novidade caiu no gosto de torcedores alvinegros que ouviram o trecho da música no programa "Esporte Emoção", apresentado na quarta-feira à noite, pelo comentarista Chico Rocha, na AM do POVO. O artista plástico Elísio Cartaxo, líder da "Torcida Desorganizada Mundiça Alvinegra", aprovou logo a idéia. O locutor Evaristo Nogueira, da AM do POVO, promete incorporar a frase ao tradicional bordão "é do mais querido...", que usa para ilustrar as narrações esportivas dos lances de gols do bicampeão cearense.

Tribuna do Ceará – Caderno C
Fortaleza, 09/01/1998

A PULSAÇÃO MUSICAL DE ANNA TORRES
A cantora maranhense faz show no Sindicato dos Jornalistas

FAC-SÍMILE

A cantora maranhense Anna Torres é a grande atração do projeto Brahma Cultural 6ª Com Art, do Sindicato dos Jornalistas, hoje a partir das 20h30min na sede da entidade, que fica na Rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres. A promoção que tem entrada franca, começas às 18 horas com o já tradicional happy hour dos músicos Tarcísio Sardinha no violão e Paulinho do Pandeiro.

Já relativamente conhecida do público do Ceará, fez três apresentações em Fortaleza e uma em Canoa Quebrada no ano passado, Anna Torres será acompanhada por músicos conhecidos no cenário nacional do quilate de Paulo Lepetit (baixo), Cesar Botinha, (guitarra), Leandro Pecagnella (bateria), Bocato (trombone), com a participação especial do cearense Elismário Pereira (saxofone e flauta).

No repertório do show de Anna Torres, todas as canções do seu recente CD “Terra do Nunca”, que tem sua voz, sob os auspícios da atmosfera musical de Paulo Lepetit e parcerias de Flávio Paiva. Com Papete, Verônica Nunes, Edvaldo Santana, Rogério Soares, Géo Benjamim, tato Ficher, Bernardo Neto, Kátia Freitas, Cristiano Pinho e Mona Gadelha, além da própria Anna Torres. São elas: “Amor Andança”, “Mestiça”, “Terra do Nuca”, “Elevador”, “Síntese”, “Xote para Sêneca”, “Bolha”, “Azul”, “Volátil”, “Estromboscópica”, “Pessoas” e “Térmico”.

Além delas, uma parceria mais recente de Anna Torres com Flávio Paiva, o reggae “Degrau por degrau”, composição que deu a cantora timbira o título de melhor intérprete do Maranhão , na eliminatória do Canta Nordeste de 97 do seu estado. Atualmente morando no Rio de Janeiro, Anna Torres tem uma voz encorpada de timbre próprio e marcante musicalidade soul-pop, construindo seu alicerce para obter seu devido espaço na música popular brasileira.

Conhecida e muito aplaudida em sua terra natal, Anna Torres estudou teoria e canto popular na Universidade Livre de Música, em São Paulo. Nos dias de hoje, além de sua carreira bastante promissora, com apresentações nas principais casas noturnas cariocas, do nível de Hipódromo Up, a intérprete maranhense também empresta sua voz para alguns jingles publicitários.

Ainda em 1992, quando residia em São Luís, abriu o show “Zona de Fronteira”, do mineiro João Bosco, animou o carnaval em várias cidades do Maranhão fazendo cerca de 40 shows e, no Marafolia, apresentou-se na Banda Eva, da Bahia. Antes do CD “Terra do Nunca”, já havia registrado seu primeiro trabalho solo que leva seu nome e que em 98 está sendo lançado para o mercado francês. Fora de seu estado já se exibiu com Oswaldo Montenegro (São Paulo) e em shows de Sérgio Ricardo (Night Rio's) e Carlinhos Velz (Jazzmania). Fez shows também o Rio Jazz Club, Mistura Fina e Shopping Grande Rio.

A apresentação de Anna Torres no Projeto Brama Cultural 6ª Com Arte do Sindicato dos Jornalistas ao lado da banda Paulada Na Moleira reflete toda a realidade sonora do CD “terra do Nuca”, pois foram os mesmos músicos que participaram do registro no estúdio. O disco foi viabilizado com o apoio da Lei 12.464, de incentivo à Cultura, através de participação da Teleceará, Café Santa Clara e Senati Berga e é um álbum contemporâneo com visão migrante e urbana dos 500 anos do Brasil.

“Terra do Nuca” faz parte da piracema dessa pulsão contida. Integra o território concreto da probabilidade de conexões provocada pela universalidade da música e pela amálgama cultural, com desprendimento cartográfico do autor, Flávio Paiva, nascido em 1959, em Independência, sertão do Ceará, da intérprete Anna Torres, nascida em 1972, em Lagoa da Pedra, faixa amazônica do Maranhão e do produtor musical Paulo Lepetit, nascido em 1958, interior de São Paulo.

DIÁRIO DO NORDESTE- Caderno 3: Música
Fortaleza, 09 de janeiro de 1998

FAC-SÍMILE

Anna Torres canta no Sindbar composições de Flávio Paiva
Por André Marinho, da editora Caderno 3

O show Anna Torres canta Flávio Paiva volta após três apresentações em Fortaleza e um na praia de Canoa Quebrada, no início de agosto do ano passado, por ocasião do lançamento do CD "Terra do Nunca", do compositor Flávio Paiva. A artista volta para duas apresentações. A primeira hoje, no projeto Brahma Cultural 6ª com Arte, no Sindicato dos Jornalistas. Outra amanhã, no novo espaço cultural The Wall.

Ao lado dela, o saxofonista cearense Elismário Pereira e o trombonista paulista Bocato fazem a trupe dos metais. Completam a banda a guitarra de César Botinha (ex-Daúde), a bateria sob medida de Leandro Paccagnella (ex-Mona Gadelha) e o baixo de Paulo Lepetit (ex-Itamar Assumpção), que também responde pela direção musical. No Sindbar, ela canta as 12 faixas do CD "Terra do Nunca" e um reggae bônus inédito, feito em parceria com Flávio Paiva - "Degrau por Degrau", que fala da atual condição feminina. No The Wall, mostra
8 músicas, encerrando o show tríplice, precedido pelas apresentações instrumentais de Bocato e Paulo Lepetit.

A cantora maranhense impressionou os cearenses quando estreou por essas bandas por causa da voz e o suingue, que combina soul, funk, reggae, numa mistura eclética e saudável. Radicada no Rio de Janeiro há dois anos, a artista faz atualmente uma temporada no Othon Palace carioca. No mês passado, fez uma apresentação no Hipódromo Up, num show em homenagem ao compositor João do Vale, cantando os grandes sucessos dele. "Meu conterrâneo, ele deixou preciosidades e foi interpretado por grandes artistas como Maria Bethânia, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim", lembra. Músicas como "Carcará" imortalizada por Maria Bethânia em visceral interpretação, estiveram no repertório, numa releitura dos arranjos em pop music.

Também em terras cariocas participou de um CD sobre os 50 anos da Feira Nordestina no Rio. Gravou em estúdio músicas do compositor José Carlos Paleschuck, num CD que está em fase de produção, e será lançado depois do Carnaval deste ano.

Mas o projeto em que se debruçou é no relançamento de seu CD de estréia "Anna Torres", na terra da Copa do Mundo, a França. Em abril, os franceses poderão ouvir as onze músicas que fazem parte do trabalho, que foi gravado e lançado independente em 1995. "O disco é bem eclético, pop, com blues, funk, soul, dentro dessa mistura rítmica do fim de século", explica garantindo que essa fusão de ritmos é uma espécie de releitura e reciclagem que une o passado ao presente e ao futuro. A música de trabalho "Essência de Ser" já rolou inclusive na MTV, com video-clip.

Após a França, Anna pretende fazer contatos para lançar o trabalho em países da Europa. O responsável pela receptividade francesa ao trabalho da cantora foi o pianista Marcos Resende que, ao viajar para a terra de De Gaulle, levou na bagagem o próprio CD e o de Anna, mostrando a sonoridade ao dono da Iris Music Publishing (IMP), que aprovou e se interessou em lançar a cantora na França. "Pelo Brasil ainda não apareceu uma proposta legal", lamenta Anna, explicando que o disco foi bem trabalhado no Maranhão, mas não pode ser bem distribuído no País - limites da produção independente. "Tive propostas, mas não sei a fórmula para conseguir alguma gravadora", por isso continua independente no Brasil. Foi em 97 que Anna participou do Canta Nordeste tendo sido escolhida a melhor intérprete na eliminatória do Maranhão, ao cantar "Degrau por Degrau", música em parceria com Flávio Paiva.

Anna volta ao Ceará trazendo o som plural do "Terra do Nunca", de Flávio Paiva. Para ele, o disco tem trazido agraváveis surpresas por sua sintonia plástica, sonora e temática. E cita a sincronicidade com o CD "O Dia em que faremos contato", de Lenine, lançado recentemente. "Fiquei super feliz quando vi o disco dele com pequenos texto alusivos a cada música. Sem ser aquela coisa de explicar nada, apenas com o intuito de facilitar reflexões. Na música "Candeeiro Encantado", Lenine pôs até uma lamparina sertaneja, símbolo que fundi artesanalmente com a lâmpada elétrica e utilizei como arquétipo do Terra do Nunca". Este tipo de identificação produz a agradável sensação de tangenciamento dos novos paradigmas que estão no ar", conclui.

No novo disco de Jorge Benjor - "Músicas para tocar em elevador" - um tema abordado por Flávio também está presente. Em parceria com o bluesman paulista Edvaldo Santana, Flávio Paiva fez "Elevador", que considera uma espécie de bolero moderno, no qual este espaço urbano de rápidos encontros cotidianos é valorizado e mostrado como opção de convivência sadia entre as pessoas. Assuntos ligados aos 500 anos do Brasil, nossa civilização mestiça e outras questões urgentes tais como migração e proximidade com o ano dois mil, integram-se no disco e nos shows, com a musicalidade pop conduzida pela interpretação de Anna Torres.

Jornal O POVO – Vida & Arte
Fortaleza, 09/01/1998

TERRA DO NUNCA
A cantora Anna Torres (foto) mostra seu timbre maranhense hoje, na 6ª Com Arte do Sindbar, e amanhã no The Wall. Acompanhada do baixista Paulo Lepetit, ela expressa sua musicalidade pop-soul interpretando as canções do CD “terra do Nuca”, que reúne músicas do jornalista e compositor cearense Flávio Paiva. Anna iniciou a parceria com Paiva no Canta Nordeste do passado, quando arrebatou o prêmio de melhor intérprete com uma música dos dois, “Degrau por Degrau”. Com sólida formação musical – estudou teoria e canto popular na Universidade Livre de Música, de São Paulo – ela participou do CD “50 Anos de Feira Nordestina do Rio” e atualmente se prepara para o lançamento de seu primeiro trabalho solo, “Anna Torres, em abril, na França. Uma das músicas do CD, “Essência do Ser”, está com o clipe sendo rodado na MTV. Hoje, a partir das 20 horas, no Sindbar (Rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres). Entrada Franca. Amanhã, a partir das 22 horas, ela ganha o reforço do trombonista Bocato em apresentação no The Waal Bar (Av. Washington Soares, ao lado do Hiper Mercantil). Couvert: R$ 3,00. Informações: 257.5060 / 982.4561

Jornal O POVO - Vida & Arte - Agenda
Fortaleza, 04/01/1998

Timbre Maranhense
A cantora maranhense Anna Torres (foto) é a atração da próxima 6ª com Arte no Sindbar. Com voz encorpada e timbre próprio, ela expressa sua musicalidade pop-soul interpretando as canções do CD Terra do Nunca, que reúne músicas do jornalista e compositor cearense Flávio Paiva. Com sólida formação musical, a cantora estudou teoria e canto popular na Universidade Livre de Música, em São Paulo, e mora atualmente no Rio de Janeiro, onde faz shows e grava jingles. Todo ano volta à terra natal para cantar no carnaval e nas micaretas. Ela se apresenta acompanhada do baixista Paulo Lepetit, a partir das 20 horas, no SindBar (Rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres). Entrada franca.

