Como a história não fica parada, procurei olhar ao redor do mundo e identifiquei sete lideranças posicionadas na contramão dos tempos em que vivemos. Considero útil o exercício de pensar onde estão os atuais pontos de inflexão no revirar dos limites de um mundo atravessado por redes de desinformações e distúrbios depressivos.
Cláudia Sheinbaum, 64 anos, presidente do México, destaca-se na política americana por conseguir manter um equilíbrio mínimo na correlação de forças do seu país com um vizinho poderoso, barulhento e mal-intencionado. Mesmo assim, ela tem conseguido sustentar uma política interna de redução de homicídios, de ampliação de programas sociais e de atitudes decoloniais como a valorização da herança indígena.
Ibrahim Traoré, 38 anos, presidente do Burkina Faso, ganhou notabilidade na política africana ao tomar medidas concretas de ruptura com o imperialismo do Ocidente Próximo (Europa) e do Extremo Ocidente (Estados Unidos). Em aliança com o Níger e o Mali, impulsiona o “Neoafrikanismo”, um modo de pensar local, que incita as pessoas a buscarem conhecimento e trabalho, e não a ficar esperando providências divinas.
Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, presidente do Brasil, é a mais expressiva voz do Sul Global. Seja no G20, nos BRICS ou na Assembleia Geral da ONU, o líder americano é sempre aplaudido por reverberar o caráter necessário e estratégico do seu compromisso no combate à fome e à pobreza, mas também por sua luta travada em favor da transição energética e da soberania dos países em relações multilaterais.
Netumbo Nandi-Ndaitwah, 73 anos, presidente da Namíbia, é a principal referência feminina da política africana. Em seu governo, a vice-presidência e a direção dos principais ministérios estão confiadas a mulheres. Em termos decoloniais, ela ainda tem de cuidar da ferida histórica do genocídio do povo Herero (século 19), considerado o primeiro laboratório da experiência europeia de extermínio em massa.
Pedro Sánchez, 54 anos, primeiro-ministro da Espanha, distingue-se dos demais líderes europeus por sua política de acolhimento a imigrantes, pelo fortalecimento de direitos civis, pela negação firme às pressões bélicas e, internamente, pelo desenvolvimento de políticas de subsídios a setores econômicos essenciais e de preservação do poder aquisitivo da população, em favor da sustentabilidade econômica do país.
Xi Jinping, 73 anos, o centrado presidente da China que, sem investir em guerras, aperfeiçoou os mecanismos de mercado historicamente impostos a seu país pelo capitalismo, promoveu uma revitalização socioeconômica interna que permitiu a retomada dos caminhos de negócios interrompidos há cinco séculos com o fim da Rota da Seda, levando a nova China à liderança da expansão tecnológica e econômica global.
Zohran Mamdani, 34 anos, prefeito de Nova York, obteve relevância na política internacional pela aplicação do senso de justiça social na administração da cidade que é o maior centro financeiro norte-americano. Nascido em Kampala, Uganda, ele não poderá ser candidato a presidente dos Estados Unidos, mas é uma das figuras públicas mais influentes no processo de passagem do imperialismo estadunidense.
É óbvio que não haverá vencedores humanos nesse mundo de guerras. A natureza vencerá no final. Só ela é superinteligente. Seja como for, é razoável observar lideranças críticas e inquietas empenhadas na alteração dos rumos do planeta. Contei sobre sete aqui. O imobilismo diante do inaceitável é cúmplice. Isso vale para todas as pessoas.
Fonte:
Jornal O POVO


