Maria Laís, Pedro Arcanjo e Tágila Ravenna são três jovens que desde a infância aprenderam a respeitar os direitos do meio ambiente e da Mãe Terra. Conhecem o que falam porque praticam o que dizem. Cada qual, a seu modo, leva a efeito um tipo de rebeldia da juventude contra os usos sem preocupações com as consequências que grande parte da humanidade faz dos recursos naturais finitos do planeta.
Elas e ele foram convidados pelo presidente da ICID III, Antônio Rocha Magalhães, para falar sobre “Práticas transformadoras em meio às emergências climáticas”, dia 15 de setembro, às 16 horas, no Centro de Eventos, em Fortaleza, a partir de experiências produtivas, literárias e audiovisuais voltadas para o direito de plantar e colher a vida na Caatinga.
Ao considerar a voz da juventude do semiárido, representada por quem se destaca no processo de sedimentação de novas bases sociais e ambientais de sustentação, a ICID III – 3ª Conferência Internacional sobre Clima e Desenvolvimento em Regiões Áridas, Semiáridas e Subúmidas Secas – amplia o caráter multiparticipativo da sua busca por respostas e propostas para o colapso ecológico.
No livro “A árvore do Conhecimento” (Palas Athena, 2001), os biólogos e pensadores chilenos Humberto Maturana (1928 – 2021) e Francisco Varela (1946 – 2001) afirmam que no âmago das dificuldades do ser humano atual “está seu desconhecimento do conhecer” (p. 270). Por isso é animador esse diálogo aberto com jovens que carregam em si a força do solo, da luz e da poesia das terras cearenses.
Agroecologia na floresta será a tônica de Maria Laís em seu relato sobre o projeto LaVida, desenvolvido por sua família com manejo alimentar orgânico, apicultura e turismo rural em harmonia com a natureza no município de Santana do Cariri. O exitoso caso de agrofloresta na Caatinga, do agricultor Zé Artur, estará nas observações de Pedro Arcanjo, que produziu na TV da Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, um vídeo sobre esse sistema herdado dos povos indígenas.
Tágila Ravenna, que é aluna da EFA – Escola Família Agrícola Dom Fragoso –, tecerá comentários a respeito do cordel “Filha da terra, voz do sertão”, de sua autoria, finalista no 17º Prêmio Literário Flávio Paiva 2025, do Espaço Cultural História Viva, de Independência; e a cantora Tóri interpretará cantigas do meu recente livro infantil “Brincadeira de Cantar”, que abordam a relação ecológica entre espécies diferentes, o poder de renovação das plantas e o canto da natureza que se expressa através dos animais.
Que a ICID III leve à COP 30, em Belém, propostas de encadeamentos de práticas fora das subordinações academicistas, antropocêntricas, patriarcais, extrativistas, produtivistas e de fetichização servil que destroem o mundo.
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Nota: Para adequação ao espaço da página do jornal, este artigo foi publicado em versão reduzida.
Fonte:
Jornal O POVO