O Globo, Zona Sul – Meu Bairro
Rio de Janeiro, 01/01/1998

Anna Torres
Mudança em busca do sucesso longe de São Luís

Distante da terra natal, mas perseguindo o sucesso com garra, a maranhense Anna Torres, cantora e compositora, está no Rio há dois anos, tempo suficiente para ter impressionado bambas como Roberto Menescal e Marcos Rezende.
O seu primeiro CD, “Anna Torres” já nas lojas por aqui, terá lançamento especial, em abril, na França, pela IMP (Iris Music Publish), onde Anna chegou através dos elogios de Marcos Rezende, pianista que mora lá.
- As coisas estão se encaminhando muito bem. O Menescal me chamou para interpretar um faixa de um CD-ROM que ele produziu para os brindes da Companhia Vale do Rio Doce, e o meu próximo CD está a caminho – comemora.
O CD “Anna Torres” tem quatro músicas dela e as demais são de outros autores, incluindo Frank Arduine. Ela participa, ainda, do CD “Terra do Nunca”, de Flávio Paiva.

Jornal O POVO - Sábado
Fortaleza, 20/09/1997

Natural Diferente
Wander Nunes Frota - Especial para o Sábado

Com Terra do Nunca, Flávio Paiva lança um desafio musical a este país sem porteiras e mostra o conceito do que chama de música plural brasileira.

A música brasileira da atualidade vem conseguindo romper com alguns rótulos limitadores de renovação e, dentro dele, o novo CD autoral de Flávio Paiva. Terra do Nunca, que conta com a interpretação da maranhense Anna Torres e arranjos do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo, aponta em seu conjunto de signos para uma “visão de paraíso”, dentro de uma muito própria utopia caboclo-urbana. Em quase todas as composições, encontra-se o fenômeno sócio-histórico e antropológico da mestiçagem/miscigenação.

Flávio Paiva sempre se demonstrou uma maquininha espantosa de projetos – todos altamente factíveis, pelo menos dentro de sua cabeça privilegiada. Para mim, então, Terra do Nunca é por excelência o lugar em que fomos colocados através da lente antropológica de Darcy Ribeiro – no momento exato em que este criou o conceito de “transfiguração étnica” para explicar a miscigenação à brasileira que inclui o índio – única no mundo sob todos os ângulos possíveis e impossíveis. Tem-se visto nos últimos anos que os intelectuais querem por fina força nos impingir uma miscigenação que apaga o índio de nossa etnia. Nisto, a dedicatória do CD ao pataxó Galdino, queimado vivo em Brasília (que aparece em espiral propositalmente mas desenhada, no fundo do disco) torna-se sutilmente emblemática.

O aspecto de concept-album de Terra do Nunca é exposto através de um esquema meio complicado que, paradoxalmente, salta com relativa facilidade aos olhos e sobretudo aos ouvidos de quem quiser se levar pela !música plural brasileira” ali contida. Esta “MPB”, preservada em sua integridade e magnitude de símbolo nacional devidamente compactado pela indústria cultural, teima em sobreviver de maneira horrorosa nas hostes da alternatividade propositiva carregada nas costas por gente como Flávio Paiva. Peitar a ordem estabelecida e sedimentada em interesses conservadores é uma tarefa árdua. Nesse aspecto, o autor de Terra do Nunca se vale exatamente do espírito dos tempos atuais para se colocar, não de encontro ao passado, mas para se projetar ao futuro com uma confiança de arrepiar.

Terra do Nunca lança um desafio útil ao futuro musical deste Brasilzão sem porteiras, sem no entanto carregar em sua concepção linguagem barata de manifesto. É um trabalho gostoso de ouvir, de dançar e de pensar, mantendo vínculos muito estreitos com nuanças de uma história não-oficial que está na nossa cara e corre em nossas veias sem que a notemos. O CD de Flávio Paiva é uma espécie de “O que é, o que é?”, cujas origens estão calcadas na nossa experiência como reflexo do que somos para nós mesmos. Aliás, a lamparina que aparece no livreto do disco se assemelha, e muito, àquela que carregava em pleno dia de Sol um certo filósofo grego na sua busca por algo mais real.

Ao invés de simplesmente apontar para soluções prêt-a-porter de “identidade nacional”, o trabalho vai além e questiona construtivamente aquela idéia herdada do modernismo literário. Está por demais provado que o grande espelho onde se mira o olhar de nossa hoje modernidade intelectual distorceu plenamente todo um lado sócio-histórico dos acontecimentos e manifestações culturais e artísticas nos últimos oitenta e tantos anos. Ao que me parece, Terra do Nunca não faz força para esquecer disto, e é exatamente este aspecto que, a meu ver, se torna se compromisso mais implícito e explícito – por cima de pau e pedra.

Na grande ciranda da indústria cultural de todos os tempos – que, impávida, já se arrasta desde a autonomização dos meios de reprodução, difusão e consumo da música popular – há fatos estritamente comerciais que, entre outras coisas, nunca puderam vir à tona para não desmistificar os mecanismos que a regem. Terra do Nunca mostra suas armas de maneira a tentar neutralizar (ou pelo menos diminuir) as causas e os efeitos desse vício estimulado quando, mesmo procurando não rotular mais nada, rotula-se a si mesmo como “música plural brasileira”. O disco, quero crer, é a saudável contramão desse viés somente comercial que a música ganhou no início do século nos EUA e na Europa e, a partir dos anos 20 e 30, no Brasil.

Contudo, este apenas aparente paradoxo revela que sua causa não é jamais em proveito localizado senão para atrair simples olhares para si mesmo – outros que não os meramente descuidados (para não dizer “alienados” como prefeririam Adorno & Horkeimer). Como última impressão, é interessante notar que Terra do Nunca jamais fecha as portas a novas definições ou interpretações do que venha a ser MBP (popular ou plural) a partir do seu lançamento. O CD de Flávio Paiva, com estética musical compartilhada com Anna Torres e Paulo Lepetit é apenas um gancho, uma opção de ponto de partida (com muitos méritos próprios), para a nova descoberta da ainda pouco explorada biodiversidade musical brasileira.

Jornal O IMPARCIAL - Impar
São Luís, 12/09/1997

A cantora maranhense faz única apresentação na boite somente com clássicos da MPB e MPM.
ANNA TORRES CANTA NA SEVEN

A cantora Maranhense Anna Torres mostra sua brasilidade urbana em show que faz hoje na boate seven days night. Dona de uma poderosa voz, Anna Torres está com um disco novo na praça, no qual interpreta composições do cearense Flávio Paiva. Junto com o Paulista Paulo Le Petit ela forma um time musical da pesada no CD Terra do Nunca.

O disco já mereceu um lançamento itinerante na terra natal do compositor, com direito ao requinte do teatro José de Alencar, e no ambiente bucólico e paradisíaco de Canoa Quebrada. Sempre trabalhando sua voz, Anna aproveita sua breve passagem por São Luís para fazer um show distante do disco, mas próximo do público. Com um projeto de um disco solo somente para o próximo ano, Anna Torres envereda pelos caminhos da composição. Tem coisas novas e pops, um ambiente que gosta muito de freqüentar, como “Degrau por Degrau” e outras coisas mais que foram apresentadas como bônus nos shows que realizou com Flávio Paiva no Ceará.

O encontro com Paiva se deu em 95, depois de uma eliminatória do festival Canta Nordeste. Através do compositor Josias Sobrinho, Anna manteve contato com Paiva e de cara já começaram a traçar umas partituras juntos. No ano passado começaram a realizar o projeto que somente foi concluído no primeiro semestre deste ano. Mas nada que tenha emperrado a inspiração que se expressa em Terra do Nunca.

Meio cética em relação a projetos de gravadoras que incluem muitos nomes regionais, Anna Torres corre atrás de um selo que trabalhe sua música junto ao grande público. Por enquanto se mantém independente. Assim é desde o primeiro CD lançado em 94. Foi nesse ano que ela conseguiu o prêmio de melhor intérprete do Canta Nordeste.

O timbre de Anna faz com que ela transmita em diferentes esferas. Já emprestou sua voz para muitos ritmos, como o próprio axé music. Durante o primeiro Marafolia pode se apresentar ao lado do trio elétrico Eva, da Bahia, muito a vontade por sinal. Estudante da Universidade Livre de Música, Anna tem uma musicalidade que define como pop-soul. Com o seu trabalho de voz vem construindo um sólido alicerce no cenário da música plural brasileira, como gosta de declarar com sua voz afinada.

A origem mestiça, como também gosta de destacar, é a mola mestra da carreira da cantora que já mereceu comentário na Revista Raça do Negro Barsileiro. Há um derramamento de elogios ao primeiro CD de Anna Torres. No chamado mano a mano, a cantora maranhense conseguiu colocar no mercado nada menos que 3.500 exemplares do disco que trazia como carro chefe a música “Essência do ser”.

Na trajetória música de Anna Torres não faltam episódios ilustres. Assim foi sua participação no show do lendário Sérgio Ricardo no Nigh Rios, como uma participação especialíssima e também no jingle da Shell para as olimpíadas de Atlanta.

Agora mesmo a cantora está aguardando o resultado da escolha do samba-enredo do carnaval de 98 que a Beija Flor de Nilópoles vai levar para o sambódromo. Foi com o amigo e admirador Billy branco que ela apresentou o samba enredo que exalta as qualidades ecológicas do Pará. A letra quilométrica não tirou o fôlego da maranhense na segunda eliminatória do concurso. Se tudo der certo ela será a pioneira em colocar a sua voz na passarela, um espaço dominado por homens. Mas ela não baixa a crista e aguarda com otimismo o resultado.

No show de hoje, acompanhada de Rodrigo Caracas (teclados), Carlão (bateria), Jair Torres (guitarra) e Neném (baixo), Anna faz uma viagem pelas músicas conhecidas da música popular brasileira, como releituras de Djavan, Carlinhos Browns, e coisas maranhenses como “Black Power”, da Banda Guetos.

SERVIÇO
Anna Torres - Show da cantora maranhense. Na Boate Seven Days Night (retorno da Cohama) hoje, a partir das 22 horas. Ingressos no local.

O Estado do Maranhão – Caderno A – Show
São Luís-MA, 12/09/1997

Ela canta hoje na boate Seven Night dando destaque à música “Essência de Ser”, presença obrigatória.
Anna Torres mata a saudade no palco

Em mais um rasante pela terra natal, a cantora maranhense Anna Torres – que reside no Rio de Janeiro – faz show hoje, na boate Seven Night (retorno da Cohama), às 22h. Ela canta acompanhada por Rodrigo Caracas (teclado), Jair Torres (guitarra), Neném (contra-baixo) e Carlão (bateria). "O show é para matar a saudade", disse a cantora, que animou a Expoema no último dia 5.

Esta noite, Anna pretende brindar o público com muita MPB. O roteiro traz canções como “Se” (Djavan), “Tudo Igual” (Lulu Santos), “Beija-Flor” (Carlinhos Brown, “Onde Você Mora” (Marisa Monte), e outras. Do se próprio baú, Anna retira músicas obrigatórias: “Essência de Ser” (dela e Rodrigo Caracas), “Negro” (dela) e “Assim é o Nosso Amor” (Frank Arduine), todas destaques de seu primeiro CD.

