Diante dos ataques do governo estadunidense ao Brasil, com tarifas comerciais injustas, um cerco ideológico reforçado por intervenções eleitorais feitas em países vizinhos e com um serviço de capatazia realizado por conspiradores locais que tramam contra o país, o povo brasileiro ainda demonstra uma passividade temerária, comum às populações perturbadas por sistemas de desinformação.

Os líderes dos Estados Unidos estão, de maneira destemperada, forçando a sociedade brasileira para que nas eleições de outubro lhes dê carta branca no controle dos rumos do Brasil, por meio de candidatos dispostos a entregar facilmente as riquezas e o domínio sobre as leis do país em troca de uma guarita de representante desse império sangrento e saqueador.

Duas armas estão sendo utilizadas mais visivelmente nessa interferência: a econômica, tendo como alvo o diferenciado desempenho formal e informal brasileiro em uma conjuntura internacional de turbulências, e a eleitoral, uma vez que a segurança das urnas eletrônicas praticamente os impede de fraudar resultados, por isso partem para ações farsescas de deslegitimação do voto digital.

A arrogância do falastrão sai de controle quando suas intenções unilateralistas são contrariadas. O governo brasileiro não está abrindo mão da soberania do país na web, nem do controle sobre a exploração de suas terras raras, nem do PIX como sistema de transferência e de pagamento gratuito que revolucionou a forma de fazer compras e de enviar e receber dinheiro instantaneamente. Por não se curvar, o Brasil segue pressionado a desistir da defesa dos seus próprios interesses.

O primeiro mapa com o nome AMERICA (1507) mantém o padrão feminino de Europa, Ásia e África e mostra o litoral do Brasil como o Novo Mundo. Acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

Conspiradores alegam que países africanos, asiáticos e os próprios EUA operam com meios de pagamento semelhantes ao PIX. Omitem, contudo, que todos esses outros sistemas não incomodam as corporações estadunidenses porque funcionam atrelados a grandes empresas bancárias, telefônicas, de tecnologia e de cartões de crédito, que recebem compulsoriamente valores percentuais por cada transação feita através de seus aplicativos e plataformas.

É comum escutar de defensores da rendição nacional que o Palácio do Planalto não deveria desafiar a Casa Branca desse jeito. Argumentam que nunca houve um embate político entre os dois países como está ocorrendo no momento, e que a postura insubmissa do Brasil põe o país em risco. É gente que não aceita o fato de que a ideia de ser quintal está fora das expectativas brasileiras. Essa falta de noção é o que permite arroubos estadunidenses como a proposta de utilizar prisões brasileiras para estrangeiros capturados nos EUA.

Depois de isolar-se da União Europeia, de perder a corrida econômica e tecnológica para a China e de levar um nó na guerra contra o Irã, o império em vertigem precisa de um continente para chamar de seu. Restou-lhe marchar para cima das Américas, destruindo institucionalidades e promovendo a circulação de notícias enganosas como tática de engajamento de militantes destituídos de reflexão a respeito das consequências das mensagens absurdas que reproduzem.

Nessa busca de abocanhar países, os EUA sentem-se ofuscados ainda pela luz própria brasileira. Na cartografia do século XVI, o território colonial que viria a ser o Brasil foi batizado de América, em deferência ao navegador florentino Américo Vespúcio (1454 – 1512), o primeiro explorador a tornar público que o Novo Mundo encontrado não era em terras asiáticas. Somente depois a palavra foi estendida a todo o continente, não cabendo a um único país ser designado americano.

Fonte:
Jornal O POVO