Próximo – A volta de Anna ao mercado fonográfico se deu recentemente, com o lançamento de “Terra Estrangeira”, uma parceria com o compositor Flávio Paiva e o músico Paulo Lepetit. “O CD, na verdade, é um projeto do Flávio Paiva. Ele já conhecia o meu trabalho e me convidou pra ser a intérprete do disco”, revelou a cantora.

Típico caso de “amor à primeira música” – como Anna mesmo diz – o disco traz 12 músicas assinadas por Flávio sob arranjos de Paulo Lepetit. Entre as faixas se destacam duas parcerias: “Mestiça”, fruto de uma união musical com Papete, e “Amor Andanças”, composta em cumplicidade com Anna.

“Terra do Nunca” teve seu lançamento oficial no mês de julho, em Fortaleza. O trabalho deve chegar ao Maranhão somente em janeiro do próximo ano. Para a ocasião, Anna está preparando um show especial centrado no repertório do CD.

A cantora maranhense está envolvida, também, num projeto cinematográfico, junto com Adriana Calcanhoto. Ambas estão na trilha sonora do filme “Doces Poderes”, de Lúcia Murad, que tem no elenco principal Antônio Fagundes e Marisa Orth. A obra faz uma crítica às campanhas políticas, dando destaque aos jingles usados pelos candidatos. A voz de Anna pode ser ouvida interpretando alguns desses jingles.

SERVIÇO
Show: Anna Torres e banda
Onde: Boate Seven Nigh (retorno da Cohama)
Quando: Hoje, às 22h
Ingressos: R$ 10,00 (homem) e R$ 5,00 (mulher)

O cearense Flávio Paiva, a maranhense Anna Torres e o paulista Paulo Lepetit, dentro de um elevador: linguagem contemporânea

O Estado do Maranhão – Música
São Luís, 02 de setembro de 1997

Modernidade e regionalismo em CD
“Terra do Nunca” viaja pela musicalidade brasileira, com direito a inovações que vão do techno-rock ao xote-rap

A maranhense Anna Torres está, aos poucos, conquistando seu espaço fora do Estado. Depois de se apresentar pelo eixo Rio-São Paulo, ela ataca numa parceria com um cearense e um paulista: Flávio Paiva e Paulo Lepetit, respectivamente. O disco “Terra do Nunca”, produzido pelo selo Plural de Cultura através dos benefícios da lei cearense de incentivo à cultura, chega ao mercado com a promessa de colocar a cantora no patamar das grandes vozes do Nordeste.

O disco é um velho sonho de Flávio Paiva que, apesar de não cantar ou tocar qualquer instrumento, já lançou seu segundo disco. Nas 12 faixas, uma viagem pela Música Plural Brasileira, com direito a inovações de linguagem que passam pelo techno-rock, xote-rap e pop-soul e até ao pulsar funkeado que agita a modernidade da música do País.

A cantora maranhense e o instrumentista paulista não são as únicas companhias de Flávio nessa viagem musical. Entre os parceiros do cearense estão o percussionista maranhense Papete, o bluesman paulista Edvaldo Santana e as cantoras cearenses Kátia Freitas e Mona Gadêlha, que também assina a produção executiva do disco. Também participam, o reggae-rapper Rica Caveman (da banda Nomad), o trombonista Bocato e o guitarrista Lanny Gordin e o casal indiano Harbans e Ved Arora (que declama trechos em hindustani transcritos do filme “Taj Mahal”, de Sadiq.

Flávio acertou na escolha dos parceiros, tanto que o disco mereceu elogios da crítica especializada. A cantora Anna Torres pode ser considerada um dos grandes trunfos do trabalho. A voz é definida em entrevistas através de termos como ‘forte', ‘poderosa', ‘encorpada'. Os críticos ficaram surpresos com o potencial da maranhense. “Quando uma cantora chega do Maranhão, o que se espera ouvir é uma música regional. Para minha surpresa, a Anna Torres consegue fazer música urbana hiper bem feita”, afirmou Luís Fontana, diretor musical do Mistura Fina, espaço carioca onde a cantora se apresentou.

Para quem não conhece Flávio Paiva, ele é o autor da música “latitude”, que garantiu a Ricardo Black o prêmio de melhor intérprete no V Canta Nordeste (foi a melhor colocação do estado no evento). Antes de colocar “Terra do Nunca” no mercado, o cantor lançou “América”, parceria com a cantora Olga Ribeiro, em 1992. Dois anos depois, lançou “Rolimã”, o primeiro trabalho como autor.

Natural de Lago da Pedra, Anna Torres é velha conhecida dos palcos maranhenses e tem a voz registrada no CD que leva seu nome e foi lançado há cerca de dois anos trazendo canções como “Essência de Ser” e “Negros”. Paulo Lepetit é de Rio Claro e já lançou “Le Petit Comitê” (Baratos Afins). “Terra do Nunca” mistura o sentimento mestiço do trio.

DIÁRIO DO NORDESTE– EVA
Fortaleza, 31/08/1997

Brasileira da Gema
A mulher mestiça encanta e inspira artistas

[Capa] A cantora maranhense Anna Torres, intérprete da música “Mestiça”, de autoria de Flávio Paiva, posou para um clic da fotógrafa Cláudia Guimarães.

[Editorial] Mestiça, sim
A fama de mulher sensual brasileira é conhecida nos quatros cantos do mundo. Título conquistado graças à grande mistura de raças, que ninguém mais que ela representa tão bem. O resultado disso, é claro, inspirou fortemente todas nossas manifestações artísticas, da música, artes plásticas e moda ao cinema e literatura. E agora, mais uma criação acaba de sair do forno. É a música “Mestiça”, uma das faixas do CD “Terra do Nunca”, de Flávio Paiva, lançado esta semana em Fortaleza.

A música de Paiva homenageia a bela mistura de etnias que gerou a mulher brasileira e também nos serviu de inspiração para nossa reportagem de capa.Colhemos opiniões de antropólogas sobre a condição da mulher mestiça brasileira, sua beleza e os preconceitos que ainda surgem à frente. Não faltou o depoimento de uma bela “cafuza, guerreira”, como disse Flávio Paiva, a cantora maranhense Anna Torres, que não por acaso é intérprete de sua música “Mestiça”.


Sensualidade
- A mulher brasileira

Na música, nas artes plásticas, na televisão e na literatura. Em todas essas manifestações artísticas há o traço marcante da mulher brasileira, uma síntese da mistura de diferentes etnias que formaram a população do País. Quem não se lembra da brejeirice e sensualidade da personagem Gabriela, do livro homônimo de Jorge Amado e eternizado na tv pela atriz Sônia Braga? Ou das mulatas do pintor Di Cavalcanti? São exemplos do tipo genuinamente nacional que marcaram épocas e têm em comum a inspiração que a brasileira provocou nos seus criadores.

Você já parou pra pensar, com um pouco mais de atenção, sobre as características dessa mestiçagem brasileira? Um típico exemplo é a mulata, resultado da mistura de negro com branco, diriam de cara os mais desavisados sobre o assunto. Mas a antropóloga Verônica de Paula, professora da Universidade Estadual do Ceará, garante: “pela própria história da formação da população brasileira, com certeza, todos nós somos mestiços”.

No Ceará, acaba de “sair do forno” uma música que homenageia essa mistura de etnias que gerou a mulher brasileira. Em “Mestiça”, (ver ao lado), uma das faixas do CD “Terra do Nunca”, segundo trabalho autoral de Flávio Paiva e lançado nesta semana em Fortaleza, está clara a referência à essa mulher brasileira: “Vem me abraçar nessa alma, de negro, de índio e de branco também. Bela mistura de vida silvestre, de fera na rua, de reggae e torém”, diz um trecho da música.

E quem canta essa música, como as demais do CD, é a maranhense Anna Torres, uma “cafuza e guerreira”, como define o próprio compositor. Melhor intérprete do Festival “Canta Nordeste 94” , realizado pela TV Globo, Anna Torres, 32 anos, tem raízes índia, negra e branca: “No Brasil se fala em negro, índio e branco. Eu cresci assim, sem saber, na realidade, minha identidade. Tenho pele clara, cabelo enroladinho e rosto redondo”.

A cantora, que atualmente reside no Rio de Janeiro, diz que, no Brasil, muita gente não pára para pensar um pouco mais na sua miscigenação, nas suas origens. “O País é rico em etnias e só tem a ganhar com isso. A mulher brasileira é diferente, com esse swing, sensualidade e tempero que só a gente possui”, acredita. Anna, no entanto, afirma que não dá para tapar o sol com a peneira: no meio de toda essa mistura de povos há ainda muito preconceito, principalmente o de poder aquisitivo.

A antropóloga Verônica de Paula acha a mestiça brasileira, cantada em prosa e verso, extremamente bonita, mas faz uma ressalva: “apenas aquelas que têm status. Fica difícil resguardar certos dotes físicos e até intelectuais quando não se tem condições financeiras”.

A professora da Universidade Federal do Ceará, Simone Simões, também antropóloga, diz que a excentricidade da mulher brasileira reside na cor e na forma como ela é usada: “Essa mistura de etnias faz com que a brasileira seja tão sui-generes em todos os sentidos. Transmite sensualidade muito grande, razão pela qual é muito explorada”.

Simone é clara quanto à exploração da sensualidade feminina brasileira: “concordo. É uma opção dela.”. Por outro lado, festeja uma mudança, embora lenta, do comportamento em relação aos negros e mulatos, depois de muita luta: “Ainda existe muito preconceito, mas o espaço está mais aberto para eles. Houve evolução muito pela luta do movimento negro”.

Flávio Paiva, o autor, de Mestiça, acredita que raros povos parecem ter tanta chance de serem felizes quanto o mestiço. Livre das correntes culturais maniqueístas e fortalecida pela crescente integração feminina, a mistura esclarecida tende a abominar o preconceito, a valorizar suas matrizes étnicas e a usufruir da riqueza da diferença bem distante das limitações das castas. “É o nosso segredo guardado, sem motivo, em estado de fósforo frio, como desafio maior para uma nova era de grandes descobertas”.

[...]

História - Exaltação dilui o conflito

A histriadora Simone Souza, professora do Curso de História da Universidade Federal do Ceará, considera que toda a exaltação dessa mistura de etnias contribui para diluir o conflito, como se no processo de colonização a mestiçagem ocorresse de forma não conflituosa, o que não é verdade: “A própria letra dessa música ‘Mestiça' revela o que estou afirmando. A literatura didática também”.

[...]

O POVO - Demais
31 de agosto de 1997

Caleidoscópio

Flávio e Anna: maratona de shows para lançar novo CD

Êita pique!
Desde a quinta-feira passada, o jornalista Flávio Paiva não tem sossego. É que ele preparou uma maratona de eventos para lançar o CD Terra do Nunca. Depois de se apresentar no Domínio Público, ele já pintou na programação do BEC 6 ½, no bar The Wall e hoje faz mais um show na praia de Canoa Quebrada. Mas não é só a agenda dele que está lotada. Flávio divide o trabalho com a maranhense Anna Torres e o baixista paulista Paulo Lepetit. Se você quer conferir o disco, dê uma ligada ára a Tukano (261 0421) e peça rapidinho o seu CD.

Diário do Nordeste, Caderno 3
30/08/1997

ANNA TORRES CANTA HOJE “TERRA DO NUNCA” NO AEROCANTA
A programação de lançamento do CD “Terra do Nunca”, do jornalista e compositor Flávio Paiva, continua hoje, no The Wall Bar, às 22 horas, dentro do projeto Brahma Cultural Aerocanta. Na quinta-feira passada, Paiva, com a intérprete Anna Torres, o baixista Paulo Lepetit e banda fizeram um show para mais de 450 pessoas no Domínio Público, que recebeu muito bem as músicas do segundo CD do artista. O público dançou muito ao som dessa rapaziada, com uma canja especial do trombonista Bocato, músico paulista em ascensão.

Não foi à toa que Flávio escolheu a cantora maranhense, natural de Lago da Pedra, a 5 horas de São Luís, Anna Torres, para dar voz às suas composições. Essa mestiça, filha de uma mistura de ancestrais negros, índios e portugueses, tem uma voz aveludada que abrilhanta o CD e o show. Além da presença vocal, a performance no palco ajuda a soltar o público, quando dança e convida para uma interação. Um exemplo disso foi a música “Degrau por Degrau”, um reggae que fechou o show de quinta, que fez a galera cair na dança.

Aos 24 anos, Anna começou sua carreira em julho de 1990, cantando em bandas de baile – onde interpretava as músicas de sucesso do momento. Depois, fez o circuito de bares em São Luís, dessa vez cantando solo. Num repertório com vez para MPB e para Bossa Nova. No meio termo, sempre fez jingles de publicidade, tudo para se manter com sua arte.

Não foi em vão. Partiu com a família para São Paulo, onde ganhou muitas experiências novas. Trabalhou com o cantor e músico Oswaldo Montenegro, no musical “Noturno”, em 1992, em 4 meses de temporada. Mas, vez por outra, voltada para São Luís, onde formou um público próprio. Chegava a hora de partir para o primeiro trabalho – um CD.

E 1995, foi um ano decisivo para Anna. Estreou em CD – “Anna Torres”, disco independente, com tiragem de 3.500 exemplares, que teve receptividade, em São Luís. “Foi muito boa a resposta do público”, lembra ela, com um sorriso. Fez o show de lançamento no maior teatro da cidade, o Teatro Artur Azevedo. Com algumas composições próprias, , das 11 do CD, Anna colocou para fora sua veia poética.

No mesmo ano resolveu mudar para o Rio de Janeiro, buscando novos horizontes. Até hoje está lá. Canta na noite. E recebe muitos convites. Um deles foi feito para defender um samba enredo da escola Beija-Flor de Nilópolis. Também participou da trilha sonora do filme “Doces Poderes”, de Lúcia Murat. Roberto Menescal, um dos papas da Bossa Nova, ouviu a voz dela e se apaixonou. Com ele, gravou uma música para um CD institucional da Companhia Vale do Rio Doce, representando o Maranhão. “”agora ele me chamou para gravar um CD de new-bossa, no Japão, onde tem um selo, mas nada está definido”, adianta. Enquanto isso não acontece, faz o Rio Jazz, Mistura Fina e Jazz Mania.

Daí partiu para o “Terra do Nunca”, um triângulo musical entre ela, Flávio Paiva e Paulo Lepetit. “Foi amor à primeira vista”, disse ela. “Nos shows, a gente busca fazer igual ao disco, com muita energia – pois nossa banda é maravilhosa”. E é isso que o público pode esperar.

Tribuna do Ceará - Caderno C - Entre Aspas
Fortaleza, 30 de agosto de 1997

Terra do Nunca renova o pop na MPB
A união musical de Flávio Paiva, Anna Torres e Paulo Lepetit acende a chama da Música Popular Brasileira

Depois do sucesso das apresentações de 5ª feira no Domínio Público e ontem no BEC Seis e Meia, o lançamento do CD Terra do Nunca, do cearense Flávio Paiva, prossegue hoje às 22 horas no The Wall, Rua Tenente Roma, 358, Aerolândia, com show da cantora Anna Torres, o baixista Paulo Lepetit e sua banda, com a participação especial do trombonista Bocato. A dose será repetida amanhã, no pôr do sol de Canoa Quebrada, com o auxílio luxuoso da cantora Vange Milliet.

O CD Terra do Nunca tem parcerias de Flávio Paiva cantadas por Anna Torres sob a estética musical de Paulo Lepetit. Flávio Paiva nasceu em 1959, num lugar chamado Independência, na região dos Inhamuns, sertão do Ceará. Anna Torres veio ao mundo em 1972 na localidade de Lago da Pedra, faixa amazônica do Maranhão. Paulo Lepetit é paulista do interior e nasceu na cidade de Rio Claro em 1958.

"Todos migrantes e aprendizes urbanos. Mestiços com orgulho, embora bastante desconfortados com uma vida de potencial ainda castigado por ingerências políticas internacionais. Condição involuntária, fruto de um conjunto de improvisos sócio-culturais marcados pelos 500 anos de colonização".

A formatação do CD Terrra do Nunca faz parte da "piracema dessa pulsação contida. Integra o território concreto da probabilidade de conexões provocada pela universalidade da música e pela amálgama cultural, com desprendimento cartográfico do autor, da intérprete e do produtor musical. É o resultado de um afetuoso cruzamento de intensidade emocional e artística, movido com zelo e paixão pelo espírito traquinas do elemental do fogo, no processo de transfiguração da nossa Música Plural Brasileira.

Flávio Paiva já havia lançado outro CD Autoral que se chama Rolimã e reunia a nata da atual safra de instrumentistas cearenses e intérpretes do quilate de Kátia Freitas, Marta Aurélia, Edmar Gonçalves, Norberta Vianna, Ricardo Black, Olga Ribeiro, Armando Telles, André Vidal, Mona Gadelha, Eugênio Leandro e a dupla Paula Tesser & Valdo Aderaldo. Ainda na área da música, tem parcerias com o brega star Falcão e produziu o álbum "América", dentro das manifestações aos 500 anos de nossa colonização.

Paulo Lepetit já se destaca na música popular brasileira desde a década de 70, quando começou sua incursão em palcos e estúdios. Ao lado da Gang 90 & Absurdettes chegou a gravar dois discos, quando era integrante da banda. Já atuou no grupo do versátil Itamar Assumpção, onde aprimorou mais ainda sua concepção de música e instrumento. Além de ser baixista, Lepetit também é violonista e arranjador, desempenhando essas funções em alguns discos, e mais recentemente no CD solo da estréia de sua parceira/mulher Vange Milliet.

Anna Torres tem uma voz encorpada, de timbre próprio e marcante musicalidade na área pop-soul e vem construindo um sólido alicerce para conseguir seu espaço no rol das intérpretes reconhecidas na MPB. Conhecida e aplaudida no Maranhão, estudou canto popular e teoria na Universidade Livre de Música em São Paulo. Mora no Rio de Janeiro onde grava jingles e faz shows. Já registrou a música da Shell para as olimpíadas de Atlanta e tem um cd solo gravado.

O POVO, Vida & Arte, AGENDA
Fortaleza, 30/08/1997

Terra do Nunca
Show do compositor e jornalista Flávio Paiva, hoje, no The Wall Bar (rua Tenente Roma, 358-Aerolândia). O CD, homônimo, retrata um pouco do ambiente colonial em que vivemos, sendo um misto de esperança e indignação. Informações: 257-5060/9824561.

Fundação Cultural de Fortaleza em NOTÍCIAS
(Publicação semanal interna, Ano VIII, nº 35, Edição 29/8 a 04/9/97).

Flávio Paiva em novo CD! Parabéns!
Lançado ontem, NO Domínio Público, Praia de Iracema, mais um CD independente, de qualidade, que tem a marca do talento de Flávio Paiva, um valor que a Cidade reconhece.
Com “show” de Ana Torres, Paulo Lepetit e Banda, com participação de Bocato, a série de lançamentos prossegue hoje, às 18:30, no anexo do Teatro José de Alencar, amanhã, sábado, às 22 horas, no The Wall, espaço cultural da Aerolândia, coroando a temporada com inusitado espetáculo aberto ao público, na Praia de Canoa Quebrada, em frente ao Monumento Dragão do Mar. (...)

O POVO – Vida & Arte
Fortaleza, 28/08/1997

Lançamento de Terra do Nunca no Domínio Público
O jornalista e compositor Flávio Paiva, lança hoje à noite seu segundo CD, Terra do Nunca, uma parceria com a cantora Anna Torres e o músico Paulo Lepetit.

Por Ingrid Coifman

O CD Terra do Nunca, do jornalista e compositor Flávio Paiva, retrata o ambiente colonial em que vivemos. Busca o questionamento que dá sentido à vida e à vontade de fazer. Misto de indignação e esperança. Sentimento aliado às diversidades culturais e sociais existentes. A origem interiorana é o ponto de partida. O compositor Flávio Paiva, a cantora Anna Torres e o músico Paulo Lepetit, de Independência-CE, Lago da Pedra-MA e Rio Claro-SP, respectivamente, se uniram para “ler” a cidade. “Com nossa postura mestiça forte, de pessoas interioranas migrantes na cidade, respeitamos a pluralidade cultural e entendemos o urbano de outra forma”, explica.

O convite para o trabalho em conjunto partiu do próprio Flávio que já conhecia Paulo Lepetit (produtor musical do CD), baixista da banda Isca de Polícia” e da cantora Anna Torres, representante do pop-soul nordestino. “Acho impressionante a harmonia do Paulo. Ele toca baixo como quem toca violão. Seus arranjos e experiência enriqueceram a música. A Anna é uma grande cantora e apresenta no show uma letra feita em parceria comigo, Degrau por Degrau , que não entrou no CD. A música fala da importância das conquistas femininas no mundo”.

Apostando num “olhar surpreendente” para a cidade, o trio busca nas pequenas atividades do dia-a-dia algo diferente. Um exemplo disso é o bolero “Elevador”, cenário que ilustra a capa do CD, e que, para Flávio, revela a “imaturidade de convivência urbana”. Já a canção “Mestiça” fala justamente sobre a multiculturalidade presente em Terra do Nunca . “Vem me abraçar nessa alma de negro, de índio, e de branco também, a bela mistura, da vida silvestre, de fora na rua, de reggae e torém”, cantam os versos.

O xote-rap “Xote para Sêneca”, explica Flávio, “mostra a realidade local” através do dueto de Anna Torres e Rica Caveman. A inspiração veio da cantora Daúde, que gravou a poesia de Patativa do Assaré no mesmo ritmo. Na música tema do CD “Terra do Nunca”, um adolescente tenta se divertir na cidade e encontra diversos obstáculos, como o relacionamento com a polícia.

Flávio avalia o amadurecimento do segundo trabalho em comparação com o anterior, Rolimã – uma coletânea de diversos intérpretes cearenses: “O salto é visível em comparação com o primeiro CD, que apresentou faixas de variados estilos e influências, mas ao mesmo tempo quebradas, sem seqüência. Este trabalho atual tem unidade. Aprendi que a música não tem território, fronteiras ou barreiras”.

Outros projetos? Flávio arremata: “Não faço planos, sou uma espécie de metamorfose ambulante e procuro exteriorizar minha emoção através dos meios, como a música. Simplesmente acontece quando tem de acontecer”.

Diário do Nordeste – Caderno 3
Fortaleza, 28/08/1997

Flávio Paiva lança “Terra do Nunca” no Domínio
por André Marinho

O resultado de três pólos de miscigenação e influências culturais diferentes pode ser conferido hoje, às 22 horas, no Domínio Público, durante o show de lançamento do CD “Terra do Nunca”, do jornalista e compositor Flávio Paiva. Ele abre o espetáculo, apresentando a cantora Anna Torres e o baixista Paulo Lepetit, que estarão acompanhados da banda que participou da gravação do CD, o segundo de Flávio. A entrada é franca.

Com eles estarão Leandro Paccagnella (bateria), César Botinha (guitarra) e Amintas Brasileiro (sax e clarineta). Um convidado especial estará presente: o músico paulista Bocato, que domina o trombone como ninguém. Na apresentação de hoje, as 12 músicas e uma inédita – “Degrau por Degrau”, a primeira parceria entre Flávio e Anna – farão parte do repertório.

“Terra do Nunca” é um CD autoral e conceitual. “É um olhar urbano no momento em que o Brasil faz 500 anos”, explica Flávio Paiva, o grande responsável pela concepção artística do trabalho, que teve produção executiva de Mona Gadelha e Rosely Lordello e produção musical de Paulo Lepetit. Gravado entre agosto/96 e fevereiro/97, o disco foi masterizado em maio deste ano. “Um trabalho com a ótica do autor, no Brasil, não é muito comum, pois em geral a música é feita pensando nos intérpretes – aí acontecem os casos de patrimônios da música brasileira, como Fausto Nilo, Evaldo Gouveia e Ronaldo Bastos, que só gravaram discos agora”, explica. “Mas isso acontece pela necessidade do autor mostrar suas criações”.

Flávio escolheu a cantora maranhense Anna Torres e o baixista paulista Paulo Lepetit, para ajudarem nessa tarefa. Três mestiços migrantes e “aprendizes urbanos”. Paiva nasceu em Independência, na região dos Inhamuns, sertão do Ceará, a 330km de Fortaleza. Anna é natural de Lago da Pedra, faixa amazônica do Maranhão, distante mais de 350km de São Luis. Já Lepetit nasceu em Rio Claro , interior de São Paulo. “Terra do Nunca é a soma de dos três, um ménage à trois musical, com múltiplas influências e uma linguagem musical bastante contemporânea”. Flávio diz que tentou, nos arranjos, fugir dos clichês do Pop.

A cantora Anna Torres já é conhecida no Maranhão e mora atualmente no Rio de Janeiro. Já participou de um CD com a produção do músico Roberto Menescal. Na infância recebeu influências do cancioneiro popular do Norte, mas descobriu cedo a força do Soul e da Pop music. Já Lepetit toca há mais de 10 anos com o músico Itamar Assumpção. “Ele tem uma riqueza musical renovadora”, disse. Paiva, por sua vez, quando criança ouvia os violeiros e cantadores e no rádio, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Com a extinta revista Pop/Rock começou a tomar gosto pelos Rolling Stones, Led Zepellin, Aerosmith, Pink Floyd, entre outros.

Juntou a isso a influência do conjunto Secos e Molhados, onde comprovou que era possível ter uma postura pop brasileira. Caracterizado pelas grandes performances, o grupo foi um dos maiores da década de 70. Prova desse apreço Flávio deixa claro em seu CD , onde fez uma música em parceria com Tato Ficher, que fez parte do grupo.

Além dele, participam do CD dois artistas – Lanny Gordin e Rica Caveman. “O primeiro, foi o introdutor da ‘harmonia' da guitarra no Brasil, o segundo representa a nova estética musical, já que é o Rap/reggaer da banda Nomad, de São Paulo”. Bocato também toca em 4 faixas do CD.

Além do show de hoje, estão programadas outras apresentações para mostrar “Terra do Nunca”. Amanhã, dentro do projeto BEC Seis e meia, no Theatro José de Alencar. No Sábado, no Brahma Cultural Aerocanta, no The Wall Bar, na Aerolândia. Domingo, o cenário para o show terá a Praia de Canoa Quebrada, em frente à Estátua de Dragão do Mar, às 18 horas.

DIÁRIO DO NORDESTE, Caderno 3
Fortaleza, 28/08/1997

A nova cara da música cearense no Aerocanta
Festival começa hoje, no The Wall Bar, reunindo 96 artistas até fevereiro do próximo ano

Henrique Nunes
da Editoria do Caderno 3

Uma estrutura de palco “de respeito”, uma mídia para encher os brios de quem ainda é obrigado a correr muito atrás de seu reconhecimento, um encontro de talentos e de gente acostumada a aproveitar o melhor da Música Popular Brasileira feita, e muito bem feita, por aqui. Estes são apenas alguns dos elementos que poderão ser conferidos a partir de hoje, no Projeto Brahma Cultural Aerocanta.

Até o fim do ano, o evento pretende promover, no The Wall Bar, um dos principais espaços culturais fora do eixão da Praia de Iracema, a maior amostra da música cearense na década. No total, 96 nomes da música local participam da iniciativa, que será aberta por um show do violonista Manassés, a partir das 22 horas. A programação movimentará a Aerolândia todas as quintas e sábados, até fevereiro do próximo ano.

A idéia, elaborada pelo músico Isaac Cândido e pelo proprietário do The Wall, Tabosa Júnior, encontrou uma enorme receptividade da classe musical da cidade e do interior. Velho conhecido de quem promove a nossa musicalidade, o bar realiza shows sistematicamente, ao longo de quase quatro anos.
(...)


Cartaz de Divulgação



1ª Etapa do Aerocanta
28/08 – Manassés
30/08 – Flávio Paiva, Anna Torres e Paulo Lepetit
04/09 – Paulo Façanha e Humberto Pinho
06/09 – Neo Pi Néo
11/09 – Marcílio Homem, Marcos Façanha, Marcus Maia e Rogério Lima
13/09 – Marca Carmim
20/09 – Marcus Britto
25/09 – João Netto
27/09 – Isaac Cândido e Serrão
02/10 – Érico Bayma e Jazz'In
04/10 – Leninha in Blues
09/10 – Beto Paiva, Melquíades e Robson
11/10 – Syntagma
16/11 – Parayba Kid e Siribá Soares
18/11 – David Duarte
23/11 – Daniela Montezuma
25/11 – Cidadão Instigado e Carlos Frederik
30/11 – Jorge Cardoso

O POVO - Vida & Arte
Fortaleza, 28/08/1997

Projeto BEC Seis e Meia
O melhor da MPB tem um encontro com você às sextas-feiras.
Lançamento do CD "TERRA DO NUNCA" de FLÁVIO PAIVA por ANNA TORRES
29 de agosto
Projeto BEC Seis e Meia

 

DIÁRIO DO NORDESTE, coluna Vaivém (José Maria Melo)
Fortaleza, 28/08/1997

Jatinhas
A cantora Anna Torres, chegando de São Luís para o lançamento hoje, no “Domínio Público”, do CD “Terra do Nunca”, em parceria com o compositor Flávio Paiva.

DIÁRIO DO NORDESTE, Caderno 3, coluna Regina Marshall
Fortaleza, 28/08/1997

Fio Direto
Acontece hoje o primeiro show de lançamento do CD Terra do Nunca, do jornalista e compositor Flávio Paiva. Para convidar os amigos, Flávio Paiva fez com Walber Benevides uma história em quadrinhos super interessante.

Diário do Nordeste, Marketing (Ana Cristina Cavalcante)
Fortaleza, 25/08/1997

Marketing Cultural II
No Ceará, empresas como a Teleceará, na área de serviço público, e o Grupo J.Macêdo – na iniciativa privada – já demonstraram visão e pioneirismo ao adotarem essa prática. Um dos últimos ‘cases' é o CD “Terra do Nunca”, com músicas de Flávio Paiva, na voz de Anna Torres, Paulo Lepetit e Banda. O disco conta com a participação especial de Bocato. As empresas patrocinadoras são a própria Teleceará, Café Santa Clara, Varig e Brahma. “Terra do Nunca” conta ainda com o apoio da Secult, Fundação Cultural de Fortaleza e Prefeitura de Aracati. O lançamento acontece dia 28, no Domínio Público.


Flávio Paiva e Anna Torres
Foto por GENTIL BARREIRA

O POVO - People
Fortaleza, 24 de agosto de 1997

Retrato Falado: Flávio Paiva

Letras em câmbio. Foi reunindo fonemas, sons, notícias, poesias e músicas em cantos que Flávio Paiva mostrou definitivamente que não teme as palavras, seus efeitos ou consequências. O verdadeiro temor do jornalista, escritor e compositor cearense é o medo de que as pessoas percam a liberdade de ir e vir, de falar e ouvir. Apavoradas com a violência, trancam-se caladas em casa e deixam a vida passar lá fora, sem perceberem a urbanidade vital e crescente que pode também enriquecê-las.

Flávio celebra essa perturbadora e presente urbanidade com elementos que festejam a criação, alardeando a necessidade do Ceará em atentar para uma musicalidade múltipla e multifacetada que, hoje, o Brasil já confere. Ele batiza de Música Plural Brasileira a descentralização musical que o brasileiro pode promover, congregando em torno das sonoridades a independência de rótulos ou de imposições da máfia fonográfica.

Para Flávio,"estamos no melhor estágio que já vivemos na nossa música", e para confirmar sua previsão aguardem a próxima atração do Projeto BEC Seis e Meia. Paiva lançará com um show às 18h30min do dia 29 próximo, na Praça Mestre Pedro Boca Rica, do Teatro José de Alencar, seu novo CD Terra do Nunca. As letras de sua autoria ganham alcance maior na voz da maranhense Anna Torres e nos arranjos especialmente criados pelo músico paulista Paulo Lepetit, um ás do contrabaixo.

Depois de ter mostrado a criatividade infantil no CD Rolimã ao lado de cantantes e amigos, em seu segundo CD Flávio recheia sua poesia com preocupadas revelações e com a insuspeita satisfação de querer crescer junto com Fortaleza, a cidade em que mora desde 1976. Seu ouvido domesticado ao som de cordelistas, cantadores e emboladores não furtou-se ao rock'n roll de pesos-pesados como os Beatles, Suzi Quatro e Led Zeppelin, nem deixou de também atentar para o novo que valesse um som a mais.

Antena ligada e faro fino, Flávio sabe que pode mostrar um novo caminho, cujo passaporte já pode estar no seu autoral Terra do Nunca.

Projeto BEC Seis e Meia
Programação Agosto a Setembro, 1997

29/08 - Lançamento do CD "Terra do Nunca", de FLÁVIO PAIVA
Cearense de Independência, Flávio Paiva sempre teve intenso relacionamento com a música. Em 92, co-produziu com Olga Ribeiro, o LP América. Em 94, lançou o CD Rolimã, em parceria com os compositores da nova geração da música no Ceará. Classificou a música "Latitude", parceria com Tato Ficher, no CANTA NORDESTE-95, conquistando o prêmio de melhor intérprete, na voz do cantor Ricardo Black. No CD Terra do Nunca, Flávio Paiva compartilha sua nova produção com a força guerreira da cantora maranhense Anna Torres e com apuro técnico e contemporâneo do paulista baixista Paulo Lepetit.

Revista do Capitão Rapadura
Nº 6 – Fortaleza-CE

Flávio Paiva por Anna Torres & Paulo Lepetit

LABAREDAS DE LUTIN
Flávio Paiva nasceu em 1959, num lugar chamado Independência, na região dos Inhamuns, sertão do Ceará.
Anna Torres nasceu em 1972, na localidade de Lago da Pedra, faixa amazônica do Maranhão.
Paulo Lepetit nasceu em 1958, na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo.
Todos migrantes e aprendizes urbanos. Mestiços com orgulho, embora bastante desconfortados com uma vida de potencial ainda castigado por ingerências políticas internacionais. Condição involuntária, fruto de um conjunto de improvisos sócio-culturais marcados por 500 anos de colonização.
Terra do Nunca faz parte da piracema dessa pulsão contida. Integra o território concreto da probabilidade de conexões provocada pela universalidade da música e pela amálgama cultural, com desprendimento cartográfico do autor, da intérprete e do produtor musical.
É o resultado de um afetuoso cruzamento de intensidade emocional e artística, movido com zelo e paixão pelo espírito traquinas do elemental do fogo, no processo de transfiguração da nossa Música Plural Brasileira.

DIÁRIO DO NORDESTE - Caderno 3
Fortaleza, 27 de julho de 1997

“Terra do Nunca” faz pesponto mestiço e urbano
CD desafia definições contemporâneas unindo referências do Ceará, Maranhão e São Paulo

Vem sendo uma tendência nacional o aparecimento de misturas rítmicas que vão do regional ao pop, ganhando nas paredes dos seus sucessos rótulos como mangue-beat e forró progressivo. Agora, um novo disco chega ao mercado para dificultar a vida dos que procuram enquadrar também a sempre renovada música brasileira. “Terra do Nunca” vai além das fusões trazendo em sua essência o fio de brasilidade que costura a estética e o sentimento miscigenado encontrado na obra do jornalista e compositor cearense, Flávio Paiva, na interpretação forte da cantora maranhense Anna Torres e no apuro técnico do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo.

O virtuosismo a três cabeças apontou para uma visão litero-musical migrante e urbana, com sofisticada e contemporânea roupagem conceitual sem subordinação à razão. O disco explora arquétipos dos 500 anos do Brasil em linguagem inovadora, com potência poética e sonoridade puxada do techno-rock ao xote-rap passando pelo pop-soul e o pulsar fankeado que agita a urbanidade brasileira. A temática da rua, da vida a céu aberto e da invenção do romantismo preso no elevador fazem o pesponto que prende e ornamenta esse programa comum de prazer artístico vivenciado em um mundo que gira longe dos umbigos individuais.

São doze composições marcadas pela riqueza da diversidade possibilitada por uma sociedade irreverente em sua pluralidade étnica e cultural. “Terra do Nunca” é um disco que tem o que dizer e o que escutar. A paisagem de estilos é agradavelmente experimental e o sotaque é muito bom. Entre os parceiros de Flávio Paiva, estão nomes como o do renomado percussionista maranhense Papete, do bluesman paulista Edvaldo Santana e das cantoras cearenses Kátia Freitas e Mona Gadelha, que assina também a produção executiva. O disco já está disponível aos interessados na equação de R$ 1 Real por faixa. Quer dizer, custa apenas R$ 12,00 e pode ser adquirido na Tukano Arte e Literatura (085) 261-0421. Os shows de lançamento com banda já estão marcados para agosto: Dia 28, no Brahma Cultural/Domínio Público (Praia de Iracema), dia 29, no Projeto BEC 6 e Meia (Praça Mestre Pedro Boca Rica/Anexo do TJA), dia 30, no Brahma Cultural/The Wall (Aerolândia) e dia 31, na Praia de Canoa Quebrada (em frente a estátua do Dragão do Mar).

Além da voz encorpada e com timbre muito próprio de Anna Torres, “Terra do Nunca” conta com a participação especial do reggae-rapper Rica Caveman (banda Nomad), do inimitável trombonista Bocato, da lendária guitarra tropicalista de Lanny Gordin e do casal indiano Harbans e Ved Arora que declama trechos em hindustani transcritos do filme Taj Mahal, do cineasta Sadiq. Tudo potencializado pelo caráter de experimentação exaltante da produção musical de Paulo Lepetit e seu conhecimento acumulado de dez anos trabalhando com Itamar Assumpção, com banda própria ou acompanhando respeitados intérpretes nacionais tais como Ná Ozzetti, Ney Matogrosso e Cássia Eller.

O sentimento mestiço de coração migrante do CD "Terra do Nunca", simbolizado ao longo do livreto por uma lamparina feita artesanalmente por Flávio Paiva em recipiente de lâmpada elétrica, é um ponto de luz sobre as cidades brasileiras, mas com origem em interiores distantes. Flávio Paiva nasceu na cidade de Independência, nos Inhamuns, árido sertão do Ceará, Anna Torres em Lago da Pedra, na faixa amazônica do Maranhão, e Paulo Lepetit em Rio Claro, interior paulista. Antes do encontro neste trabalho produzido pelo selo cearense Plural de Cultura, todos já tinham feito seu próprio disco: "Rolimã" (Camerati), "Anna Torres" (independente) e "Le Petit Comitê" (Baratos Afins).

Tribuna do Ceará, coluna Negócios & Cia (Fernando Serpa)
Fortaleza, 25/07/1997

Marketing Cultural
Café Santa Clara, Sangat Berga (Metalúrgica) e Grupo J.Macêdo estão apoiando o lançamento do CD “Terra do Nunca”, do jornalista e compositor Flávio Paiva e com interpretação de Anna Torres. Arranjos são do baixista Paulo Lepetit. É um trabalho que vale o investimento cultural e, acima de tudo, ser ouvido.

Jornal O POVO - Vida & Arte
Fortaleza, 23/07/1997

Segunda versão do projeto Aerocanta terá 94 shows
Com 260 inscritos, os produtores do projeto resolveram ampliar o evento de 48 para 94 shows que acontecerão entre agosto e dezembro no The Wall bar, na Aerolândia. Manassés fará o show de abertura
O projeto é ousado: 94 shows com artistas locais durante o segundo semestre. Trata-se do Aerocanta , promovido pelo The Wall Bar da Aerolândia com o aval do Brahma Cultural e viabilizado pela Lei Jereissati. Hoje à noite tem coquetel de lançamento e apresentação dos classificados, a partir das 18 horas, na Praça da Fonte D'Água (Fábrica da Brahma). Eclético como ele só, o Aerocanta vai envolver rock, reggae, MPB, blues, jazz, baião, o diabo a quatro e até humor. Os shows devem acontecer a partir do terceiro final de semana de agosto, sempre às quintas e sábados, às 22 horas.

(...)

CLASSIFICADOS
Manassés
Fausto Nilo
Nonato Luiz
Flávio Paiva por Anna Torres & Paulo Lepetit
David Duarte
(...)

O POVO, coluna Vertical
Fortaleza, 21/07/1997

Ao pôr-do-sol
O prefeito José Hamilton (PDT), de Aracati, promoverá, dia 31 de agosto, o lançamento, em Canoa Quebrada, do CD "Terra do Nunca", do jornalista Flávio Paiva

 

O POVO - Delas
Fortaleza, 20/07/1997

Elas por Eles

Térmico

Na luz do dia
Sou flor da cor do girassol
Quando escurece
Brilho em parra violeta que arrefece
E visto assim
Me visto assim
Avisto você em mim
Tenho esse amor
Corpo minado no paiol
Pra me segurar
Jogo paciência até você chegar
Inverno de paus
(calores e frios)
Primavera de ouros
(calores e frios)
Verão de espadas
(calores e frios)
Outono de copas
(calores e frios)

Canção
para Violeta


A letra presta uma homenagem à compositora chilena Violeta Parra, um dos principais expoentes do movimento musical que nos anos 60 foi intitulado de "Nova Canção Chilena".

 

Revista Inside Brasil – junho/julho 1997

Inovação e Sensibilidade

O novo CD de Flávio Paiva marca um novo momento na carreira do artista com a parceria de músicos nordestinos e paulista e um passeio por versos e arranjos que transcendem o nacional

Flávio Paiva está de volta com uma produção cultural em forma de música que deleita e faz pensar. Ele experimenta sons e arranjos, passeia pela urbanidade zen e vai ao night-club sem perder referências culturais que citam o xote, o baião, o reggae e o techno. Um elenco de arranjo novo em "Terra do Nunca" (CD editado pela Plural de Cultura, com lançamento previsto para agosto), é a remissão ao techno em arranjos que, por alguns momentos, nos lembram que estamos na iminência da Era de Aquário.

O relacionamento de Flávio Paiva com a música sempre foi intenso, embora largado de qualquer disciplina. Na adolescência, ele integrou uma banda cover dos Secos & Molhados, ao mesmo tempo em que fazia variações musicais sobre temas da literatura de cordel e outros experimentos, tais como a fusão da melodia de "Tecer Mundo" (João Ricardo) com a letra de "Meus Tempos de Criança" (Ataulfo Alves). Uma mistura que passava pelas páginas da revista "Pop" e pela realidade incandescente das feiras populares da Praça do Mercado de Independência.

Na segunda metade dos anos 70, já morando em Fortaleza, desenvolveu o exercício do solfejo, quando passou a fazer parte do grupo de tenores do Coral da ETFCe, sob a orientação e regência do castrato Paulo Abel do Nascimento (1956-1992). Em 1980, o interesse pela música ganhou nova atitude: estudar violão no Conservatório Alberto Nepomuceno, com o professor José Mário. Pouco tempo depois, ficou comprovado que as exigências da música formal não combinavam com a sua displicência. Mudou para o professor Ariosvaldo de Sousa, que ensinava popular. Acabaram parceiros de muitas composições, e Flávio Paiva ficou feliz por haver descoberto alguém que valorizava suas letras fora da agenda comum.

No decorrer dos anos 80, marcados pela sua participação no circuito da produção alternativa (poesia, HQ, variedades) e do jornalismo, Flávio Paiva reunia semanalmente na "sem-regras-casa" do Jacarecanga, onde morava, um grupo espontâneo de amigos para comporem músicas satíricas e por mero diletantismo humorístico e social. Desses saraus participaram Tarcísio Sardinha, Kátia Freitas, Marta Aurélia, Falcão, Tarcísio Matos, Jorlan Pingüim, Marcus Cus, Assis Silvino e até Vilamar Damasceno (1946-1989).

O envolvimento por pura emoção e o desejo constante de expressar novos olhares e sons levaram Flávio Paiva a compor as músicas-temas dos vídeos "Luiz Assumpção" ("A um Carnavalesco na Solidão", em parceria com T. Matos e Sardinha, com interpretação de Marta Aurélia) e "Fortaleza, Cara ou Coroa" ("Iconoclastia", em parceria com João Monteiro Vasconcelos, com interpretação de Selma Montenegro)

Mas o primeiro trabalho que apresentou vestígios concretos de uma vontade sistematizada do fazer musical foi a produção, em parceria com a cantora Olga Ribeiro, do elepê "América", em 1992. Trabalho independente e conceitual caracterizado por esmerada pesquisa e pelo virtuosismo dos seus arranjadores (Tarcísio José de Lima, Liduíno Pitombeira e Eugênio Matos) e da intérprete Olga Ribeiro.

Parcerias – Em 1994, por iniciativa de sua mulher, a jornalista Andrea Pinheiro, Flávio Paiva cedeu à tentação de fazer um CD com composições próprias e em parcerias com Calé Alencar, João Monteiro, Eugênio Matos, Cristiano Pinho, Kátia Freitas, Tarcísio José de Lima, Sardinha, T. Matos, Falcão e com o poeta espanhol Manuel González. Contou com o apoio da cantora Mona Gadelha e do produtor Cláudio Lucci para lançar, dentro da série "Garagem", do selo Camerati (São Paulo), a coletânea intitulada "Rolimã", cantada por 13 intérpretes da nova geração da música no Ceará: Kátia Freitas, Marta Aurélia, Olga Ribeiro, Edmar Gonçalves, Ricardo Black, Mona Gadelha, André Vidal, Eugênio Leandro, Armando Telles, Norberta Viana, Aparecida Silvino, Valdo Aderaldo e Paula Tesser.

Em 1995 teve a música 'Latitude', parceria com Tato Fischer, no podium do maior festival brasileiro da música promovido pela TV Globo na região, quando o canto Ricardo Black conquistou o prêmio de Melhor Intérprete do “V Canta Nordeste”. Essa é, até o momento, a melhor colocação do Ceará nesse festival nordestino, famoso por contar com mais de quatro mil concorrentes.

Com o lançamento do CD "Terra do Nunca" (1997), Flávio chega mais uma vez bem acompanhado. Preservando e reforçando sua estética insurgente, compartilha a nova produção com a força guerreira da cantora maranhense Anna Torres e com o apuro técnico e contemporâneo do baixista Paulo Lepetit, de São Paulo. Apresenta também parceiros com os quais ainda não havia gravado, a exemplo do percussionista maranhense Papete, da cantora cearense Verônica Nunes, do bluesman paulista Edvaldo Santana, do compositor cearense Rogério Soares, do guitarrista baiano Geo Benjamin, do cantor cearense Bernardo Neto e da própria Anna Torres. O disco, que contém 12 faixas empolgantes e sem clichês, das quais dez são inéditas, conta com os benefícios da Lei nº 12.464, de Incentivo à Cultura através da participação da Teleceará, Café Santa Clara e Sangati Berga.

Opiniões

  • "Uma grata revelação da música pop, com um desempenho de palco fabuloso. Quando uma cantora chega do Maranhão, o que se espera ouvir é uma música regional. Para minha surpresa, a Anna Torres consegue fazer música urbana hiperbem-feita." (Luís Fontana, diretor musical do Mistura Fina)
  • "Anna Torres, jovem cantora, estréia com uma maturidade artística dificilmente encontrada no cônego de qualquer carreira. Une uma interpretação sensivelmente influenciada pelo melhor do blues, a negritude que aveluda sua voz, a uma originalíssima forma de dividir algumas frases musicais. Está pronta para entrar no rol de nossas melhores cantoras." (Luís Carlos Lacerda, cineasta)
  • "Anna Torres é a minha maior surpresa deste ano de 96. Gostei muito." (Roberto Menescal, compositor)
  • "Paulo Lepetit faz parte da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, há dez anos, tendo excursionado pelo Brasil e exterior (Alemanha, Holanda, Suíça e Áustria), e gravou vários discos, entre eles 'Intercontinental', de 1989, no qual assinou vários arranjos. Entre 85 e 90, Lepetit integrou a Gang 90, gravando os discos 'Rosas e Tigres' e 'Pedra 90' . Participou ainda, como músico convidado, em discos de Ney Matogrosso, Na Ozzetti, Suzana Salles, Edvaldo Santana, Luiz Waack e outros. Em 1992 fez shows de lançamento do disco 'Marginal', de Cássia Eller." (Zuza Homem de Mello).
 
  Videoclipe de "Xote para Sêneca"
 


O vídeoclipe "Xote para Sêneca" foi o vencedor do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo em 1998, e recebeu Voto de Cogratulação por parte da Assembléia Legislativa do Ceará.

 

 
 

Jornal O POVO, Vida & Arte
Fortaleza, 18/06/2002

Vestígios do dia
Hoje à noite, no Titanzinho, primeira apresentação do documentário Vestígio, de Karla Holanda, estrelado por Lirete e Zuza, moradores da comunidade. (...)

Eleuda de Carvalho
da Redação

Trecho
(...)
O casal participou, em 1998, do vídeo-clipe da canção Xote para Sêneca, de Flávio Paiva. Karla Holanda, que co-dirigiu o clipe, foi fisgada pelo lugar, as criaturas. (...)

Jornal O POVO, Vida & Arte
Fortaleza, 10/11/1998

Xote da cearensidade

Lançado hoje, o videoclipe da música Xote para Sêneca ,de Flávio Paiva, tem um perfil documental e aposta na espontaneidade dos moradores do bairro Serviluz para exaltar os valores culturais do Estado.

Do ruge-ruge de ambulantes e pregadores do centro de Fortaleza para a sinuosa e preterida Praia do Titanzinho. Ali, à beira-mar, um festivo grupo de meia-idade forma pares e dança colado, tendo como pano de fundo os casebres que emolduram o Farol do Mucuripe. É o aperto do dia-a-dia recrudescendo frente à simples e contagiante alegria de viver do povo do lugar. Lançado hoje, na sede da Associação dos Moradores do Serviluz, o videoclipe da música Xote para Sêneca, de Flávio Paiva, nega estereótipos de cartões-postais e faz um elogio aos valores imateriais da cidade. “Pela própria simplicidade, essas imagens colocam em xeque a postura de uma elite concentradora de renda que no fundo é infeliz porque só pensa em poder e fecha os olhos para as coisas do espírito”,provoca o autor.

O xote de Flávio mora na Filosofia. Foi a partir da leitura de um ensaio escrito por Sêneca, “filósofo espanhol culturalmente romano”, que ele decidiu falar sobre contrastes do mundo material e exaltar os conteúdos culturais. Assinado pela dupla Karla Holanda e Otávio Pedro, o trabalho de direção soube valorizar a mensagem: em nome da espontaneidade, os participantes do clipe saíram da própria comunidade do Serviluz, o que confere um perfil documental ao trabalho. “Quando fomos ao bairro para selecionar as pessoas que iriam dançar queríamos gente de todas as faixas etárias. Mas a simplicidade e alegria dos mais velhos parecia casar perfeitamente com a letra da música, que fala em deleite à beira-mar, sabedoria de viver e é uma crítica ao jogo das aparências”, destacou Karla.

Na mosca. Dispensando ensaios, os dançarinos acertaram o passo em uma única manhã. “Pra nós foi uma grande riqueza, viu? Comparo assim como quando uma jóia está perdida e de repente a gente encontra. Faz 12 anos que nós trabalhamos com esse grupo de idosos aqui e nunca a gente havia sido reconhecido. Eles são uns artistas, viu? Dançam quadrilha, fazem o carnaval deles, se reúnem todas as segundas-feiras, quero que tu veja!”, anima-se dona Mariazinha, presidente da Associação de Moradores do Serviluz. Toda prosa, ela aproveita a noite de lançamento do clipe para anunciar outras atrações: uma segunda coreografia para o xote, criada pelas crianças do bairro, e uma peça de teatro que fala sobre drogas. Por fim, tem forró na quadra da associação.

Autora de documentários sobre Rachel de Queiroz, Pedro Nava, Aníbal Machado e Antônio Carlos Vilaça, entre outros, a diretora do videoclipe de Xote para Sêneca gostou da estréia no gênero. E vibra com o inusitado do lançamento. “Lançar o clipe no Serviluz não só foge ao convencional como soa mais verdadeiro. Além disso, pode ser que a gente consiga atrair o olhar das pessoas para um lugar que muitas vezes nos passa despercebido, embora esteja tão perto”, acredita. Assinando em baixo, a presidente da Associação dos Moradores reforça: “Pra criar as coisas a gente só precisa de apoio, viu? As autoridades vão ver que os velhos não tão mortos, muito pelo contrário. E olhe que eles só contam com a ajuda de Deus”.

Gravada originalmente no CD Terra do Nunca (1997), de Flávio Paiva, a música Xote para Sêneca também integra a coletânea Terra, Trabalho e Cotidiano, produzida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-CE). O videoclipe homônimo já não deixa a dever: foi vencedor do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo 98.

Diário do Nordeste, Caderno 3
Fortaleza, 10/11/1998

Videoclipe com olhar documental
Filmagem da música “Xote para Sêneca” foi realizada no Serviluz

Paulo Alcoforado
Especial para o Caderno 3


Flávio Paiva, o autor da música "Xote para Sêneca", ao lado de Karla Holanda e Otávio Pedro,
os realizadores do videoclipe que ganhou o Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Video/98

Hoje, às 19 horas, será lançado o videoclipe “Xote para Sêneca”, de Otávio Pedro e Karla Holanda na sede da Associação dos Moradores do Serviluz. O videoclipe é o primeiro dos vencedores do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo/98 a ficar pronto.

A música escolhida foi “Xote para Sêneca”, do CD “Terra do Nunca”, de Flávio Paivs, lançado em 1997 com incentivo da Lei Jereissati. Alunos dos cursos de Estudos em Dramaturgia e Realização em Cinema e Televisão do Instituto Dragão do Mar, os realizadores contaram ainda com o apoio do Governo do Estado do Ceará, Instituto Dragão do Mar, Universidade Federal do Ceará, Casa Amarela Eusélio Oliveira e Plural de Cultura.

“Xote para Sêneca” surpreenderá àqueles que esperarem pelo que tem caracterizado o videoclipe atualmente – um coquetel de efeitos audiovisuais mais ou menos interessantes, não muito comprometidos com a música que o originou, suprindo apenas a sede de imagens dos consumidores da MTV, em detrimento das potencialidades do formato.

Mesmo as novas tecnologias, subutilizadas como arte decorativa, relegam ao videoplipe a condição de gênero menos que se desculpa culpando o show business pela sua mesmice enfadonha. Otávio Pedro e Karla Holanda se valeram do tema da música, inspirada na filosofia de Sêneca, de não perder o tempo com o jogo de aparências, entendendo a vida como sabedoria popular, para, partindo da Praça do Ferreira, se lançarem dentro da comunidade do Serviluz. Vê-se casas humildes, chão sem calçamento, falta de saneamento básico, a car~encia da comunidade, mas as pessoas nas imagens não são dignas de pena.

Ao contrário, diante do Farol do Mucuripe, casais de idosos, que não se perderam de sua condição de homens e mulheres, dançam sem pressa, sabedores da urgência de viver a vida. A nobreza dessas pessoas consiste no fato de elas não terem desistido, elas estão vivas, ainda pulsam e têm muito para dar.

Nem imagens descritivas, nem coreografias perfumadas; um olhar documental se abriu sobre não-atores moradores do Serviluz. Redescobriu-se a função social do videoclipe, e nada mais justo que fazer o lançamento de “Xote para Sêneca” onde foi filmado, para que a comunidade possa se reconhecer.

Além da exibição do videoclipe, informou Dona Mariazinha, presidente da Associação dos Moradores do Serviluz, a música “Xote para Sêneca” será coreografada por crianças, um grupo de jovens atores apresentará uma cena de uma peça, e ao final haverá uma festa, todas manifestações espontâneas da comunidade.

Sem dúvida, está é uma ótima oportunidade para avaliar o investimento do governo e reavaliar sua real extensão.

JRTevê (Gazeta de Vitória)
Fortaleza, 10/11/1998

Velhinhos dançam forró até na areia da praia
A gente dançou a manhã toda aí na praia, patinando que nem tartaruga na areia quente. “Foi a sensação que seu Miguel, 61 anos, sentiu quando participou do arrasta-pé, com mais 13 idosos, das filmagens do vídeo Xote para Sêneca, realizadas na praia do Serviluz. De repente, os sete pares de velhinhos viraram artistas e ficaram felizes dançando na areia da praia, meio sem jeito, mas com muita animação.

Só que a festa dos velhinhos do Serviluz não acontece apenas quando vão fazer filme por lá. Todas as segundas-feiras depois do meio dia, na Associação dos Moradores do Serviluz, é a vez dos idosos da comunidade. Eles batem um papo, lancham, namoram, saem para passear, cantam e dançam muito forró. Foi numa dessas horas de dança que chegou Karla Holanda. Ela trabalha para um filme e estava procurando gente para o Xote para Sêneca, música que está no disco Terra do Nunca, do artista Flávio Paiva. Foi assim que os velhinhos acabaram virando os astros do filme.

DIÁRIO DO NORDESTE - Caderno 3
Fortaleza, 11 de março de 1998

Cinema e vídeo na cena cearense
Secult anuncia vencedores do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo

Mesmo sem ter o aparato da mídia nacional que dispõe Rio e São Paulo, o Ceará sempre tem mostrado valores nas mais variadas artes. Reunir e apresentar parte desse talento é uma das idéias do Projeto Ceará Terra da Luz, que acontece de 19 a 25 de março. Para o secretário de Cultura, Paulo Linhares, o projeto é dos mais interessantes, pois vai criar uma referência importante. "Trata-se de um marco afetivo, histórico e religioso que cria um momento de reflexão da nossa identidade".

[...]

No total, 53 projetos foram apresentados a comissão julgadora formada por Orlando Senna, diretor do Centro de Estudos de Dramaturgia do Instituto Dragão do Mar, Maurício Capovilla, diretor executivo do Instituto Dragão do Mar, e os cineastas Wolney Oliviera, diretor da Casa Amarela Eusélio Oliveira, e Tito Almeijeiras.

[...]

Ao final, foram relacionados dez projetos audiovisuais de curta duração: dois filmes de curta-metragem, três vídeos e cinco vídeo-clips.

[...]

Os selecionados

[...] Xote Para Sêneca, projeto de Otávio Fernandes, roteiro de Flávio Paiva - Inspirado no pensamento do filósofo espanhol Sêneca, com música do CD "Terra do Nunca", interpretado por Anna Torres e Rica Caverman.

O POVO – Vida & Arte
Fortaleza, 11/03/1998

Os projetos vencedores do prêmio de cinema e vídeo
Veja a relação dos projetos vencedores do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo, uma promoção da Secretaria da Cultura do Estado e Casa Amarela Eusélio Oliveira

Dez projetos visuais de curta duração: dois filmes de curta-metragem em 35mm, três vídeos e cinco videio-clips. Todos eles vão receber auxílio, em dinheiro, para sua produção. É que foi divulgado ontem o nome das produções vencedoras do Prêmio Dragão do Mar de Cinema e Vídeo (não confundir Prêmio Dragão do Mar de Arte e Cultura). As produções vão receber R$ 3 mil para cada vídeo-clip, R$ 5 mil para os três vídeos e de R$ 10 mil para cada curta em 35mm selecionados.

Trata-se de uma promoção da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) e da Casa Amarela Eusélio Oliveira, da Universidade Federal do Ceará. O objetivo? O fomento de novos realizadores de audiovisual. Participaram da seleção sete vídeo-clips, 23 vídeos e 26 curtas-metragens, num total de 56 projetos. Eles foram analisados por uma comissão de seleção composta pelos cineastas Wolney Oliveira, Tito Ameijeira, maurice Capovilla e Orlando Senna.

Além do auxílio financeiro , a Casa Amarela cederá equipamentos para processos de produção e finalização dos oito vídeos, enquanto o Bureau de Cinema e Vídeo do Ceará irá ceder equipamentos para os dois vencedores de curta-metragem de 35mm. A seguir, a relação dos premiados.

VÍDEO-CLIP

(...)
Xote para Sêneca
Proponente:
Otávio Pedro Fernandes. Sinopse: “Xote para Sêneca”, de autoria de Flávio Paiva (CD “Terra do Nunca”, com interpretação de Anna Torres e Rica Caveman), foi inspirada no pensamento do filósofo espanhol Sêneca em sua crítica “aqueles que abdicam da felicidade em nome do poder de mando, do jogo das aparências e da ansiedade pelo consumo desnecessário”, como explica o próprio autor. Duração: 4'14''.

(...)

 
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01. Amor andança
Flávio Paiva e Anna Torres

Marquei pra gente se encontrar
Quando o milênio fosse acabar
E na aurora do século XXI
De novo amor queria arrebentar

Mas não dá pra esperar, não dá!

Guardei champanha de caju
Felicidade importei lá de Itu
E veio o pedido da fada anil
Pra deixar em paz o ano 2000

Não dá pra esperar, não dá!

É o amor andança
Ora lembrança, ora esperança
Incensos e ácidos a me perfumar

Sei de você na boca do túnel
Sombra no chão de luz a granel
De black jeans que o asfalto surrou
O breu mais puro do meu amor

Não dá pra esperar, não dá!

03. Terra do Nunca
Verônica Nunes e Flávio Paiva

Dizem que vou na contramão
(sozinha) alimentando uma ilusão
Que não tem hora pra acabar
Que se instalou em mim
E que assim vai me matar

Mas eu prefiro os desafios
Das verdes encruzilhadas
Uma dúvida por vez
Sem norte determinado
Ruas tortas, noites mortas
E coração acelerado

O guarda na esquina
Pensa que me engana
Fala em grana (não me abala)
Desse drama estou curada
Alega que não tenho idade
Mas trafego sem pudor
Pelos points da cidade

Implica com meu salto
Com a minha voz de álcool
Querendo me meter em cana
Mostro a carta de alforria
O segredo e alegria da viagem
Peter panamericana

5. Síntese
Flávio Paiva, Rogério Soares e Geo Benjamim

Vou na tua nau, baby
Sou teu rock´n roll

Navegando nesse amor sem fim
Tempo afora flora ardor em mim

Sempre te amar, baby
Amar assim
Nau, Mumtaz Mahal

Vou na tua nau, baby
Sou teu rock´n roll

Viajando no esplendor marfim
Mundo afora flora amor em mim
Sempre te amar, baby
Amar assim
Nau, Mumtaz Mahal

OM PEMA KROODA ARYA
ZAMBALA
HRIDA HUM PHE SOHA
OM BENZE DAKINI HUM PHE
OM RATNA DAKINI HUM PHE
OM KARMA DAKINI HUM PHE
OM BISHANI SOHA

7. Bolha
Flávio Paiva

Deu no que deu
Essa mania de acreditar em você
De pensar que a gente um dia
Seria feliz
Mas não faz sentido
Esse amor com possessão
Isso não é amor
É ambição

Deixe pra lá
Não precisa mais me dizer
Aquilo tudo que você falava pr'eu fazer
O que você pensa agora
Pouco me interessa
Isso é conversa
É diversão

Não fique triste se você não entender
Pode fingir que apenas se deu bem
Assumo o risco de tentar viver assim
Desconhecendo tudo o que você
Pensar que sabe de mim

Até prometo não dobrar qualquer esquina
Ao lhe ver
Ou evitar de com você cruzar pelas calçadas
Mas por favor não insista em me agradar
Perguntando por quem você acha
Que está no seu lugar

Quero um amor mais arejado
Ensolarado
Sem Veritatis Splendor
E que misture hip hop ao calor das matinées
De rolimã, telepatia, cibermã 2000
No travesseiro do Brasil

9. Volátil
Bernardo Neto e Flávio Paiva

Um dia
Meu prisioneiro fugiu
Ele rompeu seus muros
E voou pelo mar

Pluma de gaivota

Zanzou sobre o mar
Nuvem vã sem rota

Muitos disseram
Ele já era livre
Que livre é a alma
É o corpo
De quem ousa amar
Solto no ar

Pluma de gaivota

Vento de mar
Nuvem vã sem rota

11. Pessoas
Mona Gadêlha e Flávio Paiva

Pessoas têm os seus medos
Que guardam como segredos
Num canto escuro da alma
No grito preso de um pesadelo

Pessoas têm seus desejos
Que pulsam como lampejos
Por toda parte do corpo
Virando o brilho vivo do olho

Vambora meu bem
O carro chegou
Tem palmas pra gente
O show começou

Pessoas são mesmo assim
Quando se olham no espelho
Inventam um jeito saudável
Pessoas são demais pra mim

Quando se sentem inteiras
Descansam no meio da lua
Em quarto crescente
Pessoas ausentes se beijam na rua.

Térmico
Letra: Verônica Nunes e Flávio Paiva

Na luz do dia
Sou flor da cor do girassol
Quando escurece
Brilho em parra violeta que arrefece

E visto assim
Me visto assim
Avisto você em mim

Tenho esse amor
Corpo minado no paiol
Pra me segurar
Jogo paciência até você chegar

Inverno de paus
(calores e frios)
Primavera de ouros
(calores e frios)
Verão de espadas
(calores e frios)
Outono de copas
(calores e frios)


 

02. Mestiça
Papete e Flávio Paiva

Mostra esse ardor
Tua cor
Essa pele dourada de sol
Quero sentir teu calor
Vibrante
Fagueiro
Brincando ao vento
Do mundo em flor

Roça essa raça
Teu canto
Encontro urbano e tribal
Deixa valer tua força
Mestiça que atiça
Meu coração marginal

Vem me abraçar nessa alma
De negro
De índio
E de branco também
Bela mistura
De vida silvestre
De fera na rua
De reggae e torém

4. Elevador
Edvaldo Santana e Flávio Paiva

Vou pra onde você for
Tem corredor escuro
Lá fora tem pé de muro
Sou mais esse mergulho
Entre paredes metálicas
Quentinhas de tanto amor

Tem nada esquisito
Mas nada é igual
A estar com você
De quatro
Sozinhos no mundo
Pelos quatro cantos do mundo
Desse mundo redondo
Enquanto lhe sarro e você me agarra
No elevador

Risco se corre ao andar
Diz meu diabinho futurista
Nesse furor metabólico
Pouco católico
A queimar calorias
Espalhar alegrias
E gozar com você

Sente
Escorre quente
No abraço de pernas
Suas pernas sem depilação
Respira baixinho, suspira baixinho
A porta se abre
E na garagem ninguém nos vê

Só eu e você
Para amanhecer pelas ruas
De nuca molhada
Pelas calçadas
Pra quem quiser ver
Para quem não sabe o que é bom
Pra quem quiser saber

6. Xote para sêneca
Flávio Paiva

Você me diz
Que a vida só é breve
Pra quem vive ocupado
Sem querer filosofar

Perambulando
Nas janelas da memória
Espicaço tantos vícios
Poderes, mapas, fortunas
Que não dá pra desfrutar

É duro viver
Nesse mundo de aparências
Tantas vidas esbanjadas
Por esforços indolentes
Incapazes de sonhar

Sem empregar melhor o nosso tempo
Pagar a ele um dito salário bom
Aproveitar a arte do instante
E dançar xote para se purificar

O xote é movimento
Fluindo sem parar
Uma sabedoria
Que sacode o Ceará

Para viver assim
É só não hesitar
Ao belo caos de ondas
Em deleite à beira-mar

O xote é movimento
(o quê?! o quê?!)
Para viver assim
Em deleite à beira-mar
(hesitar por quê? hesitar pra quê?)
É...é...é...é movimento!
(sacode, sacode, sacode o Ceará)
É movimento
Em deleite à beira-mar
Há! Há!

8. Azul
Tato Fischer e Flávio Paiva

Descanso o olhar na serra
Distante
Nevoeiro sem vento, smog
E paixão
Palavra do mundo
Me diz que de perto o amor
Não tem cor
O azul é ilusão

Contemplo vales e vales
De espera
Riachos sem pontes, sem som
Solidão
Beleza do mundo me ajuda
A sentir
No amor compreendi
Toda a respiração

Quem quer que seja
Que deseje esse olhar
Quem quer que queira
Com ele se encontrar
Basta estar todo dia
Nos picos nublados
Das montanhas distantes
Por onde passeia e brinca
Feliz
Minha imaginação
(nossa imaginação)

10. Estroboscópica
Kátia Freitas, Cristiano Pinho e Flávio Paiva

Se você for esperar o dia
Em que eu me tornar perfeito
Direito demais
Como você pensa que não quero ser
Pode mudar de vaidade
Só o amor não é verdade
Neste mundo...

Meu bem
Cuide dessa indecisão
Ela gira o nosso amor pra trás
Como as rodas das carruagens
Na tela do cinema

Veja bem
Esse ar fluorescente
Pára corpo, pára dengo, paranóia
Paralaxe
É devaneio...

E eu não consigo mais
Segurar esses monstrinhos
Do meu zôo colonial
Você precisa acostumar
Eles não mordem
Mas lhe querem nua, toda rua, toda lua
Sem ficção, sem script, afinal

Esse cheiro que é só seu
É meu
Esse brilho dos seus olhos também
Meu bem reluz, seduz, ano-luz
Zune no espaço sideral

 


 

 
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02. Mestiça

04. Elevador

05. Síntese

06. Xote para Sêneca

 
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